Semana
passada, felizmente, houve o segundo sinal positivo do Governo Federal com a nomeação
dos Ministros da Equipe Econômica. Isso indica que a Presidente Dilma optou por
retornar para a política econômica ortodoxa, através de um controle sistemático
dos gastos públicos e da inflação, o que permitirá uma queda nos juros futuros,
o retorno da confiança do mercado financeiro e dos empresários, e, por
conseguinte, o crescimento e desenvolvimento do país.
O primeiro sinal
foi a elevação da Taxa Selic, logo após a eleição presidencial. Espera-se que nesta
quarta-feira, dia 03/12, o COPOM suba novamente a taxa básica de juros, agora
em 0,5%. Este remédio amargo se faz necessário. Ninguém consegue decretar uma
queda “forçada” na taxa básica de juros, como ocorreu de 2011 para 2013. Os efeitos
colaterais deste “decreto” foram terríveis para a economia nacional: inflação
em alta, queda do PIB, queda nos investimentos, entre outros.
Não me interessa
se o ato da Presidente foi um estelionato eleitoral, como a oposição está dizendo
(e talvez até seja) ou se foi por pressão do Ex-Presidente Lula ou por qualquer
outro motivo. O mais importante é que, com a nomeação da nova e boa equipe
econômica, poderemos sim, trilhar um novo caminho para a prosperidade. Agora, se
o trio terá ou não autonomia, para efetivar os ajustes necessários, somente o
tempo nos dirá. Todavia, com certeza, teremos um ano de 2015 muito difícil pela
frente, pois será o ano dos ajustes, o ano da plantação. A colheita está
programada para 2016, 2017 e 2018, mas a preparação da terra e a semeadura
precisam ser bem executadas.
Veja os principais
desafios para os próximos anos:
1. Ajuste fiscal severo: o Governo Federal
está gastando muito, e mal. O controle dos gastos públicos é fundamental para
erradicar os outros males.
2. Superávit primário consistente: mesmo
que de maneira gradativa, o Governo precisa economizar. O saldo final entre as receitas
e as despesas deve ser sempre positivo. Sempre.
3. Controle ferrenho da inflação: outro
objetivo primordial. A inflação anda no teto da meta (6,5%). É preciso retornar
para o centro da meta (4,5%) o mais breve possível. Assim, por enquanto, o
aumento da Taxa Selic é necessário, e o controle do crédito também.
4. Estimular a iniciativa privada: ao
executar os três primeiros ajustes, o Governo sinalizará de forma positiva ao
mercado financeiro, que a economia brasileira está no rumo correto, favorecendo
os novos investimentos e a confiança do empresariado. Todavia é preciso mais,
muito mais. As reformas trabalhista e tributária são fundamentais para melhorar
o desempenho das indústrias, aumentando a produtividade e reduzindo o custo
Brasil. O aumento dos salários nos últimos anos não foi acompanhado do aumento
da produtividade, o que é insustentável no longo prazo. Aqui, é preciso a
contribuição da sociedade organizada e do Congresso Nacional. O novo trio
sozinho não tem este poder!
5. Reduzir as intervenções do Governo Federal
na iniciativa privada, favorecendo o livre comércio. A MP 579 no setor elétrico
em 2012 foi um desastre. A quebra de regras previamente estabelecidas traz
desconfiança aos investidores.
6. Melhoria da infraestrutura: sem
investimentos, públicos ou privados, o atual estágio da infraestrutura nacional
será um grande fator limitador de um crescimento sustentável num futuro
próximo. É preciso acelerar o processo de concessão de estradas, portos,
ferrovias, aeroportos, e estimular novos investimentos no setor energético.
7. Melhorar o desempenho da balança
comercial: o déficit atual é insustentável (quase 4 bilhões de dólares em
2014). É preciso exportar mais. Um câmbio mais “justo” e o aumento da
produtividade da indústria são pré-requisitos básicos para atingir este
objetivo.
8. Manter o grau de investimento pelas
agências de rating: se o Brasil perder o chamado “grau de investimento” em 2015,
e este risco é real, se nada for feito, provavelmente teremos uma fuga maciça
de capital estrangeiro, o que será extremamente deletério para o crescimento da
nossa economia. A execução dos três primeiros itens é a ferramenta básica para
sensibilizar as agências internacionais, evitando assim o rebaixamento da nota
de crédito do Brasil.
9. Por último, é preciso voltar a crescer
de maneira sustentável. Se todos os fatores forem corrigidos, mesmo que de
maneira paulatina, poderemos voltar a crescer acima dos 3% ao ano num futuro
próximo, e melhor, de maneira sustentável. Caso isto ocorra, todos os setores
da sociedade serão beneficiados. Todos!
MJR