segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Atualização mensal do IBOV – Setembro 2019




Desta vez faço diferente. Escrevo a coluna mensal alguns dias antes do início do mês seguinte.

E faço isso por um motivo simples: vejo grandes oportunidades no mercado de ações.

E, usualmente, as maiores oportunidades são fugazes.

Desde meados de julho venho comentando que o IBOV corrigiria até os 100 mil pontos ou menos. 
No momento em que escrevo, o IBOV perdeu os 97 mil pontos.

Em minha opinião, o movimento de queda ocorreu principalmente em virtude do cenário externo desafiador e a fuga dos investidores estrangeiros do Brasil – saldo negativo em 21 bilhões de reais em 2019 (quase 11 bilhões somente em agosto).

E mais, por aqui não tivemos novidades relevantes no cenário político e econômico, assim, o IBOV e vários ativos “precisavam” de uma correção após a última pernada de alta que ocorreu entre maio e julho. É um movimento natural e corriqueiro. O índice precisava ganhar fôlego para novos voos. Quem sabe: rumo aos 116 / 120 mil pontos até o fim de 2019.

Acho que o fim da correção está próximo, porém, acertar os fundos e os topos de um ativo é uma missão quase impossível. Precisamos assumir a ignorância.

Teoricamente o BULL MARKET estrutural de longo prazo continua o mesmo.

Desta forma, acredito que chegou a hora de aumentar as posições em bolsa, especialmente para os ativos que recuaram com mais força. A saber: enquanto o IBOV caiu 10%, alguns ativos importantes desabaram mais de 30%.

Faça isso aos poucos, sem atropelos, pois a queda poderá continuar por mais algum tempo, especialmente se o cenário externo degringolar ou surgir algum “cisne negro” político por aqui. E invista somente o dinheiro de longo prazo.

Graficamente, existe uma barreira fortíssima para o IBOV na faixa entre os 94 e 97 mil pontos (retração de 61,8% de Fibonacci, MM200 e LTA de longo prazo). Acho improvável o IBOV perder esse suporte no atual momento. Mas, tudo é possível.



O próximo suporte estaria na faixa de 89 mil pontos. Se perdêssemos esse patamar, o cenário para o IBOV ficaria muito preocupante. Todavia, até aqui, uma possibilidade remota!

O IBOV, desde janeiro de 2016, tem respeitado os principais suportes. Um dos pilares da Teoria de Dow: a tendência vigência continua intacta até o surgimento de sinais claros de reversão. Estamos muito longe disso.

Aproveite as “promoções” que o próprio mercado financeiro nos oferece, mas não exagere na dose. Evite exposição em excesso ao mercado de ações e mantenha os pés no chão.

Respeite seu perfil de investidor. E não se esqueça: diversifique a carteira. Sempre!

MJR

As opiniões postadas no blog são apenas posições do autor sobre o tema, e não constituem em si, recomendações de compra ou venda de ativos.




domingo, 4 de agosto de 2019

Atualização mensal do IBOV – Agosto 2019




Bingo! Sobe no boato, cai no fato.

Esse manjado ditado na bolsa de valores é quase sempre verdadeiro.

Após o topo do IBOV em 106 mil pontos no dia 10 de julho, já são quase quatro semanas em queda.

Será que estamos próximos do fim da correção?

Eu, particularmente, acredito que poderemos cair um pouco mais.

O suporte de 100 mil pontos é o próximo alvo numa eventual continuidade da correção.

Esse seria o cenário ideal para a retomada do BULL MARKET: a correção do índice até a faixa dos 100 mil pontos ou um pouco menos (95 a 97 mil pontos).

Todavia, tecnicamente, o IBOV já aliviou o estado sobrecomprado e corrigiu nas periodicidades semanal e diária.



Desta forma, é preciso ficar atento aos próximos passos do IBOV, pois a retomada da pressão compradora poderá recomeçar a qualquer momento.

Após a queda dos juros básicos na semana passada, os compradores deverão voltar com força total, especialmente os estrangeiros, que retiraram mais de seis bilhões de reais do mercado de ações em julho.

Uma ressalva: o cenário externo poderá prejudicar temporariamente o ímpeto altista do mercado brasileiro, pois por lá, o cenário mais provável é um prolongamento da correção no mês de agosto, iniciada na última semana.

Por aqui, as atenções estarão concentradas na votação da reforma da previdência em segundo turno na Câmara e o início da discussão no Senado Federal. Qualquer novidade “ruim” deverá afetar os preços, negativamente.

E, por último, não preocupe com os ruídos frequentes do Twitter do Presidente. Isso não muda o cenário econômico promissor.

Posto isto, talvez por enquanto, o melhor seja aguardar, nada a fazer, ao menos até um sinal mais forte no gráfico diário que poderá ocorrer em breve. 

Aguardemos.

MJR


As opiniões postadas no blog são apenas posições do autor sobre o tema, e não constituem em si, recomendações de compra ou venda de ativos.



quarta-feira, 10 de julho de 2019

Atualização extraordinária do IBOV – Sobe no boato, cai no fato?




A minha expectativa de uma pequena correção no começo de julho não foi efetivada.

As ressalvas feitas por mim para a continuidade na alta do IBOV foram confirmadas: trégua na guerra comercial EUA-China após o G20 e, principalmente, a aceleração dos trâmites da reforma da previdência no congresso, que deverá ser votada, e aprovada, em dois turnos antes do recesso parlamentar. E mais. Em pesquisa recente, subiu o contingente da população que apoia a reforma, 47%, o que facilita a vida dos deputados.

Daí uma pergunta surge: até onde o IBOV irá no curto prazo: 107, 110, 115 mil pontos ou mais?

No mercado de renda variável não existem certezas. Tudo é possível. Previsões equivocadas são corriqueiras. Todavia, em minha opinião, acho que estamos próximos do fim da alta no curto prazo. A votação da reforma da previdência na câmara poderá ser o “start” da correção.

Veja as razões:

1 = O mercado financeiro sobe no boato e cai no fato. Essa máxima do mercado é recorrente e quase sempre verdadeira. É a precificação dos ativos antes dos fatos consumados.

2 = A alta vigente do IBOV que começou em meados de maio de 2019 já está perto dos 20% – de 89 a 106 mil pontos. Essa alta é semelhante às escaladas anteriores desde maio de 2017 até aqui. No final de maio, a minha projeção para o IBOV era de 106 mil pontos, porém no final de junho eu revisei a expectativa para 103 mil pontos, o que foi um equívoco da minha parte. Meus novos estudos apoiados em gráficos de longo prazo mostram que existe uma resistência para o IBOV nos níveis entre 106.400 e 107.240 pontos (projeções de Fibonacci desde o fundo de maio de 2017). Veja:


3 = Nenhum ativo sobe em linha reta, mesmo numa forte tendência de alta. Uma hora o mercado corrigirá. Poderá ser amanhã, poderá ser na próxima semana ou daqui a 30 dias. Ninguém sabe. Ninguém saberá. Uma coisa é certa, nos níveis atuais do IBOV, os compradores perderão o apetite por mais compras: muito risco e pouco upside de curto prazo. E isso freará o ímpeto de curto prazo.

4 = Uma realização agora seria natural e muito bem-vinda. Os comprados “necessitam” realizar os lucros, mesmo que de forma parcial. E quem ainda não participou da festa “precisa” entrar em níveis menos arriscados.

5 = Então é hora de vender tudo e sair da bolsa? Decididamente não. Porém, uma pequena realização parcial ou a compra de alguns seguros (derivativos) seja o mais recomendado para o momento. E o que não pode ser feito? Em minha opinião, operar na ponta vendedora é uma atitude inadequada e pouco inteligente. Apostar contra a tendência vigente, usualmente tem péssimos resultados.

6 = Por último, num mercado em alta, como o atual, os próximos topos serão mais altos do que os anteriores, e os fundos também mais altos do que os precedentes. Aliás, é justamente o recuo do ativo com fundo acima do anterior que confirma a tendência de alta. A saber: os últimos importantes fundos do IBOV desde meados de 2018 foram: 69, 74, 83 e 89 mil pontos. Acredito que numa futura correção o próximo fundo ficará entre 97 e 100 mil pontos.

Não obstante a tudo isso, é bom ressaltar que até o momento em que finalizo esse texto (10/07 às 15:30), ainda não existem sinais claros, na periodicidade diária, apontando que a correção do IBOV já chegou. É apenas uma expectativa baseada em análise dos movimentos recentes. Posso estar certo ou não. Não há certeza!

E o mais relevante. O BULL MARKET de longo prazo continua intacto. Para aqueles avessos às negociações de curto prazo, o momento é de ficar “quieto”, curtir a alta, saborear os lucros e aguardar um momento melhor para voltar às compras e aumentar as posições.

Bons investimentos!

MJR


As opiniões postadas no blog são apenas posições do autor sobre o tema, e não constituem em si, recomendações de compra ou venda de ativos.




domingo, 30 de junho de 2019

Atualização mensal do IBOV – Julho 2019




Bingo. O meu otimismo com a bolsa brasileira no fim de maio foi confirmado e o IBOV subiu fortemente em junho (cerca de 4%).

A princípio, eu esperava por uma alta até os 106 mil pontos. Mas, meus estudos subsequentes mostraram que já atingimos o alvo desta “pernada de alta”: 103 mil pontos.

Posto isto, acredito que no curto prazo o IBOV deverá passar por uma correção em julho. Nada preocupante. Os alvos da correção são os 99 / 100 mil pontos e depois a faixa dos 95 / 96 mil pontos. 

Reveja o gráfico no começo do post:

Se isso de fato ocorrer, teremos fôlego renovado para mais altas a partir de agosto.

Todavia, é preciso ficar de olho em dois pontos:

1 = Uma aceleração da reforma da previdência ainda em julho, não esperada, poderá empurrar o IBOV pra cima.

2 = Na última semana tivemos o encontro do G20. Uma “real” trégua comercial entre a China e os EUA poderá elevar os índices americanos, e daí, seguiremos juntos.

O mais importante: o BULL MARKET da bolsa brasileira continua firme e forte. Independentemente do caminho de julho, o futuro da bolsa brasileira segue muito positivo.

Desta forma, utilize os momentos de baixa para aumentar sua posição no mercado acionário. Já nos momentos de muita euforia, como o de agora, talvez o melhor seja realizar uma parte dos lucros obtidos ou proteger a carteira. Para aqueles investidores mais conservadores, a manutenção da carteira também é uma alternativa interessante. A única coisa que eu não faria é aumentar a posição no atual patamar.

Bons investimentos.

As opiniões postadas no blog são apenas posições do autor sobre o tema, e não constituem em si, recomendações de compra ou venda de ativos.



segunda-feira, 3 de junho de 2019

Atualização mensal do IBOV – Junho 2019






Tivemos um mês de maio sensacional. Volatilidade extrema!

Como eu imaginava no último post, o IBOV começou o mês no terreno negativo, caiu fortemente e bateu no poderoso suporte em 90 mil pontos.

Isso trouxe fôlego para o mercado local que voltou a subir de forma sustentável.

E o mais curioso, o IBOV se descolou dos mercados americanos. Lá, a queda no mês de maio foi expressiva (mais de 6%).

Mas a surpresa maior estava por acontecer. A partir de meados de maio, o principal índice brasileiro subiu fortemente, fechando o mês de maio em leve alta, o que não acontecia nos meses de maio há muito tempo.

Eu, particularmente, não esperava uma recuperação tão rápida e sólida, o que mostrou muita força, reafirmando nosso BULL MARKET de longo prazo.

E agora, até onde poderemos chegar (curto prazo)?

No atual patamar, 97 / 98 mil pontos, o IBOV poderá sofrer algum tipo de pressão vendedora no curto prazo em virtude do estado sobrecomprado, nada preocupante. Todavia, acho que podemos ir muito mais longe. Os alvos por Fibonacci no gráfico semanal são 99 / 100 mil pontos e depois 106 mil pontos.



Do ponto de vista de fundamentos, a aceleração da reforma da previdência na Câmara dos Deputados poderá ser o gatilho para novas altas.

Se nos últimos meses eu estava pessimista, agora acho que poderemos atingir novos patamares históricos em junho / julho.

A ver.

MJR

As opiniões postadas no blog são apenas posições do autor sobre o tema, e não constituem em si, recomendações de compra ou venda de ativos.




quarta-feira, 1 de maio de 2019

Atualização mensal do IBOV – Sell in may and go away?




O índice Bovespa continua “encaixotado” na faixa entre 92.000 e 97.500 pontos.  

Se o IBOV romper a resistência no gráfico diário fará um pivot de alta e o mais provável seria a continuidade da alta rompendo definitivamente os 100 mil pontos.

Por outro lado, se perdemos o suporte imediato, poderíamos buscar níveis ainda mais baixos, já comentados nos meses anteriores.

Em cenários de indefinição, como o atual, é praticamente impossível definir o rumo do IBOV no curto prazo. É preciso aguardar sinais mais claros de rompimento dos extremos da congestão.

Definitivamente, o mercado financeiro está esperando a definição do andamento da reforma da previdência no congresso. É consenso que alguma reforma passará. Mas não sabemos qual? Que nível de economia para os cofres públicos nos próximos anos?

E o congresso parece estar alheio à estagnação econômica. Ao invés de dar celeridade nas discussões, o que vemos é muita morosidade. É inacreditável. Nessa semana do feriado de primeiro de maio, praticamente não teremos atividades em Brasília. Parece piada, mas não é!

Outro agravante para o IBOV: a sazonalidade! Os meses de maio costumam ser muito ruins para o mercado de ações mundo afora, especialmente por aqui nos últimos anos. E mais: o mercado americano está em alta há quatro meses. Se lá “azedar”, aqui possivelmente seguiremos juntos.

Posto isto, confesso que continuo pessimista para o IBOV no curto prazo. Apenas o rompimento dos 97.500 / 100 mil pontos (com volume financeiro) me faria mudar de ideia por agora. Eu, particularmente, não acredito que isso ocorra nesse momento. Mas, no mercado de ações tudo é possível.

Por outro lado, meu otimismo para o longo prazo permanece intacto. O IBOV ainda tem muito chão pela frente. A tendência de alta no gráfico semanal continua firme e forte. Veja:



Um fator que pode (ou não) ajudar no desempenho de curto prazo do IBOV é a onda de publicação dos balanços corporativos do primeiro trimestre nos próximos dias.

Aguardemos.

MJR

As opiniões postadas no blog são apenas posições do autor sobre o tema, e não constituem em si, recomendações de compra ou venda de ativos.



sexta-feira, 29 de março de 2019

Atualização mensal do IBOV – Prepare-se, a volatilidade vai continuar!




Em minha opinião o IBOV iria corrigir em março. Contrariando a minha expectativa, o índice começou o mês com força e conseguiu atingir a tão comentada marca dos 100 mil pontos. Todavia, no dia seguinte a bolsa brasileira começou a corrigir fortemente (cerca de 10% em poucos dias), culminando na forte queda da última quarta-feira. Porém, nos últimos dois dias, o mercado recuperou boa parte das perdas e terminou o mês próximo do zero a zero (ainda faltam 100 minutos para o mercado fechar).

Devemos nos acostumar com essa forte volatilidade do IBOV até a aprovação da reforma da previdência. Notícias boas impulsionarão a bolsa, por outro lado, obstáculos e trocas de farpas entre os poderes executivo e legislativo derrubarão fortemente o mercado de ações e o dólar vai disparar.

Para mim isso ficou bem claro. É a maneira que o Mercado tem para ser “escutado” em Brasília. Se as coisas andarem bem, bolsa para cima e dólar e juros futuros para baixo. E vice-versa.

Como escrevi no post anterior, a reforma da previdência é imprescindível para destravar a economia brasileira e o país voltar a crescer. O capital estrangeiro de longo prazo e o investidores locais aguardam a aprovação da reforma para voltar a investir “pesadamente” no Brasil, especialmente em infraestrutura. E isso gerará muitos empregos e aumentará os lucros das empresas. Neste cenário, a bolsa “explode” para cima. O céu é limite!

Contudo, para o curto prazo, eu particularmente acho que o viés do IBOV é baixista. Uma correção até os 89 / 90 mil (ou menos) ainda é possível. Outra possibilidade é o IBOV “andar de lado” no mês de abril, oscilando entre 91 e 100 mil pontos, a depender das notícias de Brasília. Não acredito no rompimento definitivo dos 100 mil pontos para as próximas semanas. A ver.

Assim, o momento exige muita paciência por parte do investidor. O ideal é continuar posicionado na compra, se possível adicionando alguns “seguros” ao portfólio, e manter a liquidez de parte dos investimentos, pois novas oportunidades de compras devem surgir. Uma alternativa é aumentar a posição acionária aos poucos, especialmente após as quedas vertiginosas, como aquela ocorrida no dia 27/03. Já o dólar e os juros futuros deverão oscilar de maneira inversamente proporcional ao IBOV.

Bons investimentos.

MJR


* As opiniões postadas no blog são apenas posições do autor sobre o tema, e não constituem em si, recomendações de compra ou venda de ativos.




quarta-feira, 27 de março de 2019

A insensibilidade dos mandatários em Brasília.





Ontem à noite, em ritmo frenético, a Câmara dos deputados aprovou a “PEC do Orçamento”, por ampla maioria. Ao que tudo indica simplesmente para “cutucar” o Presidente Bolsonaro, e mostrar que sem negociação com os parlamentares, o Governo não governa, simples assim. Os últimos presidentes que “bateram de frente” com os líderes da Câmara sofreram impeachment no Brasil, Collor e Dilma.

Por outro lado, já estamos no final de março e a PEC da Reforma da Previdência enviada em fevereiro progride em ritmo de tartaruga. É inacreditável! Enquanto isso, milhões de desempregados continuam sofrendo nas ruas com a insensibilidade dos políticos em Brasília. A aprovação da reforma destravaria a “nossa dependência” do Estado por alguns anos.

O cenário econômico atual de juros baixos, inflação controlada e longa estagnação econômica é extremamente propício para a retomada do crescimento econômico e a forte geração de empregos. Basta o Governo Federal mostrar aos investidores e empresários que mantém a capacidade de honrar suas dívidas no futuro. Atualmente, a reforma da previdência é o gatilho mais relevante para o controle dos gastos públicos e solvência do Governo.  

E o mais triste, o lenga-lenga de Brasília prejudica mais justamente a população menos escolarizada e mais pobre. É um verdadeiro contrassenso da classe política.

Em virtude da urgência do tema, se fôssemos um país sério, a reforma já estaria muito mais avançada. E mais. Os setores que serão prejudicados com a reforma, ainda não mostraram a cara e aguardam o momento mais propício para colocar “as manguinhas” de fora.

A atual previdência social é obsoleta, deficitária e desigual, privilegiando alguns grupos em detrimento da maioria da população. Basta. Essa anomalia chegou ao limite.

Ainda tenho a convicção de que alguma reforma da previdência passará ainda neste ano, mesmo que de forma desidratada e num ritmo muito lento. E por uma questão simples. Não há outro caminho. Nem para o Governo Federal e muito menos para os Estados da Federação.

O que mais me incomoda é o completo descaso da classe política com a população, especialmente em relação aos menos favorecidos. Uma postura míope e egoísta.

MJR



sexta-feira, 1 de março de 2019

Atualização mensal do IBOV – Dias nebulosos à frente?




No último post sinalizei que o IBOV estava prestes a corrigir, após uma expressiva valorização entre meados de dezembro e o fim de janeiro.

O pregão do dia 06/02 sinalizava que uma correção mais forte havia chegado – queda de quase 4% num único dia. Mas contrariando a expectativa, em seguida, a bolsa apresentou boa recuperação e tocou no topo histórico novamente.

Alguns pensaram que a bolsa romperia os 100 mil pontos. E mais uma vez isso não aconteceu. Pior, ontem no último dia do mês, o IBOV voltou a cair forte.

Resumindo: sem vontade de cair e sem força para subir. Terminamos o mês de fevereiro com uma queda singela de 1.9%.

O que esperar de março?

Continuo com o mesmo pensamento, a bolsa deverá corrigir um pouco mais. Meu alvo ainda continua em 90 mil pontos (no dia de hoje o IBOV fechou em 94.603 pontos).



Esse recuo seria muito importante para retirar o estado “sobrecomprado” de vários ativos, para a realização de lucros dos comprados desde dezembro e para atrair novos compradores.

Sempre é bom relembrar que mesmo na vigência de um BULL MARKET de longo prazo, as correções são inexoráveis. Os ruídos da aprovação ou não da reforma da previdência afetarão pontualmente o IBOV. Dias de euforia seguidos de dias de depressão, e vice-versa. Faz parte do jogo.

Mas o fator mais importante continua: é quase consenso entre os investidores e analistas que “alguma” reforma passará no Congresso ainda em 2019. E isso será o combustível final para acelerar e prolongar o nosso BULL MARKET.

O cenário atual de juros baixos, inflação controlada e retomada do crescimento é um caminho livre para o retorno dos lucros e das margens das empresas listadas em bolsa, além de facilitar novos investimentos e reduzir o custo da dívida – um ciclo virtuoso!

Cenário externo: fator agravante (ou não)! As bolsas americanas subiram mais de 20% desde o fundo em dezembro de 2018, e já mostram algum cansaço. Se lá corrigir, nosso mercado deverá seguir o movimento.

Posto isso, resumo meus comentários em duas frases. O BULL MARKET continua intacto. Esse hipotético recuo da bolsa brasileira não assustará, e melhor, abrirá uma nova oportunidade de compra em vários ativos.

Por último, apenas na perda definitiva dos 83 mil pontos, a forte tendência de alta do IBOV poderia ficar ameaçada. O que, neste momento, me parece muito improvável.

Bons investimentos.

MJR

* As opiniões postadas no blog são apenas posições do autor sobre o tema, e não constituem em si, recomendações de compra ou venda de ativos.



domingo, 3 de fevereiro de 2019

Atualização mensal do IBOV - Fevereiro 2019




Impulsionado pelo otimismo interno e pela melhora do cenário externo, o IBOV começou o ano de 2019 com um excelente desempenho e atingiu a marca de 98 mil pontos – topo histórico. Uma alta de mais de 11% no mês de janeiro e de mais de 16% em relação ao fundo de dezembro. Um retorno fenomenal em apenas seis semanas. Os ganhos de janeiro são quase duas vezes o rendimento anual previsto do CDI.

Será que no curto prazo poderemos ir ainda mais longe? Ou chegou a hora de corrigir?

Sempre é tentador acharmos que seguiremos em alta por mais e mais tempo. Mas, infelizmente, o histórico das bolsas mostra justamente o contrário. Os períodos de euforia são seguidos por tempos de correção. Faz parte do mercado de renda variável. É óbvio que num BULL MARKET, como o atual, os fundos serão sempre ascendentes e os topos também, o que confirma a tendência de alta.

A meu ver o IBOV poderá atingir a marca de 100 mil pontos ainda nessa “pernada de alta”. Talvez na semana que vem. Por outro lado, acredito que estamos próximos do fim da festa de curto prazo. É preciso que o IBOV recue por um tempo para atrair novos investidores. No curto prazo as ações estão caras. Após esse recuo o índice terá fôlego para ir muito mais longe. É provável que em 2019 o IBOV vá muito além dos 100 mil pontos. Mas, esqueçamos do médio e o longo prazo, e pensemos no próximo mês, o foco dessa análise.



Em minha opinião chegou a hora de realizar lucros de forma parcial. Exemplo: se você tem 1.000 ações do Itaú em carteira, venda 300 ou 500 ações, e faça caixa (aplique em um Fundo DI ou no Tesouro Selic). Outra forma de proteger parte da carteira é utilizar o mercado futuro (vendendo minicontratos – conheça meu livro sobre mercado futuro). Nesse momento não recomento operar “vendido”, pois remar contra a forte tendência de alta do IBOV é sinal de pouca inteligência.



Graficamente pela periodicidade semanal, ainda podemos buscar os 100 mil pontos, que seria a projeção de 100% da última pernada de alta, ocorrida entre setembro e outubro de 2018. Todavia, quatro aspectos no gráfico semanal me deixam preocupados. O afastamento da média móvel de 21 períodos. O candle formado nessa semana é um padrão de “homem enforcado” (hangman – seta vermelha), que quando surge após vários candles de alta, sugere reversão. O pico de volume também pode inferir exaustão do movimento (apesar de que o aumento de volume dessa semana possa estar relacionado às ações da VALE pelo ocorrido em Brumadinho). Por último, já são seis semanas de ganhos no IBOV. E mais, pelo gráfico diário, existe uma clara divergência pelo MACD, o que sugere uma queda para os próximos dias.



Sempre é bom lembrar que o IBOV acompanhou nas últimas semanas, a forte recuperação das bolsas americanas e das commodities – petróleo e minério de ferro. Uma reversão por lá poderá ajudar a derrubar o IBOV no curto prazo. Por outro lado, a continuidade da alta no mercado externo poderá acelerar os ganhos por aqui.

Resumindo, eu particularmente acho que o IBOV recuará em breve. O principal suporte está no patamar dos 89 / 90 mil pontos. Outra possibilidade é uma correção lateral, ou seja, o índice ficaria oscilando entre 94 e 100 mil pontos, antes do próximo rali de alta. Aguardemos.

MJR

* As opiniões postadas no blog são apenas posições do autor sobre o tema, e não constituem em si, recomendações de compra ou venda de ativos.



sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

O Brasil é a bola da vez




Nesta sexta-feira, 04 de janeiro de 2019, um amigo, que mora e trabalha legalmente nos Estados Unidos, me perguntou numa rede social, o que eu achava sobre o otimismo exagerado do mercado financeiro com o governo Bolsonaro. Seria apenas “fogo de palha” ou convicção pura?

Resolvi responder a ele através deste texto e compartilhar no blog com meus leitores.

Caro Wilson,

Estou “irresponsavelmente” otimista com o Brasil. E os motivos são muitos. Veja:

Após anos e anos de “farra” com o dinheiro público, desde a nova constituição em 1988, é a primeira vez que se discute de maneira aberta que o principal problema do Brasil é o excesso do gasto público, e que não há mais espaço para aumento de impostos.

O forte crescimento na “Era Lula”, resumidamente, foi obtido por cinco razões: a base econômica deixada pelo governo FHC, a “calmaria internacional” de 2002 a 2008, o boom das commodities, e a expansão do crédito e consumo no Brasil. Todavia, o governo do PT continuou expandindo os gastos e não fez as reformas necessárias. Uma hora a conta chegaria.

Pior. A situação foi agravada pela nova matriz econômica proposta por Guido e Dilma que destruiu os pilares da economia brasileira (superávit primário e controle da inflação). Tudo isso acelerado pela corrupção desenfreada.

Todavia, o impeachment da presidente Dilma, com forte apoio popular, mudou o rumo do país.  O ex-presidente Temer já fez muita coisa, gostem dele ou não. Basta checar os indicadores econômicos de meados de 2016 para os dias de hoje, a mudança de gestão das Estatais e a aprovação de algumas reformas importantes, como a trabalhista e a PEC do teto de gastos públicos.

A eleição de um político “fora da caixinha” foi um belo acerto da população. Confesso que Jair Bolsonaro não era meu candidato no começo da campanha. Votei nele apenas no segundo turno. Mas hoje tenho convicção, ele era a melhor opção. Precisávamos dar um choque de realidade nos caciques de Brasília.

A equipe brilhante montada no planalto pelo governo atual e os sinais inequívocos que caminharemos para um liberalismo econômico mostram, de maneira categórica, que estamos no caminho certo: controle dos gastos públicos, privatizações e simplificação tributária. Para mim, não há dúvida sobre isso.

O grande apoio popular ao presidente eleito é mais que suficiente para a aprovação das reformas que o país precisa. E a previdência é a prioridade. Não será fácil, mas ela possivelmente ocorrerá ainda no primeiro semestre.

Também tenho total convicção que uma reforma “ideal” é utópica, mas uma reforma razoável sairá. E isso é suficiente para o Brasil voltar a crescer. Como o próprio Paulo Guedes disse no discurso de posse: “basta que o atual governo não deixe a dívida subir”.

Após vários anos de recessão e crescimento pífio do PIB, o terreno está fértil para a retomada do forte crescimento. E mais. O otimismo na população é geral, desde os assalariados, até os empresários e investidores.

Façamos uma correlação com o mercado internacional.

Após a crise mundial de 2008, as economias dos países desenvolvidos e as bolsas mundiais tiveram uma grande expansão. O Brasil, exceto em 2010, retrocedeu fortemente. Por lá, eles estão num “late cycle” e por aqui mal começamos o nosso ciclo de alta.

Mesmo com a alta expressiva de mais de 100% da bolsa brasileira de janeiro de 2016 para cá, o potencial de crescimento ainda é incalculável. O IBOV cotado em dólares ainda está longe da marca atingida em 2008. E o EWZ idem (ETF BRAZIL negociado nos EUA).

Em geral, os ciclos de alta das bolsas duram em média sete anos. Se caracterizarmos que o início do BULL MARKET tupiniquim começou em janeiro de 2016, ainda temos mais quatro anos de alta pela frente.

Mesmo que a crise externa se aprofunde, isso não atrapalhará nosso crescimento no médio e longo prazo.  Abalos pontuais vão ocorrer. Mas isso faz parte do jogo.

Se a economia brasileira voltar a crescer 3 a 4% ao ano, os lucros das empresas vão disparar. Lucros em alta, cotação das ações em alta. Simples assim. Em geral, a bolsa reflete a vitalidade da economia, com apenas uma diferença: o mercado financeiro anda na frente da economia real (pelo menos seis meses à frente).

Mas, e se der errado? Acho improvável, mas tudo é possível. Em minha opinião é hora de aproveitar o momento, sair da zona de conforto e arriscar um pouco mais.

Posto isto, caro Batata (o apelido do Wilson entre os amigos), o Brasil é a bola da vez. E provavelmente os ativos brasileiros continuarão com forte apreciação nos próximos anos. Forte abraço.

That’s all folks!

MJR


* As opiniões postadas no blog são apenas posições do autor sobre o tema, e não constituem em si, recomendações de compra ou venda de ativos.