sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Atualização extraordinária do IBOV – Outubro 2020

 


No último post o IBOV estava cotado a 94 mil pontos. Escrevi que era um bom momento para aumentar a posição da carteira em ações, aos poucos, pois estávamos num primeiro suporte.

Após três semanas, o IBOV subiu mais de 8% e mostra sinais claros de força compradora.

O desempenho da bolsa brasileira ainda é um dos piores em 2020, e por isso, uma recuperação mais robusta poderá ocorrer ainda neste ano.

Análise Técnica  

No gráfico diário o IBOV rompeu as linhas de tendência de baixa (linhas vermelhas oblíquas) e buscou o último topo em 102 / 103 mil pontos. Em minha opinião, apesar do cenário altista para os próximos dois a três meses, o mais provável é que o índice passe por alguma correção nos próximos dias para aliviar o estado sobrecomprado (a queda no dia de hoje pode ser o começo deste movimento).



Uma correção seria “saudável” até 97 /98 mil pontos. Daí, ganharíamos força para buscar alvos mais distantes.

No gráfico semanal a situação é ainda melhor para os comprados. A correção nos meses de julho, agosto e setembro foi muito bem-vinda, e agora, temos muito espaço para subir. O estreitamento das bandas de Bollinger prenuncia um grande movimento em breve (por esse indicador não sabemos a direção). Se a alta se confirmar, os alvos iniciais em 105 e 120 mil pontos.



Um ponto muito importante: o setor bancário, que estava adormecido e muito descontado, subiu fortemente e poderá retornar aos níveis pré-pandemia. Talvez, a Petrobrás siga pelo mesmo caminho.

Fundamentos

As eleições americanas trarão muita volatilidade aos mercados internacionais, mas creio que não teremos grandes movimentos direcionais nas bolsas dos EUA nas próximas semanas.

Curiosidade: na última eleição em 2016, o Mercado “preferia” a vitória dos Democratas e chegou a cair 7% na madrugada do dia da apuração, mas após a vitória de Trump, a bolsa americana subiu mais de 50% em 4 anos.

As eleições municipais no Brasil terão pouco impacto na B3, a princípio. E mais. O cenário político nacional me parece mais calmo, o que favorece os ativos de risco neste último bimestre.

Qualquer “promessa” de melhoria no quadro fiscal poderá impulsionar o mercado acionário.

Num cenário de juros “zerados”, os ativos reais de renda variável são menos arriscados (e atrativos) que alguns produtos de renda fixa.

A divulgação dos balanços do 3T poderá guiar o rumo das bolsas.

Por último, sempre é bom lembrar que no mercado financeiro não existem certezas, e sim, probabilidades. Novidades podem surgir a qualquer momento e alterar as expectativas.

Desta forma, não exagere na dose de renda variável!  

Aguardemos. 

MJR

As opiniões postadas no blog são apenas posições do autor sobre o tema, e não constituem em si, recomendações de compra ou venda de ativos. E mais. O investimento no mercado de renda variável pode gerar prejuízos.



quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Outubro 2020 – Atualização IBOV

 


Se o mês de agosto tinha sido ruim para a bolsa brasileira, em setembro o desempenho do IBOV foi ainda pior: queda aproximada de 5%. A diferença é que as bolsas americanas também caíram nesse último mês, menos do que o IBOV, mas caíram. Seguimos num desempenho relativo muito ruim.

Vinha insistindo nos meus comentários que o patamar de 98 / 100 mil pontos era muito relevante. Segurou o mercado por muito tempo, mas após a perda desse suporte, o IBOV buscou a faixa dos 93 mil pontos, também já comentada.

O que fazer? Antes comentarei alguns drivers importantes para o caminho do IBOV no próximo mês (ou meses):

1)       Se a correção nos mercados americanos persistir, o IBOV vai junto. E há espaço para a continuidade das quedas por lá.

2)       Graficamente, o IBOV está numa clara tendência de baixa de curto prazo, após o topo do final de julho.



3)       As eleições americanas trarão muita volatilidade aos mercados.

4)       O cenário fiscal no Brasil continuará sendo nosso principal obstáculo.

5)       A pandemia não passou, mas está passando. E vai passar. Já existem evidências claras nesse sentido. O pior já passou. Lembre-se de que o mercado de ações anda no mínimo seis meses à frente da economia real.

Seguem meus pensamentos:

1)       Mesmo sabendo que ainda temos espaço para cair mais (próximos suportes do IBOV em 90 e 83 mil pontos), acredito que chegou a hora de começar a colocar o nosso “caixa” para trabalhar – é praticamente impossível acertar os fundos. E na minha opinião o risco-benefício atual compensa essa postura (os alvos esperados são proporcionalmente maiores do que os possíveis suportes, e estamos num primeiro forte suporte – 93 / 94 mil pontos). Desta forma, vá comprando aos poucos, sem atropelos. Opte por aumentar a posição nos melhores ativos. Evite as posições perdedoras. E lembre-se de manter o caixa de curto prazo.

2)       Mantenha a diversificação da carteira e uma rigorosa seleção de ações.

3)       Continue evitando os títulos prefixados. Os juros futuros continuaram subindo em setembro e podem subir muito mais. E outra. Se você for adquirir títulos atrelados à inflação, compre com parcimônia. No futuro poderemos compra-los com preços mais descontados.

4)       Se o cenário fiscal deteriorar, além dá disparada dos juros futuros, o dólar continuará forte frente ao real. A barreira dos 6 reais poderá ser rompida. Todavia, uma melhora do cenário fiscal no Brasil (reformas e boas notícias) pode derrubar a cotação da moeda americana.

5)       O ouro, curiosamente, também cedeu em setembro, da mesma forma que no começo de março (início da pandemia), mas acredito que após a turbulência do mercado de ações, o metal voltará a se valorizar.

6)       Mercado imobiliário: na minha opinião é um dos melhores setores para investimentos no cenário atual, pois os indicadores são conflitantes. Enquanto os dados da economia real no setor imobiliário estão bons (em breve escreverei sobre o assunto), os preços dos ativos se depreciaram fortemente nos últimos dois meses, especialmente as ações de empresas de construção civil listadas em bolsa.

7)       E mais. Acredito que o cenário dramático vivido no setor de Shoppings ficou para trás. A recuperação virá de uma maneira paulatina, mas virá. As ações e os fundos imobiliários atrelados a esse segmento estão descontados.

Bons investimentos.

*Fique atento: qualquer sinal gráfico mais contundente de fundo no IBOV, eu postarei no Blog.

MJR

Conheça o meu novo site: www.investircadavezmelhor.com.br 



sábado, 26 de setembro de 2020

Qual o meu conceito de “investir sozinho”?

 


Desde que comecei a escrever o meu primeiro livro em 2013, sempre usei a expressão “aprenda a investir sozinho”. Para mim já é um “jargão”. Mas, outro dia um amigo próximo me perguntou: “Marcelo, o que você quer dizer com investir sozinho”. Fiquei refletindo sobre o assunto e resolvi escrever, ou melhor, detalhar o meu pensamento e compartilhar com os meus leitores.

Já deixo aqui o resumo e o mais importante: todas as decisões tomadas na montagem de uma carteira de investimentos devem ter o aval final do “dono do dinheiro” – o investidor. Você pode e deve ter o auxílio de outras pessoas, mas a palavra final sempre deverá ser sua. Isso é mandatório.

Posto isto, como chegar à decisão final. Veja os passos:

1.      O passo inicial é que o cidadão não especialista no mercado financeiro precisa querer ser um investidor. E precisa ter convicção. Apesar de ser uma tarefa relativamente simples, ela exigirá dedicação, conhecimento e esforço do potencial investidor. E mais. O ato de investir está sempre atrelado à dúvida – não temos o controle algum sobre o desempenho futuro dos diversos ativos, aliás, ninguém tem. Na escolha entre dois ativos hipotéticos, A e B, na escolha de um, você está abrindo a mão do outro, e isso usualmente gera dúvida e estresse. Faz parte do dia a dia. Não tem como ser diferente.

2.      O segundo passo é ter dinheiro para investir. Desta forma, você necessariamente precisa separar uma parte do seu salário para colocar na sua carteira de investimentos, e de preferência que isso ocorra todos os meses. É preciso ter disciplina. Aqui outro ponto “negativo” para o investidor: você está abrindo mão de um consumo imediato para usufruir no futuro, e isso gera desconforto e quase sempre não é muito prazeroso. O ser humano, em geral, prefere as realizações de imediato, no presente. É preciso controlar esse instinto. Os maiores retornos são obtidos com os investimentos de longo prazo. Essa é a regra!

3.      O terceiro passo é estudar muito sobre o tema. Como o assunto não é abordado na grade curricular da maioria das escolas e universidades no Brasil, quase sempre aprendemos na prática. Decididamente, no começo não é uma tarefa fácil, mas depois, a descoberta do fascinante mundo dos investimentos é muito recompensadora por dois motivos: o prazer do conhecimento e o bom resultado na sua carteira de investimentos – lucros cada vez maiores (o fantástico mundo dos juros compostos a seu favor). Porém, pra tanto, é preciso muita dedicação e esforço, aproveitando as horas livres de descanso, isto é, você irá trocar seu tempo livre para estudar. Mais um fator “negativo”.

4.      Quarto passo: obrigatoriamente, você precisará abrir uma conta numa corretora de valores. E isso, para a maioria dos brasileiros, é um fator de estresse, pela novidade. Não éramos acostumados a isso (fomos criados em cenários de juros altos e retornos fáceis, sem riscos, aplicando em produtos disponíveis nos bancos comerciais). Atualmente, o processo de abertura de conta numa corretora é muito simples e quase sempre, tudo on-line. Basta você escolher uma boa corretora e executar o registro.

5.      O quinto passo, e talvez um dos mais importantes, é montar uma carteira de investimentos. Um dos princípios mais relevantes é a diversificação, ou seja, não podemos concentrar nosso dinheiro em poucos ativos. E mais, é preciso montar uma carteira para enfrentar os diferentes cenários vindouros. Mais uma vez, ninguém tem bola de cristal sobre o futuro. Temos apenas perspectivas. Esqueça os profetas de plantão!

6.      O sexto passo é descobrir o seu perfil de investidor. Algumas pessoas são mais tolerantes aos riscos, outras mais avessas. É preciso respeitar suas ideias e conceitos. A minha carteira ideal pode muito diferente da sua, e vice-versa. Não abandone seu perfil. Nunca.

7.      O sétimo e último passo é dividir sua carteira de investimentos em pelo menos dois nichos, visando horizontes diferentes, curto e longo prazo. No primeiro, a liquidez e o risco reduzido são as prioridades, e por isso os retornos serão menores. No segundo, podemos e devemos arriscar mais no intuito de auferir maiores ganhos. Para alcançarmos a independência financeira os investimentos de longo prazo são imprescindíveis. Já as reservas de emergência devem ser colocadas nos ativos de curto prazo (liquidez imediata e baixo risco).

Os analistas independentes, os agentes autônomos e os gerentes de banco, dentre outros especialistas, podem lhe auxiliar, mas a decisão final sempre deverá ser sua. Tenha muito cuidado com os conflitos de interesse. Isso é muito importante. Uma eventual sugestão pode não ser a melhor opção para você. É preciso estudar e, principalmente, entender cada produto oferecido.

Eu, para montar a minha carteira pessoal, leio inúmeras análises de diversas casas independentes de research e também das próprias corretoras de valores e bancos. Acompanho diariamente a opinião dos principais gestores, leio livros e artigos, e acompanho entrevistas e lives no Youtube. Somente após tudo isso que resolvo o que fazer. A ideia é buscar o maior número de informações, haja vista que o mercado financeiro é muito amplo, mas repito, a decisão final e a responsabilidade sobre a montagem da carteira sempre são minhas. É preciso botar a mão na massa. Não pode ser diferente. Não podemos culpar os outros sobre os nossos fracassos.

Outro ponto relevante: o processo de investir é muito dinâmico. Uma boa opção no dia de hoje pode ser péssima daqui a seis meses, por exemplo. Assim, o estudo e o acompanhamento da carteira deve ser frequente – no mínimo a cada três meses. Por outro lado, evite mudanças em excesso.

Para finalizar, gostaria de comentar que a função dos meus mais variados livros é inserir o investidor iniciante no mundo dos investimentos, encurtando a trajetória do sucesso e criando uma ponte para novas fontes de conhecimentos.

Aprenda a investir sozinho.

Bons investimentos.

MJR



segunda-feira, 31 de agosto de 2020

IBOV – Atualização Setembro 2020


Enquanto as bolsas americanas subiram mais de 7% no mês de agosto, o IBOV caiu mais de 3%.

Pior. O desempenho frente a outros países emergentes também é muito ruim. O Brasil está na “lanterninha” na recuperação das bolsas mundiais após o crash de março de 2020.

Veja a seguir, o comparativo entre o desempenho dos principais países emergentes e o IBOV dolarizado (fonte: gráfico produzido pelo analista Raphael Figueiredo).


Comentei algumas vezes desde julho que o ímpeto altista da bolsa brasileira tinha perdido fôlego – momentum.

Todavia, é verdade também que o IBOV não tem força para corrigir mais agudamente. E, por isso, o índice segue, há mais de um mês, rondando os 100 mil pontos.

Tal fato ocorre, pois alguns ativos estão segurando o IBOV (altas relevantes nesse período): varejistas, empresas de commodities dolarizadas (celulose, minério, etc.).

Boa parte dos analistas, e eu me incluo nessa, sugere que o fraco desempenho recente do índice brasileiro se deve ao quadro fiscal que se deteriorou fortemente no pós-pandemia (aumento dos gastos públicos e redução da receita). E mais. O governo não consegue avançar nas reformas e nas privatizações.

Posto isto, o que fazer em setembro?

Primeiro, é tempo de cautela. Não é hora de apostar “all-in”. Ainda não temos um sinal gráfico forte mostrando o caminho mais provável para o IBOV no curto prazo (será que a forte queda no dia de hoje é começo de uma correção mais acentuada? Veja imagem a seguir).


O ideal é continuar com uma carteira bem diversificada e sem exceder no tamanho da posição. A seleção adequada de ações também é de suma importância – stock picking.

Mantenha também um bom caixa. Numa eventual correção você poderá aumentar as posições pagando mais barato do que os preços atuais.

O dólar no mundo está perdendo força (dólar index), mas por aqui ele segue forte. Até quando? Não sei. Mais um efeito da situação fiscal brasileira. Entretanto, em algum momento no futuro, o dólar poderá ceder mais fortemente – os fundamentos sugerem isso.

O ouro continua com muita força no mercado mundial. É o atual hedge ideal para a carteira.

Juros. Venho comentando há algum tempo que devemos ter cuidado na exposição ao mercado de juros prefixados, em virtude da volta da inflação e da possível subida de juros pelo Banco Central em 2021. Nas últimas semanas vários gestores aumentaram o tom nesse alerta.

Acredito que as bolsas americanas entrarão num processo de aumento da volatilidade nos próximos meses em virtude das eleições americanas em novembro. Prepare-se. Com certeza o movimento de lá será repercutido por aqui. Assim, tenha muito cuidado com a alavancagem em excesso (uso de derivativos).

Por último, uma mensagem: lembre-se de que o mercado financeiro é um mecanismo de transferência de dinheiro dos mais impacientes para os mais pacientes. Seja paciente, especialmente em períodos de indecisão, como o atual.

Bons investimentos.

MJR




sábado, 15 de agosto de 2020

Atualização do IBOV – 100 mil pontos: o divisor de águas


O movimento do IBOV nas duas últimas semanas reflete claramente uma fraqueza momentânea do mercado brasileiro.

Desde o crash de março seguimos de perto a recuperação dos índices americanos. Veja o comparativo: Nasdaq, S&P, DJI e IBOV (na ordem, de cima para baixo).


Todavia, perceba no segundo gráfico (ampliado) que, enquanto os índices americanos subiram no período mais recente, a bolsa brasileira caiu 6% - a primeira divergência mais consistente desde março.


Nos últimos dois posts já tinha comentado que o IBOV perdeu momentum. E isso fica cada vez mais nítido nos gráficos.

O saldo de volume também favorece um mercado mais fraco na alta.

E mais. Vários ativos importantes do IBOV já estão em correção mais acentuada.

A perda ou não dos 100 mil pontos será o divisor de águas. Para ser mais exato, o suporte imediato está em 98 mil pontos junto com a média móvel de 200 períodos.

Se perdemos esse patamar, o mercado deverá buscar os 90 mil pontos e, quem sabe, os 83 mil pontos – suportes importantes.

E curiosamente, uma correção mais aguda no IBOV seria muito importante para aliviar o estado sobrecomprado da bolsa brasileira no atual cenário, o que melhoraria a margem de segurança para o investimento em ações, atraindo mais investidores.

Por outro lado, caso o IBOV mostre força na faixa dos 98 / 100 mil pontos, poderemos voltar a subir e de maneira intensa.

Fique atento aos principais fatores de combustão para o movimento do IBOV:

1)     Melhora ou piora do cenário político-econômico no Brasil.

2)     O caminho dos índices americanos.

Para mim, o mais relevante será o movimento das bolsas no mercado externo. Tenho total convicção de que o IBOV ainda não recuou mais fortemente pela resiliência do mercado externo que está rondando suas máximas.

Por último, um comentário sobre o dólar. Nas últimas semanas, a faixa dos 5,48 segurou o câmbio, porém se rompida, o dólar poderá testar novos picos, especialmente se o cenário fiscal piorar.

MJR


quarta-feira, 12 de agosto de 2020

A migração do dinheiro entre os setores

 


Desde o meu primeiro livro publicado em 2013, sempre comentei sobre a constante migração do dinheiro entre os vários setores da economia listados em bolsa.

Exemplo: digamos que a “bola da vez”, independentemente dos fundamentos, seja o setor de siderurgia. O dinheiro fica concentrado por lá por algum tempo e os preços sobem muito, mas chega num ponto que o risco da operação não mais faz sentido. É hora de realizar lucros e escolher o próximo setor candidato ao próximo ciclo de alta. E assim por diante.

No mercado financeiro isso sempre aconteceu, mesmo antes da inundação de dinheiro determinada pelos bancos centrais mundo afora em 2020 e dos juros zerados em quase todos os países.

Após o impacto inicial do coronavírus, os investidores “correram” para os setores mais vencedores durante a pandemia, especialmente o de Tecnologia. As “Big Techs” americanas passaram a ser o “Porto Seguro”. Por outro lado, vários setores foram esquecidos, especialmente aqueles muito prejudicados pela doença, como o de turismo, por exemplo.

Isso fica muito nítido quando você compara o desempenho dos índices americanos no pós-pandemia: o Nasdaq (tecnologia) renovou suas máximas em plena pandemia; o S&P está muito próximo do topo histórico; já o Dow Jones (DJI) teve um bom desempenho, mas aquém dos outros.

Todavia, nos últimos dias, essa lógica se inverteu, e o DJI lidera os ganhos no mercado americano. Será uma coisa momentânea ou o início da migração do dinheiro?

Lendo a newsletter do Felipe Miranda, no dia de hoje, ele comenta justamente isso. As boas notícias da vacina podem acelerar o processo de migração do dinheiro para os setores mais tradicionais e diminuir o ímpeto do setor de tecnologia.

A propósito: a divulgação da vacina russa no dia de ontem, independentemente da sua eficácia ou não, desencadeou uma “aceleração” das outras vacinas, o que é muito positivo para todos nós, exceto para os profetas do apocalipse, capitaneados por alguns órgãos de imprensa que adoram disseminar o medo na população.

Fique atento aos próximos passos do mercado e siga o fluxo do Mercado.

*Por aqui, um agravante: a debandada de alguns fortes nomes da equipe econômica colocou uma pulga atrás da orelha do Mercado, o que está prejudicando o desempenho da bolsa brasileira no dia de hoje. E isso pode piorar nos próximos dias.

Bons investimentos.

MJR



quarta-feira, 5 de agosto de 2020

Um caminho obscuro pela frente




Em mais de 12 anos atuando no mercado financeiro, confesso que nunca tive tanta dúvida sobre o futuro do IBOV no curto prazo.

É verdade que quase sempre não sabemos o que ocorrerá no dia de amanhã, mas para os próximos dias ou semanas, usualmente, temos alguma noção sobre o rumo da bolsa de valores.

No último post comentei sobre a resiliência do IBOV em seu movimento de alta desde o “Tsunami” ocorrido em março. E isso de fato ocorreu.

Mas, nos últimos dias, a bolsa brasileira perdeu força. Enquanto o S&P continuou subindo, por aqui o IBOV caiu quase 4% em alguns pregões (no dia de hoje o mercado tenta reagir).

Ficou claro pra mim que ao IBOV perdeu momentum. Pode ser uma coisa temporária (alguns dias), mas quem sabe, pode ser o início de tempos mais difíceis.

Acompanho, no meu dia a dia, vários gestores e analistas. Dois deles têm um ótimo histórico de acertos. E a opinião entre eles é conflitante. Um sugere que devemos ter muita cautela no momento atual, mantendo um forte caixa e reduzindo a parcela de renda variável. O outro sugere que a bolsa continuará em alta no mês de agosto.

O que fazer?

Em tempos de incerteza o melhor é ficar calmo e equilibrar as posições na carteira de investimentos.
Decididamente não é hora de arriscar e muito menos sair comprando a qualquer preço. Também não é hora de deixar o mercado de ações.

Assim, mantenha uma carteira diversificada: caixa, renda fixa, ações, fundos imobiliários, previdência, ouro e dólar. Respeite seu perfil e seus horizontes.

Relembrando: o viés da bolsa ainda é de alta. E do ouro também, aliás, por aqui, o OZ1D (ouro físico negociado na B3) renovou a máxima (350 reais o grama).

Já para o dólar, o viés recente é de baixa. 

Por último, continue atento ao movimento do mercado americano. Qualquer correção mais profunda por lá, a queda por aqui pode ser ainda mais forte. Por outro lado, mais altas por lá, deveremos voltar a subir rumo aos 108 mil pontos e, depois, quem sabe, buscar o topo histórico.

Atenção aos suportes imediatos: 98, 90 e 84 mil pontos.

O IBOV no dia de hoje está cotado em cerca de 102.500 pontos. 

É tempo de cautela.

MJR

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