quarta-feira, 16 de julho de 2014

Por que acreditar no futuro da Bovespa?


Que a economia brasileira está parada, todos nós sabemos, ou pelo menos deveríamos saber. Que a bolsa de São Paulo está em correção desde 2008, também não é novidade. Então, por que acreditar que a Bovespa terá um bom desempenho nos próximos anos? Vejam alguns fatos:

Qualquer ativo tem seus ciclos. Todos. Desde as commodities agrícolas até o mercado acionário. Ciclos de alta se alternam com ciclos de queda ou estagnação. Sempre foi  assim e sempre será!


O histórico das bolsas ao redor do mundo confirma este fato de forma categórica, e melhor, no longo prazo os ciclos de alta são preponderantes. Veja abaixo o gráfico dos últimos 80 anos da bolsa de Nova Iorque: uma alta de quase 40.000%. Isso mesmo com todas as crises, incluindo a grande recessão e a última guerra mundial.





Apesar de a bolsa brasileira ser bem mais jovem, os dados são semelhantes. Veja os gráficos seguintes do IBOV: de 1992 a 2012 a bolsa subiu mais de 1.600%; de 2002 a 2008 a bolsa subiu 770%. De lá para cá, ele perdeu 30% de valor. Quanto o IBOV subirá no próximo ciclo?






Outra pergunta frequente: será que já chegamos ao fundo? Talvez. Mas este aspecto não é o mais importante, pois ninguém pode prever este fato agora. Somente o futuro irá confirmá-lo. Desta forma, não espere por um recado divino ou uma dica de um grande corretor. Faça agora o dever de casa. Como?


*  
Várias boas ações da bolsa brasileira estão descontadas, especialmente pelo mau desempenho recente da nossa economia. Assim, o ideal é começar a comprá-las. Como não sabemos se o fundo chegou, faça compras mensais, de acordo com suas posses. Acumule ações e monte uma carteira diversificada. E o mais importante: pense no longo prazo. Não se preocupe com as turbulências esporádicas, elas são passageiras. Sempre!

As principais bolsas mundiais estão em patamares históricos. Lembre-se, todo mercado é cíclico. Uma correção irá acontecer. Quando? Não sei, mas ela virá. Quando a situação melhorar no Brasil o dinheiro voltará para cá e a bolsa subirá muito.


A nova metodologia ajudará o melhor desempenho do índice Bovespa: as empresas ruins serão expurgadas do índice. Isso já aconteceu com a OGX.


O Governo Federal está estudando novos incentivos fiscais para o pequeno investidor colocar seu dinheiro na bolsa. Assim, poderemos ter um grande aumento do número de investidores. Hoje, menos de 0,4% da população investe no mercado de ações. Nos Estados Unidos mais de 60% o fazem. O sucesso econômico de um país depende de um mercado acionário forte e organizado. A história confirma esta premissa.


Confesso que tinha muito medo do ano de 2014: o auge da crise econômica brasileira, o começo da “tempestade perfeita” e o período eleitoral. Entretanto, o primeiro semestre mostrou que dificilmente perderemos os 44 mil pontos. A entrada de compradores neste patamar foi muita clara e taxativa!

As eleições presidenciais poderão ser o gatilho para o novo ciclo de alta. A vitória da oposição dará oxigênio para a economia brasileira. Há quem diga que mesmo numa eventual vitória do atual Governo, mudanças drásticas deverão ser vistas com o intuito de melhorar a atividade econômica.

Assim, pense com muita calma no que foi comentado acima. Oportunidades como estas são raras. Não desperdice!  E não se esqueça: ninguém vai te avisar que o novo ciclo de alta chegou. Provavelmente seu gerente te avisará apenas no final, como ocorreu em 2007 e 2008, onde um grande número de novas pessoas físicas que adentraram na Bovespa e amargam perdas significativas até hoje.

MJR

sexta-feira, 11 de julho de 2014

A Copa e a Bolsa


Olá, amigos! Após a folga da Copa estamos de volta. E os investimentos como estão? Será que algo importante mudou na economia?... Nos últimos 30 dias, o tempo parece que parou. Talvez pela excelente Copa que tivemos. Para mim, a melhor de todas: jogos fantásticos e emocionantes! Bom, mas a TACA da última terça-feira era dispensável... A realidade econômica brasileira continua na mesma: inflação em alta (recentemente superou o teto da meta: 6,52%), a atividade econômica quase parada (igual ao Fred) e a confiança dos empresários em baixa (há muito tempo não estava tão tuim), dentre outros aspectos... O atropelamento alemão reanimou o mercado financeiro, pois esta “tragédia esportiva”, teoricamente é péssima para o Governo Federal. Aliás, o sucesso da Copa tinha aumentado o fôlego da Presidente nas últimas pesquisas eleitorais. O que podemos esperar das próximas pesquisas, após o vexatório desfecho da seleção canarinho, do fim do circo e do começo da corrida presidencial? Por enquanto a bolsa brasileira continua subindo, não por notícias positivas das empresas, mas pela real possibilidade de derrota do atual Governo. Se antes era uma possibilidade bem remota, hoje é uma realidade. O segundo turno é quase certo. Uma eventual vitória da oposição poderá ser o gatilho para um novo ciclo de alta da economia nacional. Precisamos de novas ideias, novas oportunidades, novas esperanças...  Até lá, o melhor é secar os hermanos no próximo domingo: Deutschland! Deutschland!


quarta-feira, 4 de junho de 2014

Letras de Crédito Imobiliário


As Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) são papéis de renda fixa, lastreados em créditos imobiliários, garantidos por hipotecas ou por alienação fiduciária de um imóvel, que dão aos seus portadores o direito de crédito pelo valor nominal, juros e, por vezes, atualização monetária. São apelidadas pelo mercado de “CDB Imobiliário”. A emissão é exclusiva de instituições financeiras com carteira de crédito imobiliário, autorizadas pelo Banco Central. As LCIs devem ser obrigatoriamente registradas na CETIP, sendo nominativas, transferíveis e de livre negociação no mercado secundário. São garantidas pelo FGC até o limite de 250 mil reais. Atualmente, a maioria dos bancos e corretoras oferece este produto, o que popularizou esta modalidade de investimento. É uma grande opção de investimento de renda fixa em substituição à caderneta de poupança. Abaixo veja as vantagens e desvantagens destes títulos.  
As vantagens das LCIs:
·         Baixo risco;
·         Rendimento líquido até 100% da taxa CDI, em média 90%; Quanto maior o valor aplicado e maior o prazo de carência, maior será o rendimento.
·         Isenção de IR para pessoas físicas. Aqui está a grande vantagem deste investimento.  
As desvantagens das LCIs:
      ·         Prazo de carência para resgate. Portanto, a liquidez não é imediata, porém você poderá vendê-las no mercado secundário, comumente com deságio.
      ·         É comum a exigência de uma aplicação mínima, o que limita a ação do pequeno investidor, todavia este valor mínimo é cada vez menor!
Desta forma, fica claro que investir em LCIs é um excelente negócio: baixo risco, bom retorno e isento de IR. Somente não se esqueça da falta de liquidez imediata (prazo de carência para resgate) e de respeitar o limite garantido pelo FGC.

Abaixo, apenas para exemplificar (não é uma recomendação do autor), veja uma oferta de LCI que recebi recentemente. Compare o rendimento com a poupança! Uma diferença significativa. Procure alternativas no seu banco ou corretora!

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Letras de Câmbio?




Apesar do nome, este pouco conhecido título de renda fixa não tem nada a ver com o dólar ou outra moeda estrangeira. É uma espécie de CDB (Certificado de Depósito Bancário), porém emitido por uma Financeira* credenciada pelo Banco Central. Desta forma, por se tratar de títulos emitidos por pequenas instituições financeiras, existe um maior risco de crédito (risco de calote). Assim, estas empresas para a captação de recursos junto à população, oferecem uma melhor remuneração. Recentemente recebi uma oferta de uma LC pagando 130% da taxa do CDI (cerca de 1% ao mês). A título de comparação um CDB de um banco tradicional remunera o pequeno investidor entre 80 e 95% do CDI (em torno de 0,7% ao mês): uma diferença bastante significativa... Contudo nem tudo é perfeito. Comumente estes títulos exigem um prazo de carência para resgate do valor aplicado, o que limita a liquidez. Outro problema: apesar da garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), até 250 mil por CPF, os aborrecimentos e contratempos burocráticos poderão ser cansativos numa eventual quebra da instituição.  Por último, há ainda a incidência do Imposto de Renda, semelhante ao que ocorre com o CDB ou Fundos de Investimentos (de 22,5% a 15%, dependendo do tempo da aplicação).

Em resumo: apesar do bom retorno oferecido, acredito que o pequeno investidor tem outras opções rentáveis, com menor risco e mais liquidez, contudo não deixa de ser uma boa modalidade de investimento, sempre respeitando o limite do FGC. No próximo texto comentarei sobre as Letras de Crédito Imobiliário, um poderoso instrumento de renda fixa. Até lá!

Mais informações sobre o mercado financeiro acesse:


*Instituição financeira que trabalha com crédito direto à população, via empréstimo direto ou através de crédito consignado, usualmente com taxas de juros abusivas.

domingo, 4 de maio de 2014



O medíocre rendimento da Caderneta de Poupança

No mês passado recebi o meu exemplar da revista Infomoney. A ilustração da capa é a mesma deste post. O tema central é “fuja da poupança”. Abaixo, leia na íntegra o texto que publiquei em março e comprove o desastre que é o atual rendimento da poupança.

Publicado em 16.03.2014
Você está satisfeito com o rendimento da caderneta de poupança? Não sei você, mas como existem mais de 100 milhões de contas de poupança no Brasil (mais de 600 bilhões de reais aplicados), acho que muita gente está “adorando” este escasso rendimento. Descontada a inflação, o saldo é praticamente nulo!

Então, porque tanta gente aplica em poupança? O motivo é só um: ignorância! Por muito tempo neste país convivemos com produtos de renda fixa que multiplicavam o nosso capital em pouco tempo, sem esforço e sem conhecimento. Desta forma, a população ficou totalmente acomodada. Todavia, o cenário mudou!

Apesar de não concordar, até entendo a aversão das pessoas em colocar seu dinheiro na bolsa de valores, pois o mercado de ações é taxado como de alto risco: menos de 0,4% da população aplica em ações (cerca de 600 mil pessoas). Entretanto, como se explica que alguns produtos mais seguros e simples, como os títulos do Tesouro Direto, tenham um desempenho ainda pior (menos de 400 mil CPFs cadastrados), mesmo oferecendo um ganho muito superior ao da poupança?

A título de comparação, um título pré-fixado (LTN) com vencimento em 2018, atualmente oferece um retorno de quase 13% ao ano. Mesmo com a incidência do imposto de renda sobre o Tesouro Direto (a poupança é isenta), o rendimento é expressivamente maior – mais de 50%!

Quem tiver interesse em conhecer um pouco mais sobre o Tesouro Direto, postei neste blog um guia prático com todas as informações necessárias. 
É preciso melhorar a educação financeira neste país, urgente!

Nas próximas semanas vou escrever sobre outras modalidades que podem substituir a poupança, com boa rentabilidade e baixo risco. Até lá!

MJR

quarta-feira, 9 de abril de 2014

IBOV – A correção mais que óbvia


Não precisava ser um expert em bolsa para prever a queda no IBOV que começou ontem... Demorou mas chegou. Aliás, tinha muito tempo que eu não presenciava uma alta vigorosa em tão pouco tempo.  O índice foi impulsionado pelas recentes pesquisas eleitorais que mostraram uma queda da popularidade da Presidente Dilma, aliado aos preços convidativos dos ativos. O rali de alta surpreendeu muita gente. Até que enfim o IBOV descolou dos mercados externos de uma maneira positiva. Bom sinal!

Então, o que esperar da Bolsa para o curto prazo?... Volatilidade, muita volatilidade. Este ano será marcado pelo sobe e desce da bolsa. Mesmo com a recente alta, ainda não houve a mudança da tendência secundária, que ainda é de baixa. Para tal é preciso uma correção de alguns dias ou poucas semanas, e depois retomar a alta com o rompimento do topo de ontem (cerca de 53.400). O mercado mostrou muita força compradora nos últimos dias e acredito que ainda tenha fôlego para buscar pelo menos os 56 mil pontos no curto prazo. Porém, os suportes imediatos (objetivos da correção) devem ser respeitados. Primeiro em 50 mil, e depois numa faixa entre 48 e 49 mil pontos. Veja o gráfico abaixo: 



Obstáculos à vista:


* Uma correção mais acentuada e persistente no mercado americano pode prejudicar o desempenho do IBOV. Por outro lado, a superação do topo histórico lá poderá estimular a bolsa aqui.

* N
o curto prazo dificilmente teremos notícias positivas em relação à Economia. Pelo contrário, o cenário ainda continua espinhoso e a inflação segue em alta, mesmo com a escalada da taxa básica de juros.
* Resultados corporativos estão prestes a serem divulgados (balanço do primeiro trimestre). Eles podem colocar lenha na fogueira: para cima ou para baixo!

* Novas pesquisas eleitorais devem dar o tom nos próximos meses.

* A
gravante: a proximidade do segundo trimestre, comumente marcado pela queda nos mercados acionários.

Assim, fica claro que devemos operar com bastante cautela. Por último, gostaria de comentar que ainda vejo grandes oportunidades no mercado acionário nacional. Muitas ações foram completamente ignoradas neste Rali. As ações que subiram de maneira vertiginosa foram as das Estatais (por pura especulação eleitoral – os fundamentos continuam ruins) e os ativos do setor financeiro, estes sim, baseados num cenário positivo. Aguardemos os próximos dias! MJR


Curiosidade!
As altas expressivas de alguns ativos foram também impulsionadas pela reversão das posições vendidas. Investidores que apostavam na queda precisaram recomprar as ações para encerrar suas posições, o que acabou inflando ainda mais os preços.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

A insanidade na Bovespa continua...


Semana passada, também numa quarta-feira, eu escrevia sobre a esquizofrenia do mercado de ações. Naquele dia, o índice atingiu no intraday uma valorização de 8% em apenas 8 pregões. De lá para cá, o IBOV subiu mais 7%, ou seja, 15% em pouco menos de 3 semanas, sem tirar o pé do acelerador. A última vez que tivemos uma alta superior a 13% em poucos dias foi em outubro de 2011 e, mesmo assim, naquela época tivemos pequenas correções laterais intermediárias.

Daí surge uma ótima pergunta: até onde iremos? Existem resistências a buscar, como 52 e 56 mil pontos. Todavia, uma coisa é certa, este movimento é insustentável no curto prazo. Qualquer ativo, para subir de maneira confiável, precisa fazer correções intermediárias. Todos!

Analise o seguinte: a ação da Petrobrás (PETR4) subiu mais de 30% nestes dias; as ações dos bancos cerca de 20%, sem contar os derivativos, com altas astronômicas. Se você tivesse este lucro exorbitante em poucos dias, o que faria?... Não sei você, mas os investidores profissionais vão realizar lucros a qualquer momento. Quando isso começar, teremos uma correção mais aguda. Quanto maior for o pico, maior será o tombo!

Alguns fatores a serem observados:


Estamos subindo em função de expectativas de pesquisas eleitorais. Não se esqueça: a eleição ocorrerá apenas em outubro. Faltam 6 meses! Até lá muita coisa vai acontecer e inúmeras pesquisas serão divulgadas.

As bolsas americanas estão em topos históricos: a superação pode impulsionar ainda mais o IBOV, entretanto, uma correção lá pode ser o combustível extra para uma queda aqui... Existe um famoso ditado americano para o mercado de ações: “sell in May and go away”. Qual o próximo mês?

Repito o que comentei na semana passada: nenhum indicador macroeconômico melhorou nos últimos dias. Os fundamentos continuam os mesmos, aliás, alguns estão piores, como a inflação. A recente alta do IBOV é alimentada por boatos e especulações (mais pesquisas indicando a queda na popularidade da “Presidenta” Dilma).


O efeito positivo na mídia: o aspecto mais preocupante! A mídia não especializada e as pessoas comuns já mostram euforia com a bolsa de valores. Este sinal é péssimo e geralmente indica fim de temporada.

Posto isso, recomendo que você continue saboreando a alta e realize lucros, mas não deixe de se preparar para a batalha mais sangrenta do ano. Ela vai chegar. É uma questão de dias ou semanas. 

MJR