Desde que
comecei a escrever o meu primeiro livro em 2013, sempre usei a expressão “aprenda
a investir sozinho”. Para mim já é um “jargão”. Mas, outro dia um
amigo próximo me perguntou: “Marcelo, o que você quer dizer com investir
sozinho”. Fiquei refletindo sobre o assunto e resolvi escrever, ou melhor,
detalhar o meu pensamento e compartilhar com os meus leitores.
Já deixo
aqui o resumo e o mais importante: todas as decisões tomadas na montagem de uma
carteira de investimentos devem ter o aval final do “dono do dinheiro” – o investidor.
Você pode e deve ter o auxílio de outras pessoas, mas a palavra final sempre
deverá ser sua. Isso é mandatório.
Posto
isto, como chegar à decisão final. Veja os passos:
1. O passo inicial é que o cidadão não
especialista no mercado financeiro precisa querer ser um investidor. E precisa
ter convicção. Apesar de ser uma tarefa relativamente simples, ela exigirá
dedicação, conhecimento e esforço do potencial investidor. E mais. O ato de
investir está sempre atrelado à dúvida – não temos o controle algum sobre o
desempenho futuro dos diversos ativos, aliás, ninguém tem. Na escolha entre
dois ativos hipotéticos, A e B, na escolha de um, você está abrindo a mão do
outro, e isso usualmente gera dúvida e estresse. Faz parte do dia a dia. Não
tem como ser diferente.
2. O segundo passo é ter dinheiro para
investir. Desta forma, você necessariamente precisa separar uma parte do seu
salário para colocar na sua carteira de investimentos, e de preferência que
isso ocorra todos os meses. É preciso ter disciplina. Aqui outro ponto
“negativo” para o investidor: você está abrindo mão de um consumo imediato para
usufruir no futuro, e isso gera desconforto e quase sempre não é muito prazeroso.
O ser humano, em geral, prefere as realizações de imediato, no presente. É
preciso controlar esse instinto. Os maiores retornos são obtidos com os investimentos
de longo prazo. Essa é a regra!
3. O terceiro passo é estudar muito sobre
o tema. Como o assunto não é abordado na grade curricular da maioria das
escolas e universidades no Brasil, quase sempre aprendemos na prática. Decididamente,
no começo não é uma tarefa fácil, mas depois, a descoberta do fascinante mundo
dos investimentos é muito recompensadora por dois motivos: o prazer do
conhecimento e o bom resultado na sua carteira de investimentos – lucros cada
vez maiores (o fantástico mundo dos juros compostos a seu favor). Porém, pra
tanto, é preciso muita dedicação e esforço, aproveitando as horas livres de
descanso, isto é, você irá trocar seu tempo livre para estudar. Mais um fator
“negativo”.
4. Quarto passo: obrigatoriamente, você
precisará abrir uma conta numa corretora de valores. E isso, para a maioria dos
brasileiros, é um fator de estresse, pela novidade. Não éramos acostumados a
isso (fomos criados em cenários de juros altos e retornos fáceis, sem riscos,
aplicando em produtos disponíveis nos bancos comerciais). Atualmente, o processo
de abertura de conta numa corretora é muito simples e quase sempre, tudo
on-line. Basta você escolher uma boa corretora e executar o registro.
5. O quinto passo, e talvez um dos mais
importantes, é montar uma carteira de investimentos. Um dos princípios mais
relevantes é a diversificação, ou seja, não podemos concentrar nosso
dinheiro em poucos ativos. E mais, é preciso montar uma carteira para enfrentar
os diferentes cenários vindouros. Mais uma vez, ninguém tem bola de cristal
sobre o futuro. Temos apenas perspectivas. Esqueça os profetas de plantão!
6. O sexto passo é descobrir o seu
perfil de investidor. Algumas pessoas são mais tolerantes aos riscos, outras mais
avessas. É preciso respeitar suas ideias e conceitos. A minha carteira ideal
pode muito diferente da sua, e vice-versa. Não abandone seu perfil. Nunca.
7. O sétimo e último passo é dividir sua
carteira de investimentos em pelo menos dois nichos, visando horizontes
diferentes, curto e longo prazo. No primeiro, a liquidez e o risco reduzido são
as prioridades, e por isso os retornos serão menores. No segundo, podemos e
devemos arriscar mais no intuito de auferir maiores ganhos. Para alcançarmos a
independência financeira os investimentos de longo prazo são imprescindíveis.
Já as reservas de emergência devem ser colocadas nos ativos de curto prazo
(liquidez imediata e baixo risco).
Os analistas
independentes, os agentes autônomos e os gerentes de banco, dentre outros
especialistas, podem lhe auxiliar, mas a decisão final sempre deverá ser sua.
Tenha muito cuidado com os conflitos de interesse. Isso é muito importante. Uma
eventual sugestão pode não ser a melhor opção para você. É preciso estudar e,
principalmente, entender cada produto oferecido.
Eu, para
montar a minha carteira pessoal, leio inúmeras análises de diversas casas
independentes de research e também das próprias corretoras de valores e
bancos. Acompanho diariamente a opinião dos principais gestores, leio livros e
artigos, e acompanho entrevistas e lives no Youtube. Somente após tudo
isso que resolvo o que fazer. A ideia é buscar o maior número de informações,
haja vista que o mercado financeiro é muito amplo, mas repito, a decisão final e
a responsabilidade sobre a montagem da carteira sempre são minhas. É preciso
botar a mão na massa. Não pode ser diferente. Não podemos culpar os outros
sobre os nossos fracassos.
Outro ponto
relevante: o processo de investir é muito dinâmico. Uma boa opção no dia de
hoje pode ser péssima daqui a seis meses, por exemplo. Assim, o estudo e o
acompanhamento da carteira deve ser frequente – no mínimo a cada três meses.
Por outro lado, evite mudanças em excesso.
Para
finalizar, gostaria de comentar que a função dos meus mais variados livros é
inserir o investidor iniciante no mundo dos investimentos, encurtando a
trajetória do sucesso e criando uma ponte para novas fontes de conhecimentos.
Aprenda a
investir sozinho.
Bons
investimentos.
MJR