domingo, 5 de maio de 2024

Começou o rally na Bovespa?




Atualização IBOV e S&P 500 - Maio 2024

No mês de abril o IBOV caiu discretamente. Todavia, desde a mínima de abril em 123.300 pontos, no dia 18/04, o índice brasileiro subiu mais de 4%, especialmente nos últimos pregões, e fechou a semana anterior em 128.508 pontos. A novidade nesse movimento é que dessa vez a alta veio com bom volume financeiro denotando maior credibilidade ao movimento.

Na última sexta-feira, 3 de maio, o IBOV fechou em cima da linha de tendência de baixa (LTB), que já foi tocada algumas vezes e derrubou o mercado em outros momentos.

Se o índice conseguir superar a LTB e o topo anterior em 130 mil pontos, o mesmo poderá voltar para uma tendência de alta mais significativa e alcançar voos mais altos, inclusive com chance real de superar o topo histórico (134 mil pontos).

Nos meus estudos de análise gráfica tenho uma expectativa de alta do IBOV até os 148 mil pontos num próximo eventual rally – projeção de Fibonacci pelo gráfico semanal.

O IBOV ainda cai mais de 4% no ano e carece de um melhor desempenho, notadamente quando comparamos com a performance das bolsas americanas.

Segundos vários analistas, pelos fundamentos a bolsa brasileira está barata e poderá andar muito mais, especialmente se os gringos voltarem para B3 e os juros de 10 anos americanos cederem mais (nos últimos pregões eles caíram de 4,70 para 4,5% ao ano).

Os dados divulgados pela B3 têm um “delay” de alguns dias, mas acredito que o atual movimento de alta tem o “dedo” dos estrangeiros. Aguardemos os dados da próxima semana.

Lá fora após a forte correção das bolsas americanas em abril, já observamos algum movimento de alta nos últimos dias, que pode ser um mero repique de alta numa tendência de baixa instalada ou a volta da tendência de alta.

O analista Marynk Martins da Icap vem escrevendo há algum tempo que ele espera por uma outperfomance da bolsa brasileira em relação aos pares americanos, ou seja, para ele o IBOV deverá ter um melhor desempenho em 2024.

Comento ainda que a alta da semana passada no IBOV foi balizada pelo discurso mais brando do presidente do FED na última quarta-feira e dos dados mais fracos do payroll americano (criação de empregos abaixo do previsto), aspectos que favorecem o começo do corte de juros americanos ainda em 2024.

Nessa semana teremos a reunião do Copom por aqui. Acredito que o BC cortará 50 pontos na taxa básica de juros, como previsto na última reunião, e taxa básica anual passará para 10,25%. Os dados da economia americana nessa semana e os últimos dados de inflação no Brasil favorecem essa queda. Uma eventual menor redução da Selic por parte do BC, 25 pontos-base, poderá ser mal recebida pelo mercado, haja vista que os juros reais no Brasil estão altos, acima de 6% ao ano.

Assim, fique de olho também nas NTNBs Longas, pois os prêmios atuais são muito interessantes (IPCA + juros acima de 6% ao ano), e me parece que os juros futuros fizeram um topo no curto prazo.

Bons investimentos!

MJR

*Disclaimer: esse texto tem apenas um caráter educativo e não é uma recomendação de investimentos. E mais. Investimentos em renda variável podem gerar prejuízos.

segunda-feira, 8 de abril de 2024

2024, o ano que ano não começou!



IBOV atualização – Abril 2024.

Já estamos no segundo trimestre do ano e, até aqui, o IBOV segue largado – queda de cerca de 4% no ano, enquanto as bolsas americanas seguem batendo sucessivos recordes.

Nos últimos três meses até que tentamos algumas vezes engrenar uma alta mais relevante, mas foram meros voos de galinha.

No dia de hoje o índice tenta de novo, alta de 1,5%, mas sem volume financeiro.

Agora vai? Não tenho a menor ideia. Aguardemos.

Estamos travados entre os patamares de 126 e 134 mil pontos. Enquanto o índice não romper esses limites, um movimento mais amplo não acontecerá.

Do ponto de vista fundamentalista, seguimos baratos, mas longe dos holofotes dos gringos. Eles já retiraram 25 bilhões da B3 em 2024.

Existem algumas razões para essa apatia do IBOV, mas sem dúvida, a principal é a disparada dos juros de 10 anos nos EUA.

Após o topo de outubro de 2023, em mais de 5% ao ano, os juros cederam e negociaram por volta de 3,7% ao ano. Porém, em 2024, voltaram a subir e hoje negociam acima dos 4,40%.

Já comentei várias vezes por aqui que os juros de 10 anos nos EUA balizam quase todos os ativos no mundo, especialmente nos mercados emergentes.

Enquanto o FED não sinalizar a queda de juros de maneira convicta e objetiva, os juros futuros continuarão pressionados e o IBOV travado.

A economia americana continua forte e a inflação por lá está mais resiliente do que o esperado. Portanto, o cenário ainda é incerto para o FED iniciar a flexibilização dos juros.

Atualmente o mercado prevê o início do corte de juros para a reunião do FED de junho ou julho, com dois ou três cortes de 25 pontos-base em 2024, o que levaria a taxa de juros americana para menos de 5,0% ao ano – atualmente em 5,25 - 5,5%.

Nessa quarta, 10/04, teremos a divulgação do CPI nos EUA. E isso poderá fazer preço. Fique atento.

Por aqui também teremos a divulgação do IPCA. E um bom número poderá mitigar os ruídos políticos e impulsionar o IBOV.

Apesar do atual cenário ainda muito moroso, ainda acredito na valorização dos ativos brasileiros em 2024, especialmente "bolsa" e NTNBs longas. Obviamente existem riscos: piora dos mercados internacionais, maior resiliência inflacionária e agravamento do risco fiscal brasileiro, dentre outros.

Assim, é preciso ter paciência e aproveitar as “generosidades” do mercado: no dia de hoje, por exemplo, as NTNBs com vencimento em 2045 bateram IPCA + 6%.

Aproveite com moderação!

MJR

*Disclaimer: esse texto tem apenas um caráter educativo e não é uma recomendação de investimentos. E mais. Investimentos em renda variável podem gerar prejuízos.

terça-feira, 5 de março de 2024

À espera do Fluxo - IBOV



 IBOV e Bolsas Americanas – Atualização Março 2024

Enquanto as bolsas americanas bateram novos recordes em fevereiro, com quatro meses seguidos de alta, o IBOV andou de lado no mês – melhor do que a queda de 5% em janeiro. Os estrangeiros continuam retirando dinheiro da B3.

O susto do repique da inflação em janeiro nos EUA continua dominando o cenário internacional: e inflação resiliente prediz juros altos por mais tempo.

E por lá, as grandes empresas de tecnologia e inteligência artificial continuam dominando as altas. A Nvidia, destaque de alta nos últimos 14 meses, atingiu 2 trilhões de dólares em valor de mercado. Algo inimaginável num passado recente.

Nos níveis atuais, vários analistas consideram os índices americanos “caros”, mas quase ninguém recomenda a posição “short” (venda). Assim, o melhor a fazer, em minha opinião, é reduzir um pouco a exposição em bolsa americana e fortalecer o caixa em dólares. “Lucro bom é no bolso”.

Outros ativos que continuam voando são as criptomoedas. O Bitcoin bateu 67 mil dólares, e está próximo do seu topo histórico. Para onde ele vai? Não faço ideia, mas eu recentemente reduzi minha exposição via ETF. Não dá para ficar de fora, mas é melhor colocar um pouco do lucro no bolso.

Investimento em renda fixa nos EUA também é uma boa ideia – mais de 5% ao ano, em dólares. A discussão atual é quando os juros vão cair e, não, se vão cair. Assim, vale a pena o risco de alocação agora.

Além da saída dos estrangeiros da B3 (janeiro e fevereiro), os investidores locais continuam “represados” na renda fixa e fora da bolsa brasileira. Segundo o analista Marink Martins o agregado monetário M2 (dinheiro alocado em renda fixa) continua em níveis muito altos. O M2 precisa virar M1 (grosso modo, dinheiro em circulação + ativos com liquidez imediata) para a B3 tentar “abocanhar” um pouco dessa montanha de dinheiro.

Importante salientar que os fundos locais continuam com exposição muito baixa às ações brasileiras. Fruto da avalanche de resgates em 2022 e 2023, e como comentado, parados no M2.

Desta forma, para quem gosta de bolsa como eu, não resta outra opção a não ser ficar posicionado e esperar. Uma hora a maré muda!!

Segundo vários estudos a bolsa brasileira continua barata e com muito desconto em relação às bolsas americanas. Todavia, sem fluxo, ela não andará.

Então, por que ficar posicionado desde já? Como sempre comenta o gestor da Encore, João Luis Braga, a bolsa se movimenta em degraus. Exemplo. Subiu forte em novembro e dezembro (20%), caiu nos dois meses (5%), e a qualquer hora dará uma “porrada” para cima de novo. Quando? Ninguém sabe.

O cenário macroeconômico no Brasil continua muito interessante: PIB surpreendendo positivamente para cima (2,9% em 2023), inflação perto da meta, desemprego em queda, aumento da massa salarial, melhora da confiança na economia, etc. Só falta o juro real (Selic menos IPCA) cair de maneira mais significativa. Mas isso já está “contratado” com a continuidade da queda da Selic para 2024.

Triggers para o IBOV subir:

  • Quando o FED sinalizar efetivamente o início da queda de juros (atualmente em 5,25 – 5,50% ao ano) e o mercado “derrubar” a taxa de juros de 10 anos – nesse momento em cerca de 4,2% ao ano. Com isso o dólar ficaria mais fraco e tal cenário favorece os países emergentes. E sem dúvida, o Brasil é a bola da vez (quase que por W.O.).
  • Volta dos estrangeiros para a B3. E também dos investidores locais
  • Caso o BC do Brasil acelere o corte da Selic nas próximas reuniões.

Riscos da tese do Bull Market:

  • Uma eventual correção forte nas bolsas americanas. Curiosamente, em vários pregões de 2024, houve uma correlação inversa entre as bolsas americanas e a brasileira. Contudo, acho difícil o IBOV sair ileso numa correção mais aguda nos EUA.
  • Novas surpresas negativas vindas da China.
  • Piora dos conflitos geopolíticos
  • Cenário político-econômico no Brasil. Sempre um risco!

Por último, gostaria de comentar que as empresas brasileiras, em média, deverão ter um aumento de lucros em 2024 na ordem de 20% em relação ao ano passado, segundo alguns analistas. Mais lucros, mais valorização das empresas. E menos juros, melhor será o resultado financeiro das empresas listadas (custo da dívida).

Assim, não há outro caminho: posicionamento já, diversificação, paciência e resiliência.

Bons investimentos.

MJR

*Disclaimer: esse texto tem apenas um caráter educativo e não é uma recomendação de investimentos. E mais. Investimentos em renda variável podem gerar prejuízos.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

A volta do Bull Market no Brasil?

 



IBOV e S&P – atualização 9 de fevereiro 2024

Enquanto nos EUA o rally de alta das bolsas de valores, iniciado em outubro de 2023, continua firme e forte, a bolsa brasileira perdeu força em 2024, e amarga mais de 5% de queda desde o topo em 134 mil pontos no final de 2023.

Mais uma vez temos um descolamento (decoupling) entre as bolsas em desfavor para o IBOV. E isso já virou rotina após a crise de 2008. Até quando?

O gestor Rogério Xavier da SPX, em evento dessa semana no BTG, colocou que o principal trigger para o melhor desempenho dos países emergentes virá quando o FED sinalizar diretamente o corte de juros nos EUA – atualmente em 5,25 – 5,50%.

O mercado tinha uma expectativa que o FED Pivot já viria em março, mas pelo jeito ficou mesmo para o segundo trimestre de 2024. A confirmar. E esse, talvez, é um dos principais motivos do atual decoupling entre as bolsas americanas e brasileira.

Todavia, a provável queda de juros nos EUA em 2024 – a inflação americana está próxima da meta de 2% ao ano – e a continuidade da queda da taxa de juros no Brasil vão favorecer o mercado brasileiro. A Selic terminal deverá cair para menos de 9% ao ano em 2024, e ainda não foi precificada pelo mercado.

O Brasil continua barato demais no conceito de vários analistas que acompanham, mesmo com o IBOV próximo de suas máximas – atualmente em 128 mil pontos. A notícia de fechamento de capital da Cielo nessa semana (OPA) é uma prova cabal disso: as ações da Cielo estão muita barata aos olhos de seus controladores – Bradesco e Banco do Brasil.

Outro ponto positivo para o mercado de ações: as novas regras do Conselho Monetário nacional (CMN) para novas emissões de títulos isentos de renda fixa (CRIs, CRAs, LCAs, LCIs, etc.) devem limitar a oferta desses títulos e favorecer a migração do dinheiro para a renda variável. É uma questão de tempo. Além do que, títulos emitidos no passado e com altas taxas de juros vencerão em breve, e provavelmente o investidor optará por outros produtos financeiros.

Curiosamente, mesmo com a queda da Selic, iniciada em agosto passado, a captação de recursos dos fundos de investimentos locais, multimercados e ações, continua escassa. Seguem os saques nesses fundos, o que pressiona mais ainda os ativos locais negociados na B3. Todavia, essa dinâmica está possivelmente perto do fim.

A China continua uma “caixinha de surpresas”, e como dependemos muito dela (nosso principal parceiro comercial do Brasil), ela poderá nos favorecer ou não ao longo de 2024.

E o fluxo gringo? A alta no IBOV observada de outubro a dezembro de 2023 foi impulsionada pelo alto fluxo estrangeiro na B3. Bastou o fluxo minguar em janeiro para o índice brasileiro corrigir.

Quando o fluxo voltará? Impossível saber. Mas ele voltará, é uma questão de tempo. Ciclos são ciclos, como diria Howard Marks.

Na última terça-feira, 06/02, o IBOV disparou mais de 2% e com alto volume financeiro, em sentido contrário ao movimento ocorrido em Wall Street naquele dia. Acredito que seja o primeiro sinal para a retomada do Bull Market no IBOV. Numa próxima pernada de alta o IBOV poderá atingir mais de 150 mil pontos. Será?

Acredito que o feriado de Carnaval limitou o ímpeto dos investidores. Quase ninguém quer ficar posicionado durante o feriado local, haja vista que as bolsas lá fora funcionarão normalmente. Mesmo porque nos últimos anos, desde 2020, a volta do carnaval foi muito ruim para o IBOV.

Posto tudo isto, acho que, apesar do curto prazo ainda muito incerto, teremos um ótimo ano para o IBOV, só não sabemos quando a nova onda compradora começará.  E como quase sempre esses movimentos de alta são rápidos e concentrados em poucas semanas, é melhor o investidor ficar posicionado e aguardar. Sempre com muita cautela, paciência e diversificação.

E os riscos para o Bull Market brasileiro? Cito os três mais relevantes:

Uma correção mais aguda nos mercados americanos deverá nos afetar, mesmo que momentaneamente. Lá, as bolsas estão muito esticadas (o S&P superou os 5 mil pontos nessa última semana e acumula uma alta de mais de 20% desde outubro de 2023, e muita concentrada nas ações das Big Techs). Essa correção virá em algum momento. Ciclos.

Um agravamento das crises geopolíticas vigentes no mundo. Um tema imprevisível e repleto de consequências inesperadas.

Uma piora do cenário político local. Essa variável sempre nos incomodou, sempre nos incomoda, e sempre nos incomodará. Brasil é Brasil, e pronto!

Bom feriado e todos.

MJR

*Disclaimer: esse texto tem apenas um caráter educativo e não é uma recomendação de investimentos. E mais. Investimentos em renda variável podem gerar prejuízos.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

IBOV e Mercado Americano – Atualização 5 de Janeiro 2024



Caros leitores,

Vou dividir esse post em dois temas. No primeiro vou comentar sobre o curto prazo (mês de janeiro). Depois escrevo sobre a minha expectativa para os ativos de renda variável para o ano de 2024. Vamos lá.

Janeiro

Quem me acompanha sabia que uma correção nos mercados mundo afora era iminente e ela veio nos primeiros dias de 2024. Tudo dentro da normalidade. “Árvores não crescem até o céu”, como dizem por aí.

Então, já corrigimos o suficiente? Na minha opinião, não.

Por exemplo, o IBOV subiu de outubro a dezembro de 2023 cerca de 20%: máxima em torno de 134 mil pontos. Até aqui, corrigiu apenas 2%. Muito pouco.

No ano de 2023 as correções mais agudas do IBOV derrubaram o índice entre 7 e 15%, e duraram cerca de 2 a 3 meses (apenas a primeira semana de correção).

Importante: dentro de uma correção mais longa, em qualquer ativo, existirão dias ou semanas aonde o mercado vai subir, por vezes, de maneira intensa.

O “ideal” seria um recuo do IBOV até os 120 a 125 mil pontos. Lembrando que o ideal no mercado financeiro é quase sempre inexistente.

Assim, não sei se isso vai acontecer. No momento em que eu escrevo o IBOV testa, como suporte, o antigo topo histórico em 131 mil pontos, rompido em dezembro de 2023.

Como escrevi no últimos post, eu tinha reduzido as minhas posições compradas e aumentado meu caixa. Além disso, me posicionei no mercado futuro (minicontratos) para a proteção parcial da carteira.

Recentemente, em raros ativos tenho aumentado a posição comprada, aos poucos, especialmente para aqueles que já corrigiram mais intensamente.

No mais, vou esperar uma correção mais aguda para a recompra dos ativos parcialmente vendidos em dezembro e analisar novas oportunidades.

E as bolsas americanas?

É a mesma situação de curto prazo do IBOV. Espero por uma correção mais duradoura e intensa (5 a 10%).

O dólar frente ao real, no curto prazo, continua sem muito ímpeto para subir. Eu achava que poderíamos ter um dólar mais forte no curto prazo, mas essa premissa não aconteceu, e pelo jeito não acontecerá. A ver.

E a renda fixa no Brasil?

Para quem não tem em carteira, talvez o melhor a fazer é aguardar algum estresse futuro nos juros futuros (alta das taxas) para a compra desses títulos, pois, nos preços atuais, me parece que o bom prognóstico traçado pelo mercado já está no preço.

Ano 2024

Já para o ano de 2024 tenho uma visão bem mais otimista. E por que?

No Brasil a Selic continuará em queda, a inflação seguirá “domada”, a princípio, a atividade econômica permanecerá em bons níveis e, por enquanto, o risco fiscal está mitigado. Por enquanto. O Brasil não é para amadores!

Assim, é bolsa para cima e dólar para baixo. Sempre com muita cautela, especialmente na cotação da moeda americana. Não recomendo a venda de dólares (melhor ficar neutro). Fique muito atento a taxa de juros reais – atratividade dos gringos para o carry trade – e o risco fiscal brasileiro: maior risco indica um dólar mais forte.

E mais, estou muito otimista para o desempenho das ações cíclicas domésticas que se beneficiam de um cenário com juros mais baixos: varejo, shoppings, construção civil, etc.

No mercado americano estou mais otimista com a renda fixa, em virtude do provável FED Pivot (queda de juros), e cauteloso em relação ao mercado de ações. Explico melhor.

A renda fixa será beneficiada com o corte de juros. Ponto pacífico.

Já as bolsas americanas estão próximas das máximas e vem subindo de maneira consistente desde a crise de 2008. No início da pandemia (2020) houve um estresse agudo e intenso, mas rapidamente recuperado.

Curiosamente, existem vários estudos mostrando que as bolsas americanas têm um estresse momentâneo no início (ou um pouco antes) do começo do corte da taxa de juros pelo FED. Assim, num primeiro momento as bolsas caem por alguns meses, e depois sobem por anos, de maneira consistente.

Acho que a famosa estratégia lá fora de 60/40 poderá funcionar bem no ano de 2024, isto é, 60% em renda fixa e 40% em renda variável.

Mas é preciso fazer uma boa seleção dos ativos. Alguns ativos estão muito esticados.

O dólar no mundo tende a se enfraquecer frente às principais moedas, em virtude do FED Pivot. Esse seria o caminho natural.

Para finalizar, é possível que tenhamos muita volatilidade no mercado americano em razão do ano eleitoral. E isso afeta praticamente todos os mercados.

Fique tento e aproveite as oportunidades – exageros do mercado, tanto no otimismo, quanto no pessimismo.

Um ótimo Ano Novo para todos. Muita saúde, alegria e paz!

MJR

*Disclaimer: esse texto tem apenas um caráter educativo e não é uma recomendação de investimentos. E mais. Investimentos em renda variável podem gerar prejuízos.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

IBOV e bolsas americanas – Atualização 15/12/2023


 IBOV e bolsas americanas – Atualização 15/12/2023

Os mercados acionários mundo afora "bombaram" em novembro e na primeira metade de dezembro. Uma valorização exponencial.

Daí fica o grande ensinamento e o motivo pelo qual o investidor não pode ficar totalmente fora da bolsa de valores. As vezes, algumas semanas fazem toda a diferença no desempenho anual do portfólio.

Na Europa a maioria dos principais índices está nas máximas ou perto delas.

O IBOV e o Dow Jones fizeram novas máximas históricas nessa semana – 131.661 e 37.347 pontos, respectivamente.

O S&P está quase lá. Já a Nasdaq (bolsa americana das empresas de tecnologia) ainda está a 10% de sua máxima histórica. Importante salientar que a Nasdaq foi a bolsa americana que mais subiu na pandemia e que, possivelmente por isso, não renovou a máxima histórica.

O motivo de tanta euforia é a drástica redução dos juros futuros de 10 anos nos EUA. Se, em outubro passado, a taxa ultrapassou os 5% ao ano, agora está abaixo dos 4% (3,90%). E isso faz toda diferença, tanto no rerating das empresas (cálculo do valor das ações pelo fluxo de caixa descontado) como na redução do custo de capital, especialmente para as empresas mais alavancadas (endividadas) e para aquelas empresas com maior potencial de crescimento (menor taxa de juros nos financiamentos).

E mais. Na última quarta-feira o presidente do FED animou ainda mais os investidores com um discurso mais dovish (suave) e com um possível corte de juros na FED Funds Rate já em 2024.

No Brasil a Selic continua em queda (atualmente em 11,75% ao ano), a inflação controlada (abaixo do 5% ao ano) e o PIB superando as expectativas do mercado. O que preocupa os investidores é a situação fiscal do país e o clima político, apesar do avanço de algumas reformas em 2023. Todavia, esses fatores não afetaram o desempenho da bolsa brasileira nesse último trimestre.

A sazonalidade (fim de ano) também traz bons ventos para os ativos de risco. Mas, fique atento, pois nessa última sexta-feira (15) aconteceu o vencimento de contratos futuros do S&P nos EUA e de opções no Brasil, e isso pode afetar a dinâmica dos mercados.

Mas será que as bolsas não foram longe demais nesse último movimento? E será que não foi rápido demais?

Na minha opinião sim.

Apesar da ótima perspectiva que tenho para o IBOV em 2024, uma correção se faz necessária.

Acho que por estarmos no fim do ano, ela possivelmente não virá agora (é possível que subamos para um pouco nos últimos dias do ano), mas deverá ocorrer em algum momento do começo de 2024.

O que fazer nesse restinho de ano?

Primeiramente, curta o Natal e as festas de final de ano com os familiares, amigos e colegas de trabalho. É tempo de alegria e confraternização.

Do lado financeiro aproveite o bom momento, mas não deixe de realizar parcialmente seus lucros, em especial naquelas empresas que mais subiram.

Fortaleça seu caixa em ativos pós-fixados e com liquidez imediata. Oportunidades poderão surgir no futuro.

Não deixe a euforia tomar conta de você. Aproveite o bom momento, mas com moderação.

Por último, onde investir em 2024, Brasil x EUA?

Acho que dessa vez o IBOV poderá ter um desempenho relativo melhor, como acredita o analista da ICAP, Marink Martins, que sempre nos mostra isso nos seus textos contendo muita fundamentação e informação.

Eu vou continuar investindo nos dois países, mas concordo que o potencial da bolsa brasileira é maior para os próximos 12 meses e, por isso, vou priorizar “um pouco” os ativos locais.

Todavia, no campo da renda fixa, talvez lá tenhamos as melhores oportunidades (para aproveitar o provável FED Pivot).

No Brasil já tivemos um ótimo desempenho dos títulos de renda em 2023.

Assim diversifique sua carteira. Esse é o maior melhor conselho.

Bons investimentos e Boas Festas!

MJR

*Disclaimer: esse texto tem apenas um caráter educativo e não é uma recomendação de investimentos. E mais. Investimentos em renda variável podem gerar prejuízos.



quinta-feira, 23 de novembro de 2023

Thanksgiving – IBOV e EUA: Atualização 23/11/2023



Do meu último post para cá, 23 de novembro, as bolsas americanas e a brasileira dispararam: alta de 7% a 10% nos EUA e cerca de 12% por aqui, só no mês de novembro, que nem terminou.

Impressionante.

Comentei no último post que a virada do mês de outubro para novembro já mostrava bons agouros para os ativos de risco, por aqui e lá.

O motivo principal do otimismo era a queda na taxa de juros de 10 anos nos EUA que tinha começado a recuar, após superar os 5% ao ano. Lembrando que essa taxa baliza praticamente todos os ativos de risco no mundo, tanto em renda fixa, como em renda variável.

Assim, eu esperava por alta em novembro, mas confesso que a magnitude do movimento me surpreendeu. E muito!

Outros dados publicados no decorrer do mês de novembro mostraram que a economia americana não estava tão forte como parecia. A súbita de juros nos EUA, iniciada em 2022, dessa vez, teve um efeito mais tardio do que o habitual, e o landing foi postergado para 2024.

Desta forma, é possível que o FED não suba mais a taxa de juros à vista (5,25 - 5,5% ao ano), e é possível que os juros possam ceder em 2024. 

Posto isto, a boa sazonalidade me permite sugerir que o movimento de alta continuará em dezembro, apesar do estado "sobrecomprado".

Uma correção por alguns dias seria muito interessante para os ativos de risco ganharem fôlego e atingirem novos highs, mas não sei se ela ocorrerá ainda em 2023.

Então, o que fazer? (que não são recomendações, apenas opiniões)

Mantenha as posições compradas em bolsa, mas realize parcialmente seus lucros nos ativos que mais subiram.

Fortaleça o caixa. Boas oportunidades podem surgir em eventuais correções.

O mês de novembro tem gerado boas oportunidades no Tesouro Direto, especialmente nos títulos mais longos e vinculados à inflação.

Se você dominar um pouco mais o mercado, compre alguns seguros no mercado de opções (puts) e no mercado futuro (venda de minicontratos), mas sem exageros, pois a tendência atual é de forte alta. É apenas uma proteção para a carteira.

Não aposte puramente na venda! Operar contra a tendência não é boa ideia.

E para 2024?

Lá, é outra conversa.

Aproveite o feriado do Thanksgiving nos EUA e agradeça suas conquistas no ano e a “boa safra” de novembro.

E não exagere na Black Friday, guarde seu suado dinheiro para fazer novos mais investimentos.

Não troque ativos por passivos. Faça o contrário!

Bons investimentos.

MJR

*Disclaimer: esse texto tem apenas um caráter educativo e não é uma recomendação de investimentos. E mais. Investimentos em renda variável podem gerar prejuízos.

quinta-feira, 19 de outubro de 2023

Ativos de risco no Brasil continuam caindo

 


Ativos de risco no Brasil continuam caindo

Update - 19 outubro de 2023

Não bastasse todos os problemas do mundo, surgiu mais uma guerra.

Além do caos humanitário no oriente médio (situação muito deprimente e lamentável), o medo da disparada do petróleo em âmbito mundial pressiona ainda mais os juros americanos de 10 e 30 anos – cerca de 5% ao ano (maior patamar em mais de 15 anos).

O raciocínio é simples: o processo inflacionário em curso no pós-pandemia poderá recrudescer com mais vigor, caso o petróleo dispare ainda mais.

O combustível fóssil interfere diretamente nas mais variadas cadeias produtivas mundiais e também no dia a dia das pessoas. Basta você frequentar um posto de combustível para comprovar o efeito colateral.

Como comentei em posts anteriores, enquanto os juros americanos não cederem ou, pelo menos, se acomodarem, os ativos de risco vão continuar sofrendo.

Grosso modo, os juros futuros nos EUA impactam em praticamente todas as taxas de juros dos países mundo afora. A referência dos juros nos EUA é para o mundo, igual a taxa Selic é para os demais ativos financeiros no Brasil.

Por aqui, as notícias econômicas são mais animadoras: inflação mais comportada, PIB de 3% no ano de 2023 e a Selic em tendência de queda (se os juros americanos colaborarem). O cenário político e fiscal, menos animador, segue no radar, mas por enquanto em segundo plano.

Todavia, no momento, o cenário externo é mais preponderante. E o menor fluxo de dinheiro pressiona ainda mais as ações negociadas na bolsa de valores.

Exceto, as petrolíferas nacionais, com destaque para a Petrobrás e a Petrorio, quase tudo na B3 tem caído, e como muito vigor, especialmente as Small caps e as ações de varejo.

Literalmente grande parte das ações brasileiras estão numa grande liquidação, mas por enquanto, os “clientes” não querem comprar durante essa “tempestade perfeita” de curto prazo. Até quando? Ninguém sabe.

As pessoas físicas ainda estão embriagadas com o alto rendimento da renda fixa e seguem longe da B3. Os fundos de investimentos locais continuam sob a sangria dos saques diários (mais saques, mais venda de ativos pelos fundos, mesmo a preços irrisórios, e mais pressão vendedora na B3) e os estrangeiros ainda aguardam um cenário melhor para um retorno mais vigoroso ao Brasil.

Dessa forma, só nos resta esperar. O curto prazo está muito desafiador. Mas para aqueles que têm paciência e apetite por risco em momentos de pânico, um horizonte maior para seus investimentos poderá ser muito recompensador.

Lembrando que quase sempre, as descompressões nos preços das ações são poderosas e rápidas: altas vigorosas num curto período de tempo. Por isso, não é recomendável esperar por dias melhores para começar a montagem de uma carteira mais arriscada. Obviamente, é preciso respeitar o perfil de risco de cada um.

Um detalhe importante: a sazonalidade atual é favorável. Historicamente, o último trimestre de cada ano, em geral, é muito bom para as bolsas de valores.

E por último. Também vejo oportunidades em renda fixa. Exemplo: títulos vinculados à inflação (com ganho real) estão pagando IPCA + quase 6% ao ano. Uma bela pedida para aqueles que têm sangue frio e não ficam preocupados com a marcação a mercado de curto prazo – a propósito nos EUA, títulos semelhantes (os Tips) estão pagando inflação + 2,5%. Maior patamar de retorno em anos.

Aproveite com moderação!

MJR

quarta-feira, 4 de outubro de 2023

 



Juros futuros nos EUA “sangram” os ativos mundo afora!

Atualização mensal – 04 de outubro de 2023

Malgrado a FED Funds Rate ter ficado estável (5,25 – 5,50%), os juros futuros americanos de 10 e 30 anos dispararam no mês de setembro. Por exemplo, a taxa de 10 anos subiu cerca de 80 pontos-base e se aproximou dos 5,0% ao ano – algo inacreditável para os “juros-zero” pós-pandemia.

A dinâmica dos juros futuros de 10 anos nos EUA afeta diretamente todos os ativos no mundo, tanto os de renda fixa como os de renda variável.

Quase tudo caiu em setembro: ouro, renda fixa no Brasil e nos EUA, bolsas americanas e brasileira, dentre outros. Se salvaram apenas os títulos de curto prazo nos EUA (Bills) e o CDI no Brasil (pós-fixados).

O dólar index também disparou – mais juros nos EUA, mais força do dólar americano frente a outras moedas – e por aqui o dólar ganhou muita força contra o real (atualmente cotado em 5,13)

Para piorar o cenário desolador, o barril do petróleo seguiu em forte alta (questões geopolítica e de oferta e demanda), pressionando ainda mais as expectativas inflacionárias – mais inflação, mais juros.

Posto isto, enquanto os juros futuros americanos não se acomodarem ou recuarem, os ativos mundo afora vão continuar sofrendo.

E mais. A forte alta de juros nos EUA, em breve, poderá quebrar algum setor da economia americana. Talvez, uma questão de tempo. Daí o tal do “hard landing” poderá ser instalado e a recessão aterrissar na América.

As bolsas americanas cederam razoavelmente nos últimos três meses e atingiram suportes interessantes. E é óbvio que podem cair ainda mais, mas nesses níveis, alguns ativos já estão interessantes – várias casas de análise apontando nessa direção.

O problema é nadar contra a maré em mar extremamente revolto. Sempre é muito difícil montar posições nesse cenário. Mas, é justamente nas crises agudas, que temos as melhores oportunidades.

No Brasil o cenário é muito semelhante, porém com a cereja do bolo: o fluxo estrangeiro continua muito ruim para a B3, afetando ainda mais a cotação dos ativos brasileiros.

O IBOV já recuou mais de 10 mil pontos em relação ao topo de julho (de 123 para 113 mil pontos). E vários ativos, inclusive alguns de alta qualidade, caíram fortemente nos últimos meses.

Os títulos prefixados e os indexados à inflação também voltaram a ceder e, atualmente, oferecem taxas de juros próximas aos picos desse ano (por exemplo, título IPCA Inflação, vencimento 2045, pagando IPCA + 5,96% ao ano). Lembrando que nesse período a Taxa Selic caiu de 13,75% para 12,75%, e possivelmente cairá mais 100 pontos-base ainda em 2023.

Para os menos habituados ao tema, os juros à vista (Selic) são determinados pelo Banco Central e os juros futuros são negociados livremente na B3 e sofrem influência de vários fatores, incluindo a expectativa inflacionária, a situação fiscal do governo federal e os famigerados juros de 10 anos nos EUA.   

O que fazer? Por enquanto, é preciso ter muita paciência e manter os planos de longo prazo numa carteira diversificada. Para quem tem estômago forte e fôlego (caixa disponível), aproveitar o momento atual para reforçar as posições seria um movimento muito interessante.

Obviamente, sem exageros, pois ainda não temos uma luz no fim do túnel, e o que está barato poderá ficar ainda mais barato. Palpite: a luz está próxima de ser avistada!

É justamente nesses momentos de total aversão aos ativos de risco, que temos as grandes oportunidades no mercado financeiro, tanto em renda fixa, como em renda variável. Aqui, e nos EUA.

Seja resiliente e convicto nas suas decisões. Dias melhores virão.

Por último, uma dica simples: fique longe de ativos problemáticos e empresas endividadas. Compre bons ativos e pagando barato. É tempo de barganhas!

Bons investimentos!

*Para conferir todos os posts recentes do autor, acesse o site: www.investircadavezmelhor.com.br

MJR

*Disclaimer: esse texto tem apenas um caráter educativo e não é uma recomendação de investimentos. E mais. Investimentos em renda variável podem gerar prejuízos.



sexta-feira, 2 de junho de 2023

A taxa Selic vai cair - Update!

 



Fechamento do mês de junho 2023

Em meados de março desse ano publiquei um vídeo: a Taxa Selic vai cair!

Naquela época a queda da Selic não era consenso entre os analistas e gestores.

Todavia, o mercado começou a reduzir os juros futuros, aspecto que ficou muito claro no desempenho dos títulos do Tesouro Direto e também na valorização dos fundos imobiliários.

O IBOV demorou um pouco mais a reagir e fez fundo apenas na segunda quinzena de março.

No momento atual, após a aprovação do novo arcabouço fiscal no congresso e o arrefecimento da inflação nos últimos dois meses, a queda da Selic para os próximos meses é quase um consenso. Provavelmente começará na reunião de agosto.

E isso muda muito. Praticamente todos os ativos no Brasil sofrem interferência direta da taxa básica de juros.

Historicamente existe uma correlação inversa entre os juros e os ativos de risco. Mercado de ações, fundos imobiliários e títulos prefixados se beneficiam fortemente da queda de juros.

No mercado de ações, as Small Caps, as empresas mais endividadas e as empresas de crescimento são as grandes beneficiadas.

As chamadas “cíclicas domésticas” devem subir fortemente com a queda de juros (já estão subindo), após serem massacradas com a forte subida nos juros desde 2021. Exemplo: a Magazine Luíza precisará subir mais de 600% para voltar ao patamar de dois anos atrás.

Todavia, muitas empresas não conseguirão esse retorno. E é por isso que a seleção de ativos é muito importante. Se você não tem competência ou paciência, priorize os ETFs. E lembre-se, o ETF SMAL11 deverá andar mais do que o BOVA11.

Para finalizar, o cenário externo. Lá fora o clima está mais calmo. O FED em breve vai parar de subir os juros. E possivelmente no final de 2023 ou começo de 2024 os juros podem cair nos EUA. E isso impactará em todos os ativos no mundo. A recessão esperada pode não ocorrer ou ser muito mais branda do que o esperado.

O FED pivot (inflexão dos juros para baixo) deverá enfraquecer o dólar americano, impulsionar as bolsas americanas e direcionar mais dinheiro para os emergentes.

Existem riscos? Claro. Não existem certezas no mercado financeiro!

O recrudescimento da inflação, a piora política e fiscal no Brasil e o enfraquecimento das commodities por um longo tempo podem prejudicar os ativos no Brasil.

Assista o vídeo no Youtube para mais detalhes. 

https://youtu.be/WrN9zPxUxAs

É hora de repensar a carteira de investimentos. Ainda dá tempo!

MJR

*Disclaimer: esse texto tem apenas um caráter educativo e não é uma recomendação de investimentos. E mais. Investimentos em renda variável podem gerar prejuízos.



terça-feira, 2 de maio de 2023

Fechamento do mês de abril de 2023

 



Recessão nos EUA - O que fazer com seus investimentos?

Se em 2022 o assunto principal no mercado financeiro mundial foi a inflação, em 2023 a possível recessão nos EUA é o tema de destaque.

Eu particularmente acho que ela poderá chegar nos próximos meses, mas será rápida e mais branda do que o mercado espera. Um singelo pitaco.

Os juros nos EUA estão próximos do fim do ciclo de alta. Isso é fato. Amanhã o FED deverá aumentar os juros americanos em 25 pontos-base – 5.0 a 5.25% ao ano – quase consenso do mercado. O teor do comunicado que gera um pouco mais de dúvidas.

Quando os juros americanos cairão (FED Pivot)? Pergunta que vale alguns milhões de dólares. Eu acho que cairá no final de 2023 ou começo de 2024. Apenas um palpite.

O mais importante é saber que os juros por lá estão perto da máxima e que cairão em algum momento do futuro. E isso impactará em praticamente todos os ativos no mundo.

Para finalizar lá fora, acredito que o mantra americano “sell in may and go away” está mais válido do que nunca. Mas continuo muito otimista com as bolsas americanas a partir do segundo semestre de 2023.

Por aqui, Brasil, temos a seguinte situação:

A inflação perdeu força, mas continua alta e resiliente, acima da meta.

O Copom deverá manter a taxa Selic em 13,75%, mas poderá sinalizar queda para algum momento do futuro, de acordo com a evolução das premissas fiscais em andamento no congresso e da ancoragem futura do processo inflacionário.

O dólar continua perdendo força frente ao real, mas no patamar atual, acredito que é um bom hedge de carteira. O ouro também continua brilhando como um ótimo hedge global.

Enquanto isso, apesar da pequena alta em abril, a bolsa brasileira continua às minguas. Muito barata, mas ninguém quer. Até quando?

Assista o vídeo de hoje do meu canal no Youtube, aonde apresento e comento muito mais detalhes sobre o cenário atual de mercado e o que fazer com sua carteira de investimentos.

https://youtu.be/MtpLt2ZfWwY

MJR

*Disclaimer: esse texto tem apenas um caráter educativo e não é uma recomendação de investimentos. E mais. Investimentos em renda variável podem gerar prejuízos.





segunda-feira, 20 de março de 2023

A Taxa Selic vai cair!



O que fazer com seus investimentos?

A taxa básica de juros no Brasil vai cair. Provavelmente não será na reunião de março do Copom. Talvez na próxima. Não interessa. 

O mais importante é que ela vai cair ainda em 2023.

E não será por pressão do Governo Federal, e sim pelo risco de crédito que poderia se espalhar para outros setores após o “colapso” das Lojas Americanas.

E mais. A crise bancária nos EUA e na Europa também fortalecerá a tese da queda da Selic.

E isso é muito RELEVANTE.

Todos os ativos e indicadores financeiros se movem em ciclos.

E o ciclo da taxa de juros é o mais importante de todos.

Não sabemos quando começará a queda da Selic e nem a magnitude da mesma, mas o Mercado já está precificando esse cenário.

Assim, é hora de agir e rebalancear sua carteira de investimentos.

No vídeo publicado nesse domingo no Youtube mostro detalhes pormenorizados da tese e destaco os principais ativos que se beneficiarão de tal movimento.

https://youtu.be/OTKEMMdVCb8

Não fique parado. É tempo de repensar sua carteira de investimento e lucrar com a queda da Selic.

MJR





sexta-feira, 3 de março de 2023

Atualização Março 2023 – O IBOV despenca em fevereiro e a Selic vai cair



O mês de fevereiro derrubou o IBOV, 7,5% de baixa. O índice brasileiro acompanhou o mau desempenho das bolsas americanas e acelerou a queda por questões políticas locais.

No segundo semestre do ano passado gravei um vídeo no meio do ano com o título: o Brasil é a bola da vez?

Naquela época eu tinha muita convicção que caminharíamos para isso.

Quais eram es motivos? Cito aqui os principais:

  1. O Brasil tinha subido os juros muito antes de todos os países. E a Selic cairia em 2023.
  2. A inflação estava cedendo. E o pior já passou.
  3. O PIB estava crescendo forte pelo segundo ano consecutivo – quase 3% em 2022.
  4. O desemprego em queda – mais baixo desde 2015.
  5. As commodities em alta – bom para o Brasil.
  6. O cenário externo muito desafiador.
  7. E os gringos colocando dinheiro no Brasil.

Eu imaginava que esse cenário poderia acontecer independentemente de qual presidente fosse eleito. Na minha cabeça, talvez com o Bolsonaro, essa possibilidade seria mais fácil, apenas pela continuidade de governo. Mas, com o presidente Lula eu também achava isso. Ele tinha o apoio de uma ampla frente política (centro-esquerda) e tinha o belo histórico do primeiro mandato em 2003: fiscal e social andando juntos.

Só que não!

Até aqui, o atual Governo Lula tem se mostrado um verdadeiro “Dilma 3”. Como comentou Luis Stuhlberger da Verde Asset no final do ano passado: “o PT não aprendeu nada com o desastre Dilma”. Henrique Meirelles, até então apoiador de Lula, e um dos grandes balizadores dos primeiros mandatos de Lula, jogou a toalha. Eles (o PT e seus asseclas) querem um resultado diferente aplicando o mesmo remédio de 2011 e 2016. A continuar assim, não vai acabar bem, já sabemos o resultado (mas talvez o pior não aconteça em 2023).

Moral da história. O Governo Lula, versão 2023, está fazendo tudo para “melar” a minha hipótese e prejudicar o crescimento do Brasil. Comprou briga com o presidente do Banco Central, com o ajuste fiscal e com as grandes conquistas do Brasil nos últimos anos, questionando a independência do Banco Central, interferindo nas Estatais, criticando as reformas trabalhista e da previdência, e querendo mudar as regras dos trabalhadores de aplicativos, dentre outras propostas retrógradas e limitadoras do crescimento econômico. Importante: se um país cresce mais, ele arrecada mais e pode fazer muito mais pelo social. O FISCAL e o SOCIAL devem andar juntos. O primeiro mandato do Lula confirma isso!

Todavia, em 2023, surgiu um fato novo desencadeado pela crise da Lojas Americanas: CRÉDITO. Estamos dentro de uma crise de crédito, e se o Banco Central não baixar os juros em 2023, a situação poderá ficar muito ruim para as empresas e as pessoas físicas. Dois grandes gestores que acompanho tem essa mesma opinião: Pedro Cerize e Márcio Appel.

Resumo, a Selic vai cair em breve, não só pela pressão do Governo Federal, mas principalmente pela atual crise de crédito. A política de juros contracionista do BC precisa ser revista o quanto antes.

E a queda de juros, historicamente, é muito boa para a economia e, por conseguinte, para a bolsa de valores. E não é só o mercado de ações que poderá ser beneficiado, mas também os fundos imobiliários e os títulos prefixados de renda fixa, dentre outros. Isso deverá acontecer pelo menos num primeiro momento da queda da Selic.



Mas tenha em mente: não será um processo linear. Teremos muita volatilidade e muitos ruídos. É preciso ter paciência e tranquilidade. Não exagere na dose e respeite seus limites, pois o cenário-base pode não ser concretizado. No mercado financeiro não existem certezas! 

E quais serão os efeitos colaterais caso o Governo continue jogando contra a economia num cenário de queda dos juros? Na inflação e no câmbio.

A inflação poderá ficar mais resiliente e obrigar no futuro (2024) o BC voltar a subir os juros.

E o dólar poderá subir fortemente frente ao real.

Assim, meus amigos, chegou a hora de agir. Veja o vídeo já disponível da atualização no meu canal. Lá acrescento mais detalhes sobre o tema.

https://youtu.be/oa37gfwdWBE

Em breve vou gravar um novo vídeo detalhando o racional de investimentos para a futura queda da Selic em 2023.

Prepare-se para rebalancear a sua carteira de investimentos!

MJR

*Disclaimer: esse texto tem apenas um caráter educativo e não é uma recomendação de investimentos. E mais. Investimentos em renda variável podem gerar prejuízos.





segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

ETFs interessantes negociados nos EUA

 



Os ETFs (Exchange Traded Funds) são excelentes ferramentas de diversificação de portfólio: da renda fixa à renda variável.

Você pode compra-los no Brasil ou nos EUA. Na segunda opção, obrigatoriamente, você precisa ter uma conta numa corretora dos EUA. Atualmente a abertura de uma conta no exterior é um processo muito simples.  

Essa “indústria” nos EUA é muito mais antiga e disseminada. Lá tem ETF de quase tudo. São mais de três mil opções de ETFs.

A grande vantagem do ETF é que você compra um único produto financeiros e ele faz a diversificação para você.

E ele pode ser adquirido pelo pequeno investidor, haja vista que são negociados em pequenas frações e tudo muito simples, igual ao que fazemos nas negociações de ações pelo home broker.

Todo ETF sempre tem seu próprio benchmark que é a referência para a seleção dos ativos de cada fundo (sim, o ETF é um tipo de fundo de investimentos). Por exemplo, o EWZ da BlackRock contém uma cesta de ações brasileiras no intuito de replicar o IBOV em Nova Iorque (na verdade o MSCI Brazil 25-50). Já o famoso SPY replica a carteira do S&P 500, o principal índice da bolsa americana.

Vários estudos mostram que apenas 20% dos gestores de fundos de investimentos (gestão ativa) superam os ETFs de referência (gestão passiva). Inclusive o megainvestidor Warren Buffet comenta que esse produto é o mais indicado para as pessoas físicas.

Assista o vídeo no Youtube para obter mais detalhes sobre os ETFs nos EUA.

https://youtu.be/GtUyCUlJ8gw

A seguir, a lista dos ETFs comentados no vídeo, e seus respectivos benchmarks:

Ø  S&P 500 = IVV, SPY, SPX

Ø  Nasdaq = QQQ

Ø  Ações pagadoras de dividendos = NOBL

Ø  Ações pagadoras de dividendos mensais = SPHD, DHS e JEPI

Ø  Brasil = EWZ e BRZU (alavancado 2x)

Ø  Renda Fixa = SHY (títulos de 1-3 anos), IEF (7-10 anos) e TLT (mais de 20 anos)

Ø  Petróleo = XOP

Ø  Ouro = IAU

Ø  REITS (setor imobiliário) = VNQ

Ø  REITS (Mundo) = VNQI

*Disclaimer: esse texto tem apenas um caráter educativo e não é uma recomendação de investimentos. E mais. Investimentos em renda variável podem gerar prejuízos.

MJR

terça-feira, 31 de janeiro de 2023

Atualização do IBOV - Fevereiro 2023

 



IBOV – Fechamento do mês de janeiro 2023

Após um começo muito ruim para os ativos de renda variável nos primeiros dois dias de janeiro, ao longo do mês observamos uma boa valorização do IBOV.

O dólar começou muito forte em janeiro e cedeu quase 10% desde seu pico no dia 3 de janeiro, terminando o mês perto dos 5 reais.

Os juros futuros no Brasil, por outro lado, voltaram a subir refletindo o cenário de incertezas sobre o “risco fiscal” do Brasil para o futuro. E por enquanto não temos uma previsão correta para o futuro da Selic.

Lá fora, as bolsas americanas também tiveram um bom desempenho. E o dólar index continuou em queda, fechando perto dos 100 dólares (esse índice bateu mais de 114 dólares em 2022). A explicação para a queda seria o fim da subida de juros pelo FED – isso favorece muito os emergentes.

A “reabertura” da economia chinesa tem empolgado os investidores mundo afora. E por isso as commodities subiram, em especial, o petróleo e o minério, o que é muito bom para o Brasil.

O que esperar para o próximo mês?

Os últimos dados econômicos nos EUA sinalizaram que, se uma recessão ocorrer em 2023, ela será mais branda, pois até o momento a subida de juros em 2022 segurou a inflação, mas a atividade econômica encontra-se resiliente. As ações americanas podem ter um bom desempenho em 2023.

Sem dúvida, o pior da inflação americana ficou para trás e os juros do FED devem estar próximos do seu pico, apesar da inflação ainda alta. O mercado espera por uma alta de 25 pontos-base na reunião do começo do dia 1 de fevereiro. E talvez mais uma ou duas ao longo do ano, estabilizando-se entre 5 e 6% ao ano. A queda futura nos juros ainda é incerta e dependerá da inflação. Lembrando que a meta nos EUA é de 2% e atualmente a inflação por lá está em torno de 6,5%.

Por aqui, ficaremos “presos” ao noticiário político-econômico. Se o Governo Federal não atrapalhar (não precisa ajudar muito, basta não atrapalhar), os ativos no Brasil devem continuar a se valorizar nesse começo de ano – os gringos voltaram! Apesar do pessimismo do investidor local, o fluxo estrangeiro deverá continuar ditando o ritmo da B3. Mesmo com a alta recente, muitas ações no Brasil continuam atrativas. Todavia evite as empresas ruins, mal geridas e endividadas (o caso das Lojas Americanas é emblemático). Seja muito seletivo nos seus ativos ou invista através de ETFs (gestão passiva).

No Brasil o dólar poderá seguir o cenário internacional e perder a faixa dos 5 reais. Vários analistas e gestores esperam por isso (eu também). Talvez caminharíamos para a faixa entre R$ 4,60 e 4,80 (atualmente em R$ 5,07). A ver. Por outro lado, no patamar atual, ou menor, eu acredito que é um bom ponto de compra para aumentar a posição no exterior (investimentos dolarizados) ou proteger a carteira (hedge).  Lembre-se de que a diversificação da carteira é primordial para o sucesso de longo prazo. E mais. Se o descontrole fiscal vier, o dólar vai disparar, assim como os juros futuros, e a bolsa vai cair.

Por falar em juros, a renda fixa continua muito atrativa: tanto os pós-fixados (caixa), como os prefixados e os títulos atrelados à inflação. Só não exagere na dose dos prefixados, pois eles poderão sofrer muito numa eventual subida dos juros (marcação a mercado).

Assim, continuo otimista com os ativos de risco no Brasil para o primeiro trimestre de 2023, mas sem exageros. E mais. Aproveite a valorização recente de alguns ativos para realizar parcialmente seus lucros. Lucro bom é no bolso.

Por último, cito uma frase recente de Luis Stuhlberger, gestor do renomado Fundo Verde: “em 2023, no Brasil, as coisas devem melhorar antes de piorar”. É o chamado “benefício da dúvida” que o mercado está dando ao novo governo. Só não sabemos até quando. Curiosidade: no segundo mandato da Dilma, em 2015, o IBOV subiu mais de 20% de janeiro até maio daquele ano, antes de começar a derrocada de quase 40% até janeiro de 2016.

Assista o vídeo do fechamento do mês no Youtube com muito mais informações:

https://youtu.be/CaKFQXe3QHk  

Bons investimentos.

MJR


domingo, 18 de dezembro de 2022

IBOV – Atualização Dezembro 2022

 


Antes de começar gostaria de dar uma satisfação aos leitores do Blog. Em virtude de um problema técnico, o site foi retirado do ar e não pude atualizar o conteúdo do Blog. Também perdemos alguns conteúdos antigos que serão reinseridos aos poucos. A partir de 2023, teremos duas colunas mensais, e serão publicadas simultaneamente no Blogger e no Site. E mais. Não deixe de acompanhar os vídeos doo meu canal no Youtube – mais de 100 vídeos educativos. https://youtu.be/AN5JPRbHqHo (último vídeo de atualização).

Vou dividir essa atualização em duas sessões: cenários externo e interno.

Cenário Externo

1.      Juros nos EUA. Na última reunião do FED tivemos um aumento de 0,5% na taxa de juros – atualmente entre 4,25 e 4,5% ao ano. Portanto, já tivemos uma desaceleração da subida dos juros por lá. Os juros ainda devem subir mais, mas num ritmo mais lento. Possivelmente atingiremos uma taxa entre 5,0 e 6,0% no ano que vem. Por outro lado, os juros de 10 anos, negociados em bolsa, estão menores do que a taxa do FED (3,45%), corroborando com o final do ajuste.

2.      Dólar Index. Após subir quase o ano todo e bater a marca de 114 dólares, o dólar index recuou para 104 dólares, e possivelmente continuará em queda em virtude da freada na taxa de juros do FED. Bom para os países emergentes.

3.      China. A política de Covid Zero na China deve estar próxima do fim e isso pode impulsionar o PIB Chinês e as commodities, especialmente o minério de ferro e o petróleo.

4.      Bolsas Americanas. Após a forte recuperação dos índices americanos em outubro e novembro (o S&P 500 saiu de 3.500 para 4.100 pontos), eles perderam força e deverão recuar nas próximas semanas – processo corretivo que já começou. A tendência é ainda de baixa (BEAR MARKET). Essa correção coincide com a queda de lucros das empresas em virtude da subida dos juros nos EUA. Todavia, a expectativa é que essa seja a última pernada da tendência de baixa. O trader americano Larry Willians acredita numa correção no início do ano e um ótimo “ponto de compra” no começo de março. Será? Bom, o mais importante é que você seja muito seletivo na escolha das suas ações. Evite empresas em turnaround, endividadas ou muito dependentes de crédito para crescer.

5.      Recessão. Se em 2022 a principal preocupação do mercado foi a inflação, o tema de 2023 será a recessão nos EUA. Eu, particularmente, acho que ela, se ocorrer, será mais branda e rápida do que o consenso do mercado. E por isso estou otimista com as bolsas americanas, especialmente a partir de março.

6.      Ouro. Após recuar nos últimos meses, o metal voltou a superar a marca dos 1.800 dólares no mercado internacional. Alguns gestores de renome acreditam que o ouro poderá ter bom um desempenho em 2023 (juros menores).

Cenário Interno

1.      Juros. A taxa Selic está em 13,75% (mantida nas últimas reuniões) e, provavelmente, cairia a partir de maio de 2013. Porém, após o fim das eleições, o risco fiscal aumentou significativamente, em virtude das primeiras decisões do governo de transição, e essa possibilidade ficou arrefecida. Aliás, os juros poderão voltar a subir em 2023, se o risco fiscal piorar. Essa chance é real, caso o futuro governo abandone a responsabilidade fiscal. Os juros futuros negociados na B3 já sinalizam isso – aumento significativo nos últimos 45 dias.

2.      Dólar. O dólar deveria cair frente ao real em 2023 em razão da queda do dólar index, do teórico “preço justo” da taxa de câmbio (por volta de 4,25) e da entrada de capital externo. Mas, se o fiscal piorar, teremos um cenário oposto e o dólar poderá superar os 5,50 / 6,00. Todavia, um alívio no risco fiscal no primeiro trimestre do governo Lula deverá derrubar o dólar.

3.      PIB. A previsão atual do Boletim Focus do Banco Central é de um crescimento do PIB na faixa de 1.0% em 2023. Mas isso não deverá se concretizar. A condução da política econômica do próximo governo terá forte impacto no PIB, para o bem ou para mal. Não tenho dúvida!

4.      IBOV. Após a significativa queda nos últimos 45 dias (mais de 15%), acredito que o IBOV deverá ter alguma recuperação nas próximas semanas. Várias empresas caíram fortemente, especialmente as Small Caps. Acredito também que o caminho do IBOV ao longo de 2023 também será guiado pelas políticas econômicas do próximo ministro de economia. Uma curiosidade: de acordo com os relatórios de vários bancos, nacionais e estrangeiros, o downside do IBOV é muito menor do que o upside, isto é, o IBOV tem muito mais espaço para subir do que cair. Exemplo, segundo o BOFA, o alvo da queda do IBOV num pior cenário seria de 95 mil pontos (atualmente em 104 mil pontos) e 150 mil pontos no melhor cenário em 2023. Entendeu a diferença? Boa margem de segurança nos níveis atuais.

Resumindo, a bolsa brasileira está barata, mas o momento é de muita cautela. Contudo é preciso agir e ajustar a sua carteira de investimentos.

No próximo relatório, em janeiro, comentarei sobre as minhas perspectivas para os principais ativos no Brasil.

Aproveito a oportunidade para desejar boas festas e um ótimo ano novo a todos.

MJR