sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

IBOV – atualização extraordinária: janeiro 2021

 


Nos últimos posts escrevi que o IBOV estaria próximo de uma correção mais acentuada. Demorou, mas parece que o momento chegou.

É a primeira semana de forte queda desde o começo de novembro. Ainda não sabemos a magnitude dessa correção. Mas a julgar pelas últimas correções mais significativas, acho que os alvos mais importantes são 110 e 105 mil pontos – esse último um fortíssimo suporte, e meu palpite. Portanto, temos aí uma possibilidade de queda de mais de 10% aos preços de fechamento (120 mil pontos). Num cenário mais dramático, o índice deverá encontrar forte barreira nos 93 mil pontos. Veja os gráficos, diário e semanal.




Outro ponto importante: a forte alta do IBOV nos últimos dois meses e meio, mais de 30%, foi muito concentrada nas Blue Chips: Petrobrás, Vale e Bancos. E essas ações começaram uma correção mais relevante nessa última semana... Fique atento a continuidade do rotation trade. Qual será a “bola da vez”?

Assim, existe uma possibilidade real do IBOV entrar numa tendência de baixa nas próximas semanas. Como o IBOV subiu por 10 semanas consecutivas, espera-se uma correção mínima de 5 semanas. Eu, particularmente, acho que ela poderá ser mais longa (talvez até o fim de março ou abril). A última correção ocorreu de agosto a outubro de 2020 (três meses).

A demora na vacinação no Brasil, a piora dos números da pandemia, as brigas e intrigas políticas em Brasília, o cenário externo mais desafiador no curto prazo e uma correção na commodities podem corroborar com esse cenário-base (as commodities subiram fortemente desde a vitória de Joe Biden nos EUA, assim uma correção é esperada e bem-vinda).

Malgrado esse hipotético cenário ruim de curto prazo, acho que teremos um bom ano de 2021 pela frente nos ativos de renda variável. Essa suposta correção nada mais é do que uma pausa no atual BULL MARKET.

Posto isto, realize parcialmente seus lucros (se já fez, ótimo), mas mantenha alguma posição nas boas empresas – ninguém sabe o dia de amanhã e a tendência atual é de alta (o IBOV poderá retomar a alta a qualquer momento). Aos poucos utilize o caixa para recomprar seu portfólio em preços mais convidativos. Faça isso aos poucos, sem atropelos.

MJR

*A última postagem foi postada apenas no blog do site. Caso tenha interesse: www.investircadavezmelhor.com.br.

** As opiniões postadas no blog são apenas posições do autor sobre o tema, e não constituem em si, recomendações de compra ou venda de ativos. E mais. O investimento no mercado de renda variável pode gerar prejuízos



sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

IBOV – dezembro de 2020. Atualização extraordinária


Como previsto na última publicação*, o IBOV continuou em alta nas duas primeiras semanas de dezembro. Algumas correções pontuais ocorreram, mas nada que tirasse o ímpeto comprador dos investidores.

Graficamente e objetivamente, não existem sinais claros de mudança dessa tendência de alta. É provável que busquemos ainda em 2020, pelos menos o topo histórico em 120 mil pontos. Novas máximas também são possíveis.

Todavia, sigo de perto um indicador técnico que já mostra sinais de cansaço desse movimento de alta. Assim, escrevo essa atualização extraordinária para alertar aos leitores que em algum momento no futuro uma correção mais intensa virá. Isso faz parte do mercado de renda variável. Nada sobe eternamente. Como sempre, só não sabemos quando será: pode ser na próxima semana, em janeiro ou fevereiro, mas a correção virá. Não tenho dúvida disso.

Outro ponto: várias ações subiram fortemente nos últimos 40 dias e podem continuar subindo, mas a “margem de segurança” do investimento está cada vez mais apertada. Grosso modo, essa margem é a diferença entre o preço atual e o valor justo do ativo num futuro pré-determinado. Um exemplo: numa das casas de análise independente que acompanho, as ações da Vale tinham como preço-alvo 78 reais (relatório de outubro de 2020). A ação estava cotada a 62 reais. Assim, a margem de segurança era bem confortável. Bom, mas atualmente, a ação já superou esse valor (85 reais). Cadê a margem de segurança? Esse caso da Vale foi apenas um exemplo, pois vários ativos estão na mesma situação. Faça uma varredura detalhada na sua carteira.

Importantíssimo: vender parte dos ativos em carteira é muito diferente de venda a descoberto. Vender sem ter o ativo é um movimento muito arriscado e, pior, pouco inteligente no cenário atual.

Mais um aspecto relevante: o “rotation trade” continua a todo vapor. Empresas que ficaram para trás, como bancos, mineradores, siderúrgicas e petroleiras subiram fortemente. Com a queda do dólar mundo afora, as commodities subiram de maneira intensa (essa correlação inversa é muito comum).

Assim, o que fazer com seu portfólio de ações? Deixe de lado o “tudo ou nada”, faça um meio-termo. Realize parcialmente seus lucros. Lucros no bolso não geram prejuízos, nunca. E a parte que permanecerá comprada em renda variável continuará a aproveitar o bom momento da bolsa. Exemplo: se você tem 30% em bolsa, porque não reduzir em 1/3 ou pela metade sua posição? Não existe uma receita de bolo, o montante é uma decisão individual.

Ativos de proteção: dólar e ouro caíram muito nos últimos dias, mas lembre-se de que a função deles é proteção, por isso você deve mantê-los em carteira. Talvez entre 5 a 10% do portfólio.

Por último, onde colocar o dinheiro da venda de parte do book de ações. Recomendo aplicar em caixa (DI ou Selic) e em títulos vinculados à inflação de curto prazo, que são menos voláteis em virtude da possibilidade da subida dos juros futuros  (importante: visando sua aposentadoria mantenha seus títulos de longo prazo vinculados à inflação). Outra opção é aumentar um pouco no ativos de proteção, porém sem exagerar na dose.

Mensagem final: não deixe de aproveitar a festa atual dos ativos de renda variável, mas só não seja o último a apagar as luzes. Controle sua ganância!

Bons investimentos!

MJR

*A última postagem de 30/11/2020 foi postada apenas no blog do site. Caso tenha interesse: www.investircadavezmelhor.com.br.

**Conheça a segunda edição do livro: Índice Bovespa Futuro. 






sábado, 31 de outubro de 2020

IBOV – novembro. O embate final entre touros e ursos no ano de 2020.


 

Na semana passada escrevi que após a significativa alta do IBOV, de 93 a 102 mil pontos, uma correção era o mais provável para a semana corrente.

O recuo do índice veio, mas numa magnitude muito maior do que a prevista por mim. Praticamente toda a alta registrada pelo IBOV nas primeiras semanas de outubro foram zeradas nessa semana. Só na última quarta-feira, 28/10, o IBOV perdeu 4,25%.

Ontem, quinta-feira 29/10, o mercado reagiu no forte suporte em 93 mil pontos e deixou um sinal gráfico altista. Porém, no dia de hoje o IBOV voltou a cair forte e fechou a semana por volta dos 94 mil pontos.


Meus comentários:

Antes de tudo prepare-se para o combate. Fortes emoções pela frente!

Ainda continuo otimista com o IBOV para os próximos dois a três meses, mas obviamente, o comportamento do índice nessa semana trouxe muita dúvida sobre essa possibilidade.

O motivo principal da queda foi a segunda onda da Covid-19 na Europa que derrubou as bolsas mundiais e o petróleo.

É óbvio que a preocupação fiscal no Brasil e as eleições americanas estão no radar, mas o motivo real foi o avanço da doença. Aguardemos os próximos desdobramentos.

É provável que tenhamos ainda mais volatilidade na próxima semana, pois estaremos diante do resultado das eleições americanas. Apertem os cintos!

E mais. Várias empresas apresentaram resultados melhores do que o esperado, e mesmo assim, isso não foi traduzido em alta das ações. E isso, definitivamente, é um sinal ruim para o curto prazo.

Por outro lado, para o longo prazo, o mais relevante para o preço de uma ação é a evolução dos resultados da empresa: os lucros crescentes e a maior eficiência são os principais fatores que ditam o maior valor dos ativos. Isso é inexorável.  E mais. A pandemia vai passar.

Por isso, para os investidores de longo prazo, os momentos de estresse, como o atual, são excelentes para aumentar a posição nas empresas de qualidade, sempre com parcimônia e sem exageros. E, como sempre, sugiro que você faça de modo parcelado.

Do ponto de vista gráfico, o que podemos esperar do IBOV?

Se o IBOV continuar respeitando o suporte em 93 mil pontos (ontem o mercado mostrou muita força compradora quando tocou esse nível), existe uma boa chance do índice brasileiro voltar a subir e buscar novamente os 102 mil pontos. E depois, quem sabe, patamares ainda mais altos: 106, 112 e 120 mil pontos.

Agora, se perdermos o suporte em 93 mil pontos, a situação gráfica ficará muito “feia”, pois poderemos entrar numa tendência de baixa pelo gráfico semanal: alvo em 82 / 83 mil pontos.



Por enquanto, o meu cenário base é o primeiro, mas o segundo é totalmente possível (e estamos flertando com ele), especialmente se o mercado americano continuar caindo, pois nós o seguiremos. Assim, decididamente, ainda não é hora de bradar “all-in”.

Bons investimentos.

MJR

As opiniões postadas no blog são apenas posições do autor sobre o tema, e não constituem em si, recomendações de compra ou venda de ativos. E mais. O investimento no mercado de renda variável pode gerar prejuízos.





sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Atualização extraordinária do IBOV – Outubro 2020

 


No último post o IBOV estava cotado a 94 mil pontos. Escrevi que era um bom momento para aumentar a posição da carteira em ações, aos poucos, pois estávamos num primeiro suporte.

Após três semanas, o IBOV subiu mais de 8% e mostra sinais claros de força compradora.

O desempenho da bolsa brasileira ainda é um dos piores em 2020, e por isso, uma recuperação mais robusta poderá ocorrer ainda neste ano.

Análise Técnica  

No gráfico diário o IBOV rompeu as linhas de tendência de baixa (linhas vermelhas oblíquas) e buscou o último topo em 102 / 103 mil pontos. Em minha opinião, apesar do cenário altista para os próximos dois a três meses, o mais provável é que o índice passe por alguma correção nos próximos dias para aliviar o estado sobrecomprado (a queda no dia de hoje pode ser o começo deste movimento).



Uma correção seria “saudável” até 97 /98 mil pontos. Daí, ganharíamos força para buscar alvos mais distantes.

No gráfico semanal a situação é ainda melhor para os comprados. A correção nos meses de julho, agosto e setembro foi muito bem-vinda, e agora, temos muito espaço para subir. O estreitamento das bandas de Bollinger prenuncia um grande movimento em breve (por esse indicador não sabemos a direção). Se a alta se confirmar, os alvos iniciais em 105 e 120 mil pontos.



Um ponto muito importante: o setor bancário, que estava adormecido e muito descontado, subiu fortemente e poderá retornar aos níveis pré-pandemia. Talvez, a Petrobrás siga pelo mesmo caminho.

Fundamentos

As eleições americanas trarão muita volatilidade aos mercados internacionais, mas creio que não teremos grandes movimentos direcionais nas bolsas dos EUA nas próximas semanas.

Curiosidade: na última eleição em 2016, o Mercado “preferia” a vitória dos Democratas e chegou a cair 7% na madrugada do dia da apuração, mas após a vitória de Trump, a bolsa americana subiu mais de 50% em 4 anos.

As eleições municipais no Brasil terão pouco impacto na B3, a princípio. E mais. O cenário político nacional me parece mais calmo, o que favorece os ativos de risco neste último bimestre.

Qualquer “promessa” de melhoria no quadro fiscal poderá impulsionar o mercado acionário.

Num cenário de juros “zerados”, os ativos reais de renda variável são menos arriscados (e atrativos) que alguns produtos de renda fixa.

A divulgação dos balanços do 3T poderá guiar o rumo das bolsas.

Por último, sempre é bom lembrar que no mercado financeiro não existem certezas, e sim, probabilidades. Novidades podem surgir a qualquer momento e alterar as expectativas.

Desta forma, não exagere na dose de renda variável!  

Aguardemos. 

MJR

As opiniões postadas no blog são apenas posições do autor sobre o tema, e não constituem em si, recomendações de compra ou venda de ativos. E mais. O investimento no mercado de renda variável pode gerar prejuízos.



quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Outubro 2020 – Atualização IBOV

 


Se o mês de agosto tinha sido ruim para a bolsa brasileira, em setembro o desempenho do IBOV foi ainda pior: queda aproximada de 5%. A diferença é que as bolsas americanas também caíram nesse último mês, menos do que o IBOV, mas caíram. Seguimos num desempenho relativo muito ruim.

Vinha insistindo nos meus comentários que o patamar de 98 / 100 mil pontos era muito relevante. Segurou o mercado por muito tempo, mas após a perda desse suporte, o IBOV buscou a faixa dos 93 mil pontos, também já comentada.

O que fazer? Antes comentarei alguns drivers importantes para o caminho do IBOV no próximo mês (ou meses):

1)       Se a correção nos mercados americanos persistir, o IBOV vai junto. E há espaço para a continuidade das quedas por lá.

2)       Graficamente, o IBOV está numa clara tendência de baixa de curto prazo, após o topo do final de julho.



3)       As eleições americanas trarão muita volatilidade aos mercados.

4)       O cenário fiscal no Brasil continuará sendo nosso principal obstáculo.

5)       A pandemia não passou, mas está passando. E vai passar. Já existem evidências claras nesse sentido. O pior já passou. Lembre-se de que o mercado de ações anda no mínimo seis meses à frente da economia real.

Seguem meus pensamentos:

1)       Mesmo sabendo que ainda temos espaço para cair mais (próximos suportes do IBOV em 90 e 83 mil pontos), acredito que chegou a hora de começar a colocar o nosso “caixa” para trabalhar – é praticamente impossível acertar os fundos. E na minha opinião o risco-benefício atual compensa essa postura (os alvos esperados são proporcionalmente maiores do que os possíveis suportes, e estamos num primeiro forte suporte – 93 / 94 mil pontos). Desta forma, vá comprando aos poucos, sem atropelos. Opte por aumentar a posição nos melhores ativos. Evite as posições perdedoras. E lembre-se de manter o caixa de curto prazo.

2)       Mantenha a diversificação da carteira e uma rigorosa seleção de ações.

3)       Continue evitando os títulos prefixados. Os juros futuros continuaram subindo em setembro e podem subir muito mais. E outra. Se você for adquirir títulos atrelados à inflação, compre com parcimônia. No futuro poderemos compra-los com preços mais descontados.

4)       Se o cenário fiscal deteriorar, além dá disparada dos juros futuros, o dólar continuará forte frente ao real. A barreira dos 6 reais poderá ser rompida. Todavia, uma melhora do cenário fiscal no Brasil (reformas e boas notícias) pode derrubar a cotação da moeda americana.

5)       O ouro, curiosamente, também cedeu em setembro, da mesma forma que no começo de março (início da pandemia), mas acredito que após a turbulência do mercado de ações, o metal voltará a se valorizar.

6)       Mercado imobiliário: na minha opinião é um dos melhores setores para investimentos no cenário atual, pois os indicadores são conflitantes. Enquanto os dados da economia real no setor imobiliário estão bons (em breve escreverei sobre o assunto), os preços dos ativos se depreciaram fortemente nos últimos dois meses, especialmente as ações de empresas de construção civil listadas em bolsa.

7)       E mais. Acredito que o cenário dramático vivido no setor de Shoppings ficou para trás. A recuperação virá de uma maneira paulatina, mas virá. As ações e os fundos imobiliários atrelados a esse segmento estão descontados.

Bons investimentos.

*Fique atento: qualquer sinal gráfico mais contundente de fundo no IBOV, eu postarei no Blog.

MJR

Conheça o meu novo site: www.investircadavezmelhor.com.br 



sábado, 26 de setembro de 2020

Qual o meu conceito de “investir sozinho”?

 


Desde que comecei a escrever o meu primeiro livro em 2013, sempre usei a expressão “aprenda a investir sozinho”. Para mim já é um “jargão”. Mas, outro dia um amigo próximo me perguntou: “Marcelo, o que você quer dizer com investir sozinho”. Fiquei refletindo sobre o assunto e resolvi escrever, ou melhor, detalhar o meu pensamento e compartilhar com os meus leitores.

Já deixo aqui o resumo e o mais importante: todas as decisões tomadas na montagem de uma carteira de investimentos devem ter o aval final do “dono do dinheiro” – o investidor. Você pode e deve ter o auxílio de outras pessoas, mas a palavra final sempre deverá ser sua. Isso é mandatório.

Posto isto, como chegar à decisão final. Veja os passos:

1.      O passo inicial é que o cidadão não especialista no mercado financeiro precisa querer ser um investidor. E precisa ter convicção. Apesar de ser uma tarefa relativamente simples, ela exigirá dedicação, conhecimento e esforço do potencial investidor. E mais. O ato de investir está sempre atrelado à dúvida – não temos o controle algum sobre o desempenho futuro dos diversos ativos, aliás, ninguém tem. Na escolha entre dois ativos hipotéticos, A e B, na escolha de um, você está abrindo a mão do outro, e isso usualmente gera dúvida e estresse. Faz parte do dia a dia. Não tem como ser diferente.

2.      O segundo passo é ter dinheiro para investir. Desta forma, você necessariamente precisa separar uma parte do seu salário para colocar na sua carteira de investimentos, e de preferência que isso ocorra todos os meses. É preciso ter disciplina. Aqui outro ponto “negativo” para o investidor: você está abrindo mão de um consumo imediato para usufruir no futuro, e isso gera desconforto e quase sempre não é muito prazeroso. O ser humano, em geral, prefere as realizações de imediato, no presente. É preciso controlar esse instinto. Os maiores retornos são obtidos com os investimentos de longo prazo. Essa é a regra!

3.      O terceiro passo é estudar muito sobre o tema. Como o assunto não é abordado na grade curricular da maioria das escolas e universidades no Brasil, quase sempre aprendemos na prática. Decididamente, no começo não é uma tarefa fácil, mas depois, a descoberta do fascinante mundo dos investimentos é muito recompensadora por dois motivos: o prazer do conhecimento e o bom resultado na sua carteira de investimentos – lucros cada vez maiores (o fantástico mundo dos juros compostos a seu favor). Porém, pra tanto, é preciso muita dedicação e esforço, aproveitando as horas livres de descanso, isto é, você irá trocar seu tempo livre para estudar. Mais um fator “negativo”.

4.      Quarto passo: obrigatoriamente, você precisará abrir uma conta numa corretora de valores. E isso, para a maioria dos brasileiros, é um fator de estresse, pela novidade. Não éramos acostumados a isso (fomos criados em cenários de juros altos e retornos fáceis, sem riscos, aplicando em produtos disponíveis nos bancos comerciais). Atualmente, o processo de abertura de conta numa corretora é muito simples e quase sempre, tudo on-line. Basta você escolher uma boa corretora e executar o registro.

5.      O quinto passo, e talvez um dos mais importantes, é montar uma carteira de investimentos. Um dos princípios mais relevantes é a diversificação, ou seja, não podemos concentrar nosso dinheiro em poucos ativos. E mais, é preciso montar uma carteira para enfrentar os diferentes cenários vindouros. Mais uma vez, ninguém tem bola de cristal sobre o futuro. Temos apenas perspectivas. Esqueça os profetas de plantão!

6.      O sexto passo é descobrir o seu perfil de investidor. Algumas pessoas são mais tolerantes aos riscos, outras mais avessas. É preciso respeitar suas ideias e conceitos. A minha carteira ideal pode muito diferente da sua, e vice-versa. Não abandone seu perfil. Nunca.

7.      O sétimo e último passo é dividir sua carteira de investimentos em pelo menos dois nichos, visando horizontes diferentes, curto e longo prazo. No primeiro, a liquidez e o risco reduzido são as prioridades, e por isso os retornos serão menores. No segundo, podemos e devemos arriscar mais no intuito de auferir maiores ganhos. Para alcançarmos a independência financeira os investimentos de longo prazo são imprescindíveis. Já as reservas de emergência devem ser colocadas nos ativos de curto prazo (liquidez imediata e baixo risco).

Os analistas independentes, os agentes autônomos e os gerentes de banco, dentre outros especialistas, podem lhe auxiliar, mas a decisão final sempre deverá ser sua. Tenha muito cuidado com os conflitos de interesse. Isso é muito importante. Uma eventual sugestão pode não ser a melhor opção para você. É preciso estudar e, principalmente, entender cada produto oferecido.

Eu, para montar a minha carteira pessoal, leio inúmeras análises de diversas casas independentes de research e também das próprias corretoras de valores e bancos. Acompanho diariamente a opinião dos principais gestores, leio livros e artigos, e acompanho entrevistas e lives no Youtube. Somente após tudo isso que resolvo o que fazer. A ideia é buscar o maior número de informações, haja vista que o mercado financeiro é muito amplo, mas repito, a decisão final e a responsabilidade sobre a montagem da carteira sempre são minhas. É preciso botar a mão na massa. Não pode ser diferente. Não podemos culpar os outros sobre os nossos fracassos.

Outro ponto relevante: o processo de investir é muito dinâmico. Uma boa opção no dia de hoje pode ser péssima daqui a seis meses, por exemplo. Assim, o estudo e o acompanhamento da carteira deve ser frequente – no mínimo a cada três meses. Por outro lado, evite mudanças em excesso.

Para finalizar, gostaria de comentar que a função dos meus mais variados livros é inserir o investidor iniciante no mundo dos investimentos, encurtando a trajetória do sucesso e criando uma ponte para novas fontes de conhecimentos.

Aprenda a investir sozinho.

Bons investimentos.

MJR



segunda-feira, 31 de agosto de 2020

IBOV – Atualização Setembro 2020


Enquanto as bolsas americanas subiram mais de 7% no mês de agosto, o IBOV caiu mais de 3%.

Pior. O desempenho frente a outros países emergentes também é muito ruim. O Brasil está na “lanterninha” na recuperação das bolsas mundiais após o crash de março de 2020.

Veja a seguir, o comparativo entre o desempenho dos principais países emergentes e o IBOV dolarizado (fonte: gráfico produzido pelo analista Raphael Figueiredo).


Comentei algumas vezes desde julho que o ímpeto altista da bolsa brasileira tinha perdido fôlego – momentum.

Todavia, é verdade também que o IBOV não tem força para corrigir mais agudamente. E, por isso, o índice segue, há mais de um mês, rondando os 100 mil pontos.

Tal fato ocorre, pois alguns ativos estão segurando o IBOV (altas relevantes nesse período): varejistas, empresas de commodities dolarizadas (celulose, minério, etc.).

Boa parte dos analistas, e eu me incluo nessa, sugere que o fraco desempenho recente do índice brasileiro se deve ao quadro fiscal que se deteriorou fortemente no pós-pandemia (aumento dos gastos públicos e redução da receita). E mais. O governo não consegue avançar nas reformas e nas privatizações.

Posto isto, o que fazer em setembro?

Primeiro, é tempo de cautela. Não é hora de apostar “all-in”. Ainda não temos um sinal gráfico forte mostrando o caminho mais provável para o IBOV no curto prazo (será que a forte queda no dia de hoje é começo de uma correção mais acentuada? Veja imagem a seguir).


O ideal é continuar com uma carteira bem diversificada e sem exceder no tamanho da posição. A seleção adequada de ações também é de suma importância – stock picking.

Mantenha também um bom caixa. Numa eventual correção você poderá aumentar as posições pagando mais barato do que os preços atuais.

O dólar no mundo está perdendo força (dólar index), mas por aqui ele segue forte. Até quando? Não sei. Mais um efeito da situação fiscal brasileira. Entretanto, em algum momento no futuro, o dólar poderá ceder mais fortemente – os fundamentos sugerem isso.

O ouro continua com muita força no mercado mundial. É o atual hedge ideal para a carteira.

Juros. Venho comentando há algum tempo que devemos ter cuidado na exposição ao mercado de juros prefixados, em virtude da volta da inflação e da possível subida de juros pelo Banco Central em 2021. Nas últimas semanas vários gestores aumentaram o tom nesse alerta.

Acredito que as bolsas americanas entrarão num processo de aumento da volatilidade nos próximos meses em virtude das eleições americanas em novembro. Prepare-se. Com certeza o movimento de lá será repercutido por aqui. Assim, tenha muito cuidado com a alavancagem em excesso (uso de derivativos).

Por último, uma mensagem: lembre-se de que o mercado financeiro é um mecanismo de transferência de dinheiro dos mais impacientes para os mais pacientes. Seja paciente, especialmente em períodos de indecisão, como o atual.

Bons investimentos.

MJR