Há cerca de
10 dias escrevi sobre a boa remuneração dos títulos prefixados. Os juros
futuros estavam sendo negociados em níveis recordes, fazendo com que os juros dos
títulos prefixados explodissem. Naquele dia, os papéis do tesouro direto
prefixado (LTN 2021) bateram 16,30% ao ano. Comprei com muita convicção e escrevi
no blog. Desde então muito gente me questionou se é a hora de aplicar tudo em títulos
prefixados e o que eu penso sobre os títulos pós-fixados. Veja algumas ponderações
e tire suas próprias conclusões:
1 – A Taxa
Selic está em 14,25%. A ata do Copom sugere a manutenção desses juros por um
longo período. Apesar da inflação resiliente, um aumento da taxa básica de juros
pode pressionar ainda mais a recessão. Desta forma, acredito que por enquanto a
taxa Selic ficará neste patamar.
2 – Sempre é
bom lembrar que a taxa de juros somente poderá ser reduzida de forma consistente
e segura com o equilíbrio das contas públicas. Isto parece bastante longínquo,
apesar das medidas anunciadas na última sexta.
3 – A instabilidade
do mercado financeiro vai continuar, pois o cenário político e econômico ainda
é caótico, sem boas perspectivas. Assim, volatilidade é a palavra-chave do
momento.
4 – Um eventual
(e provável) rebaixamento do rating brasileiro por outras agências
internacionais pode pressionar ainda
mais o dólar e as taxas de juros futuros.
5 – A proximidade
da subida de juros no mercado americano também trará pressão aos países
emergentes, especialmente ao Brasil.
6 – Posto isto,
fica claro que os juros futuros (DI) podem e devem continuar a subir até
caminharem para uma estabilidade futura e sua posterior redução. Assim, uma boa
parcela dos nossos investimentos deve continuar vinculada aos juros pós-fixados
(Fundos DI e Tesouro Selic). Uma postura conservadora e inteligente para uma Tempestade Perfeita. Em contrapartida,
em virtude da volatilidade e das altas taxas de juros pagos acredito que também
devemos nos posicionar nos títulos prefixados, garantindo uma remuneração
extraordinária para os próximos cinco anos.
7 – Compre apenas
o montante que você vai manter aplicado durante todo este período. Resgates
antecipados podem gerar prejuízos em virtude do deságio. Porém, se você mantiver
os títulos até o vencimento, a taxa de retorno é garantida e sem risco, ou
melhor, apenas com o risco soberano (o mais baixo no mercado financeiro).
8 – Faça a migração
gradual dos títulos pós-fixados para os prefixados. Aproveite os períodos de
picos de alta da taxa de juros e compre mais prefixados.
9 – Nos
últimos 10 dias os juros futuros desabaram. De lá para cá, a taxa de juros do
tesouro prefixado (LTN 2021) caiu de 16,30 para 15,26%. Uma volatilidade
estrondosa para um título de renda fixa. Mas o cenário é este e temos que nos
acostumar. Eu até poderia vender meus títulos comprados naquele dia e obter um ágio
de quase 6% (veja abaixo). Nada mal para apenas 10 dias. Mas não estou pensando no curto
prazo. Quero garantir os juros atuais por um bom período e dobrar meu capital em
apenas cinco anos. Este é o meu objetivo (e deveria ser o seu).


10 – Por último,
fica a minha mensagem. Devemos aproveitar as “lambanças” contínuas do Governo
do PT para garantir uma boa remuneração futura. Não sinto culpa alguma. Nunca
votei nesta turma. Gostaria de estar aplicando meu dinheiro em renda variável,
na bolsa de valores. Investindo no crescimento das empresas e das pessoas. Gerando
empregos e maior renda para a população, mas as peripécias e a incompetência dos
últimos anos nos custaram muito caro. Porém, agora, cada um com seus problemas.
Aproveitem a volatilidade dos títulos de renda fixa.
MJR
* As opiniões postadas no blog são apenas posições do autor sobre o tema, e não constituem em si, recomendações de compra ou venda de ativos.