segunda-feira, 2 de julho de 2018

Atualização mensal IBOV – Julho 2018




Após a forte queda do IBOV em maio e junho, o que esperar para o mês de julho?

Da máxima de maio (87 mil pontos) ao fundo de junho, o IBOV caiu mais de 20%. Em dólares a queda foi maior ainda. Pior, vários ativos caíram de forma ainda mais acentuada.

O fluxo estrangeiro para a B3 foi bastante negativo nos últimos dois meses. Aliás, o movimento foi ruim para os países emergentes em geral. Isso explica parte do sell-off na B3. As incertezas políticas em ano eleitoral e a greve dos caminhoneiros também contribuíram para a derrocada da bolsa brasileira.

Graficamente, estamos em clara tendência de baixa no curto prazo (gráfico diário). No semanal, o cenário é indefinido e estamos em cima de um forte suporte (70 mil pontos). E, no mensal, a tendência de alta continua.

Posto isto, o que esperar para as próximas semanas?

1.      Um repique da bolsa é o mais provável. Os últimos pregões de junho já sinalizam este movimento e o indicador OBV também favorece essa possibilidade.

2.      Rompendo os 73 mil pontos, o IBOV confirma o acionamento de um pivot de alta no gráfico diário e deverá buscar patamares maiores.

3.      Alvos prováveis em 75 mil pontos (último fundo perdido) e 78 mil pontos (último topo e a média móvel de 200 períodos). Não acredito que o IBOV ultrapasse esse último nível antes da definição do cenário político.

4.      Após o repique, o mais provável é a continuidade da tendência de baixa e o reteste dos 70 mil pontos. Um fundo duplo pode ser um excelente sinal de compra. Porém, a perda desse patamar aciona um pivot de baixa no gráfico semanal e a queda poderá ser acelerada.

Desta forma, o momento é de muita cautela, porém devemos aproveitar o repique do IBOV, mas sem abusar. Todo cuidado é pouco. Pensando no longo prazo, acredito que o momento é oportuno para comprar barganhas: boas ações a preços muito atraentes.

Já o dólar continua em franca tendência de alta. E, possivelmente, continuará assim até o fim do processo eleitoral.

E o mercado externo? Lá o cenário está indefinido. Um movimento mais forte por lá, de alta ou de baixa, pode nos afetar aqui. É bom ficar atento.

MJR



quarta-feira, 6 de junho de 2018

Atualização mensal do IBOV – Junho 2018




Desde o meu último comentário em 09 de maio para o dia de hoje, o principal índice da bolsa brasileira despencou mais de 10%. E pior. Os motivos foram locais. Nenhuma interferência do mercado externo.

A greve dos caminhoneiros e a ingerência na Petrobrás mostraram a fragilidade do atual governo. Bastou um soluço de uma classe de grevistas e o governo correu para tomar uma série de medidas populistas. É a “ditadura” das minorias. Quem pagará as bondades do Governo? Não tenha dúvida, o contribuinte, ou melhor, todos nós.

Não existe mágica. O aumento de gastos por parte do governo federal, como os subsídios ao preço do diesel, precisará ser compensado com o aumento de outros tributos, especialmente na atual situação fiscal do país.

Outro ponto negativo: nós, brasileiros, em geral, queremos um Estado grande e paternalista, cheio de bondades e benefícios, mas não queremos o aumento da carga tributária. Dessa forma, a conta nunca fechará. Ainda mais com a corrupção disseminada e a má gestão do dinheiro público.

Deveríamos nós, em ano eleitoral, estar discutindo questões relevantes para os próximos anos: reforma tributária, reforma da previdência, reforma política, independência do Banco Central e eficiência das Estatais, dentre outras. Enfim, deveríamos buscar caminhos para facilitar o crescimento e destravar a economia.

O tombo da bolsa brasileira foi acompanhado de forte alta da moeda americana e da escalada dos juros futuros. Não existe almoço grátis. Isso nada mais é do que um alerta do mercado: esse caminho é péssimo, e já o conhecemos. Simples assim, o mercado financeiro tem voz.

Malgrado esses comentários, sigo otimista com IBOV no médio e longo prazo. Após vários anos de crise econômica as empresas listadas na bolsa estão mais eficientes e mais preparadas para o futuro. Outra questão importante: qualquer presidente eleito em outubro de 2018 será “obrigado” a ampliar o ajuste fiscal, simplesmente, porque não existe outra opção. Ou seguimos para as reformas, ou para a “Venezuelização”: calote da dívida pública, caos econômico e político e hiperinflação.

Por último, gostaria de citar que no atual patamar, em 76 mil pontos, a meu ver, o IBOV gera oportunidades, sempre pensando mo médio e longo prazo. Graficamente, a tendência de alta primária do IBOV continua mantida, sem respingos. Apenas se perder os 70 mil pontos, o IBOV poderia sinalizar uma mudança nessa tendência. Aguardemos.

MJR


* As opiniões postadas no blog são apenas posições do autor sobre o tema, e não constituem em si, recomendações de compra ou venda de ativos.




sexta-feira, 25 de maio de 2018

Bolsa, Petrobrás, Petróleo, Dólar e Diesel.




Semana muito agitada no mercado financeiro. No momento em que escrevo, a queda do IBOV na semana é de mais de 5%. O maior recuo semanal desde maio de 2017 (JBS). E a queda não teve relação com o mercado externo, haja vista que o S&P ficou praticamente estável nesses dias.

O viés de queda do índice foi acentuado com a derrocada das ações da Petrobrás – quase 30% em relação ao topo da semana passada (somente no dia de ontem, queda de quase 14%). O motivo principal foi o comunicado do presidente da Estatal, Pedro Parente, na última quarta-feira, quando anunciou um corte de 10% no preço do diesel por 15 dias, contrapondo a atual política de preços – a “ideia” era ajudar na negociação com os caminhoneiros. Como já era esperado, o mercado bateu forte nas ações. Ingerência do Governo? Ainda é cedo para se chegar a uma conclusão mais fidedigna.

Já o petróleo atingiu a maior cotação no mercado mundial na semana passada, mais de 80 dólares o barril. Nessa semana o petróleo do tipo Brent está recuando cerca de 5%. Sempre é bom relembrar que o barril de petróleo atingiu a mínima dos últimos anos em janeiro de 2016, 27 dólares, e em pouco mais de dois anos, atingiu 80 dólares o barril – alta de mais de 200%.

Como comentei no último post, o dólar americano vem ganhando força nos últimos meses no mercado mundial – aumento da taxa de juros nos EUA. A trégua desta semana na alta da moeda me parece pontual e ajudada pela maior intervenção do Banco Central do Brasil. Mas o viés segue fortemente altista.

Acredito que o mercado de renda variável continuará muito volátil nos próximos meses, especialmente em virtude do processo eleitoral que se aproxima. Posto isto, o que fazer com esses ativos?

1 = Pensando no curto prazo, a volatilidade e a incerteza estarão muito presentes nos próximos meses. Portanto, um cenário não recomendado para os iniciantes. Para aqueles que têm algum domínio, o uso do mercado de opções é interessante para proteger a carteira. Por exemplo, as puts da Petrobrás saltaram mais de 1.000% em poucos dias.

2 = Visando o longo prazo (a tendência primária do IBOV ainda é de alta), aproveite os momentos de exagero do mercado (quedas acentuadas) para aumentar gradualmente suas posições. Mas faça isso com bastante cautela. Somente mudarei de ideia se, em outubro de 2018, elegermos um presidente populista e não compromissado com a continuidade do ajuste fiscal.

3 =Mantenha uma pequena parcela dos seus investimentos aplicada em dólares no intuito de proteger parcialmente seu portfólio. Para aqueles que vão viajar para o exterior, opte por compras parceladas da moeda americana. Não tente adivinhar fundos!

4 = Já o petróleo, por enquanto, continua com o viés de alta. Não há sinais de reversão, o que continuará pressionando os preços dos combustíveis. O Governo Federal não terá uma tarefa fácil em segurar o preço do Diesel.

MJR

* As opiniões postadas no blog são apenas posições do autor sobre o tema, e não constituem em si, recomendações de compra ou venda de ativos.



quarta-feira, 9 de maio de 2018

Atualização mensal do IBOV – Maio 2018




A minha perspectiva de alta para o IBOV em abril não foi confirmada. O índice até tentou superar a resistência, mais logo em seguida recuou, permanecendo “aprisionado” na longa congestão entre 83 e 86 mil pontos. Inclusive, ontem, o IBOV tocou o limite inferior da congestão em 83 mil pontos e parece que vai reagir.

Antes de comentar os próximos passos do IBOV, eu preciso citar que nas últimas semanas o índice brasileiro está muito sintonizado com o mercado americano. Assim, é preciso acompanhar de perto a evolução do S&P. E lá o viés de curto prazo é claramente baixista. Fiquemos atentos.

Outra questão: o mercado financeiro está em “modo de espera” para as eleições presidenciais deste ano. Ainda não há sinais claros sobre quem vencerá as eleições. A partir do momento que isso ficar mais claro, o mercado tomará a decisão antes mesmo das urnas.

Gostaria de citar também a disparada do dólar. Existem fatores externos – em virtude do aumento dos juros americanos, o dólar subiu globalmente, basta ver o gráfico do “dólar índex”(abaixo) – e também internos. Por aqui, o dólar americano funciona como uma proteção para os tempos de incertezas políticas e econômicas. Portanto, o viés de curto prazo para o dólar é de alta.



Apesar do IBOV “estar de lado” nos últimos meses, várias importantes ações do IBOV despencaram e já oferecem oportunidade de compra.

Posto isto, comento os três cenários possíveis do IBOV para o mês de maio:

1 = Se o cenário externo “azedar”, o IBOV deverá buscar patamares mais baixos de suporte, em 80/81 mil pontos e depois o forte suporte em 78 mil.

2 = Como estamos no limite inferior da congestão, a tendência natural do IBOV é retestar os topos anteriores em 86 e 88 mil pontos nos próximos dias.

3 = A superação dos 88 mil pontos ainda me parece um pouco distante. Por enquanto, o mercado continua sem força para superar essa marca. Só acredito nessa hipótese, se o mercado americano voltar a subir com mais força, o que me parece improvável nesse momento.

Importante: nos momentos de incertezas como o atual, para as operações de curto prazo, o mais sensato é aguardar sinalizações mais claras do IBOV. Já para o longo prazo, num Bull Market, os momentos de queda são grandes oportunidades para o investidor aumentar a posição comprada.

MJR

terça-feira, 10 de abril de 2018

Atualização mensal do IBOV – Abril 2018




Após uma longa congestão e queda na volatilidade desde meados de março, o IBOV está preparando um forte movimento. E, em minha opinião, o movimento será de alta. Antes de citar algumas razões do meu otimismo, preciso comentar que ainda estamos “prensados” na faixa entre 83 e 86 mil, e apenas o rompimento destes extremos confirmará o início do próximo movimento.

Veja as razões:

1.      Mesmo com a significativa correção do mercado americano nas últimas semanas e a saída de capital estrangeiro da bolsa brasileira, o IBOV não teve força para cair de forma contundente.

2.      O DJI pode sinalizar alta para as próximas semanas, se conseguir romper a LTB (linha de tendência de baixa: linha vermelha oblíqua tracejada no gráfico abaixo). Isso deverá impulsionar o mercado nacional.



3.      O IBOV também está próximo de romper a LTB no gráfico diário (veja gráfico inicial).

4.      Uma das agências de risco melhorou a nota do Brasil na última segunda-feira.

5.      A inflação continua mostrando sinais de fraqueza o que favorece mais cortes de juros. O IPCA de março foi o menor dos últimos 25 anos.

6.      A prisão do ex-presidente Lula na última semana diminui a chance da eleição de um candidato populista.

7.      Várias ações importantes do IBOV corrigiram de maneira importante nas últimas semanas e começam a mostrar sinais de reação.

8.      A VALE3 e a PETR4 começaram este processo no dia de hoje, especialmente a primeira (veja abaixo). Falta apenas a reação das ações dos Bancos.


9.      O cenário político em Brasília está domado e as eleições ainda estão distantes.

10.  O único entrave poderia vir do Supremo Tribunal Federal, alterando a regra de prisão em segunda instância. Eu, particularmente, não acredito nesta hipótese, mas no Brasil tudo é possível.

Posto isto, o ideal é que você se prepare para a próxima pernada da bolsa. Fique atento aos limites de 83 e 86 mil pontos. O rompimento deles será o gatilho. Espere pelo melhor e prepare-se para o pior. O mercado quase sempre é imprevisível.

MJR

segunda-feira, 2 de abril de 2018

O Investidor e o Leão – Imposto de renda sobre as aplicações financeiras




Todo investidor tem um incansável e onipresente sócio oculto. Ele é ganancioso e preguiçoso. Não te ajuda em nada. Seu único objetivo é abocanhar uma parte do lucro de seus investimentos. Pior, ele geralmente quer receber na fonte, no saque do dinheiro. A fome dele é gigantesca, por vezes ele quer mais de 20% de participação dos lucros. Por outro lado, no prejuízo ele passa bem longe, seque oferece ajuda. Você pode ser um grande ou pequeno investidor, não interessa, ele está sempre pronto para pegar o dele. Todavia, ele é “generoso” e permite a redução de sua parte em algumas modalidades de investimento. Sim, ele abre algumas exceções. O bom investidor precisa conhecer e aproveitar corretamente estas brechas da lei. Isto fará muita diferença no resultado de longo prazo.

É óbvio que estamos falando do Leão do Imposto de Renda. Neste livro, simples e direto, você aprenderá como informar e preencher corretamente seus investimentos na declaração do ajuste anual de 2018, passo a passo, e melhor, saberá como aproveitar as brechas legais para você pagar menos impostos.

O livro foi atualizado em 2017. Neste ano, 2018, não houve mudanças significativas nas normativas da Receita Federal e, portanto, o livro está bem atualizado. 

Disponível em formato digital na Amazon.

MJR

segunda-feira, 26 de março de 2018

O que os rentistas farão com a Taxa Selic em 6,5% ao ano?




O Brasil sempre foi o país da renda fixa. Com os juros básicos quase sempre nas alturas, ganhar 1% ao mês nas aplicações de renda fixa – Fundos DI, CDB, Tesouro Selic, etc. – era fácil, fácil. Porém, nos últimos meses o cenário mudou. Com a inflação controlada, abaixo da meta, e a taxa de desemprego ainda em alta, o COPOM colocou a Selic num patamar muito reduzido para os padrões brasileiros (e deverá cair ainda mais nas próximas reuniões), o que é muito bom para o setor produtivo e, por conseguinte, para a recuperação econômica do país.

Quem não deve estar muito contente com a situação são as pessoas que sempre deixaram o dinheiro na renda fixa e, sem esforço algum, tinham um rendimento mensal formidável. Contudo, a festa acabou! Se você quiser ter um retorno maior precisará se arriscar um pouco mais em ativos de renda variável. Isso é muito bom para a bolsa de valores, para o setor imobiliário, para o setor produtivo, para o Governo (maior arrecadação de impostos) e para a maioria dos brasileiros – mais empregos, mais renda e maior facilidade ao crédito. Quase todos ganham com os juros baixos, exceto os rentistas acomodados.

Os juros baixos facilitam a vida das empresas: diminui o custo das dívidas e facilita os novos investimentos, o que gera mais empregos e maior lucro para os acionistas. Assim, as empresas de capital aberto serão muito beneficiadas, pois ocorrerá uma migração natural dos investidores de renda fixa para a renda variável. Outros fatores também devem impulsionar a bolsa brasileira. Veja:

1.      A posição em bolsa de valores dos grandes fundos locais ainda é muito baixa. Isso deverá mudar nos próximos meses, o que aumentará significativamente o fluxo de investimentos em ações.

2.      O cenário externo mais complicado poderá em algum momento favorecer o Brasil. Lembre-se da falta de sincronia entre os mercados desenvolvidos e o Brasil desde o final de 2012. Lá, as bolsas estão no final de um longo ciclo de alta e por aqui mal começamos. O fluxo dos estrangeiros para o Brasil tende a permanecer em alta no médio prazo.

3.      As eleições em 2018 deverão ter um impacto nos ativos de renda variável e, a meu ver, possivelmente de forma positiva: consolidação e eleição de um candidato pró-ajuste fiscal.

Assim, a bolsa brasileira continua com um viés extremamente positivo. Não deixe para você entrar tardiamente no mercado de ações. Aproveite os momentos de correção para elevar sua participação em renda variável. Outra opção é se contentar com o rendimento de 5% ao ano nos investimentos tradicionais de renda fixa. A escolha é sua.

MJR



sexta-feira, 9 de março de 2018

Atualização mensal do IBOV – Março 2018





Continuamos firmes e fortes no nosso BULL MARKET.

As turbulências de fevereiro e a volta da volatilidade dos mercados americanos não impactaram nosso mercado.

Nem o engavetamento da reforma da previdência foi capaz de tirar o fôlego da bolsa brasileira.

E para facilitar o caminho dos ativos de risco no Brasil, notícias positivas não param de pipocar todos os dias nos jornais: juros básicos devem cair ainda mais, inflação em queda, retomada do crescimento da economia e o mercado imobiliário se aquecendo, dentre outros.

Assim, sigo muito otimista com a economia brasileira para os próximos anos e, por conseguinte, para a bolsa. E para o curto prazo?

Pelo menos para os dois próximos meses, não vejo mudanças neste cenário. Acredito que a bolsa seguirá em alta. Mas, talvez, a partir de maio, o cenário externo, a sazonalidade e as eleições presidenciais locais poderão afetar a bolsa, negativamente.

Pelo gráfico semanal, o meu alvo para o IBOV encontra-se em 95 mil pontos. Só mudarei de expectativa se o IBOV perder, em fechamento da semana, o patamar dos 83.900 pontos. Caso isso ocorra, entraremos numa tendência de baixa no curto prazo e poderíamos buscar os fortes suportes em 78 e 80 mil pontos.  

Por último, gostaria de citar que o gatilho para uma nova “pernada de alta”, deverá ser a superação da faixa dos 88 mil pontos nas próximas semanas.

Abraço.

MJR


domingo, 25 de fevereiro de 2018

Grau de investimento – O Brasil é rebaixado mais uma vez e a bolsa bate novo recorde.



Um dos assuntos da última sexta-feira foi o novo rebaixamento do Brasil pela agência de risco Fitch, e, curiosamente, a bolsa bateu novo recorde: acima dos 87 mil pontos. Você poderia me perguntar: não deveria ser o contrário?

O Brasil perdeu o grau de investimento em 2015. E depois disso sofreu novos rebaixamentos. Na prática, o que muda para o país? O que muda para você? Veja algumas ponderações:

·        As três principais agências de Rating são a S&P, a Moodys e a Fitch, todas estrangeiras. São agências privadas e independentes que avaliam o risco de calote dos países (risco soberano) e das empresas de capital aberto (risco corporativo), sejam elas públicas ou privadas. Desta forma, as agências estimam a probabilidade de inadimplência futura do emissor avaliado.

·         A análise é quantitativa (relatórios financeiros) e qualitativa (qualidade da gestão, crescimento esperado, competitividade no mercado e vulnerabilidade ao mercado e ao sistema econômico).

·         Veja os quatro fatores principais que são avaliados para o rating: os chamados 4Cs:
o    Caráter do emissor – histórico de crédito.
o    Capacidade de pagar as dívidas – análise financeira.
o    Colateral oferecido – garantia específica de cada título emitido.
o    Covenants da emissão – direitos e deveres contidos no documento da emissão do título.

·         Existe uma graduação básica das agências. Resumidamente temos dois níveis:
o    Grau de investimento (Investment grade): isto é, alta probabilidade de pagamento dos juros e da devolução do valor principal investido no vencimento do título.
o    Sem grau de investimento (Non-investment grade – junk): o contrário.

·         Qual a importância dos países terem o Grau de investimento?
o    Ao emitir dívidas o Governo pagará menos juros. O mercado exige menos de um bom pagador. O endividamento público faz parte de qualquer Estado. O Governo sempre precisará de recursos de terceiros para o desenvolvimento do país e para a melhoria da qualidade de vida da população, e por isso precisa almejar juros baixos.
o    Grandes fundos internacionais somente podem investir em países com o chamado Grau de Investimento (proibição estatutária), porém, na prática isso é irrelevante.

·         Por último, o mais importante de tudo. As notas das agências são tardias.  O mercado financeiro é muito mais rápido e eficaz. Enquanto as notas de crédito caem, a bolsa sobe, pois o mercado financeiro entende que o Brasil está no caminho certo e a economia está melhorando e vai melhorar muito mais. Se você esperar o Brasil voltar a ter grau de investimento para comprar ações, será muito tarde, pois será o fim do ciclo de alta. Lembre-se de que o Brasil recebeu o grau de investimento em 2008 e, depois disso, a bolsa só caiu até 2015, justamente quando o país ainda tinha o grau de investimento.

Posto isto, não confunda alho com bugalho. Esqueça a mídia não especializada e as agências de risco.

MJR


quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

O S&P e o IBOV



Comecei a acompanhar o mercado financeiro em 2008. Isso mesmo, no ano em que as bolsas derreteram mundo afora, inclusive no Brasil. Assim, a minha jornada foi iniciada num banho de sangue.

Desde o começo, comprovei com os próprios olhos que o IBOV mantinha uma correlação direta com S&P – o principal índice americano (e do mundo). Veja o gráfico inicial. Contudo, ao final de 2012, os mercados se descolaram. Em 2013 eu buscava compulsivamente o motivo desse distanciamento. Todavia, descobri a razão apenas em 2014: o Brasil tinha ficado para trás pelo efeito Dilma. As mazelas da ex-presidente (e do Guido, é claro) destruíram a economia local e o mercado financeiro, como sempre, apenas antecipou a tragédia econômica tupiniquim.

Enquanto as bolsas americanas estão em alta desde 2009, num dos mais longevos ciclos de alta de todos os tempos, o IBOV ficou estagnado até o final de 2015. O índice local somente deu sinais de vida em janeiro de 2016. De lá para cá, já subimos mais de 100%. Então, será que já recuperamos todo o tempo perdido?

Façamos uma simples comparação entre o IBOV e o EWZ. Este último é um “ETF Brazil” negociado nos EUA em dólares que segue o desempenho das ações brasileiras. Veja os gráficos. Perceba que, enquanto o IBOV superou o topo de 2008 (primeiro gráfico), o EWZ não chegou nem na metade da marca de 2008 (segundo gráfico). Somente por isso, fica bem claro que estamos apenas no começo do ciclo de alta. Outro ponto positivo: a economia real no Brasil melhorou muito no pós-Dilma (inflação, taxa de juros, câmbio e confiança dos empresários, dentre outros indicadores) e ainda temos muito para recuperar, especialmente no que tange aos empregos, basta que a eleição de 2018 não atrapalhe a recuperação econômica. É provável que tenhamos vários anos de crescimento pela frente. Se a economia cresce, os lucros das empresas crescem e, consequentemente, as ações seguem em trajetória de alta. Simples.





E o mercado externo pode nos atrapalhar? Com certeza, mas se fizermos o dever de casa, entenda-se, a reforma de previdência em 2018 ou 2019 (controle de gastos públicos) e a eleição de um Presidente pró-reformas, o início de um ciclo de queda lá deverá nos afetar apenas de maneira pontual e tímida. Lembre-se de que eles estão no final de um ciclo de alta e aqui estamos começando o ciclo.

Por que as bolsas nos EUA devem corrigir em 2018? O mercado de trabalho lá está próximo do pleno emprego e os juros básicos nos EUA começaram a subir, e devem subir mais com a volta da inflação. E ela vai voltar, inexoravelmente. Com o pleno emprego, os salários começarão a subir (menor lucro para as empresas), refletindo em mais dinheiro na economia e mais inflação. Desta forma, uma inflação maior, uma taxa de juros em elevação e a redução do lucro das empresas determinarão a correção do mercado de ações nos EUA. Outro fator decisivo: nenhum mercado sobe para sempre (alta de mais de 300% desde o fundo em 2008). Em algum momento o mercado americano precisaria corrigir, e me parece que chegou a hora (2018).

Resumindo: o prognóstico para o IBOV é muito bom. Já para o S&P nem tanto. Desta forma, não será desta vez que esses mercados andarão de mãos dadas. A não ser que os eleitores brasileiros decidam pela volta da turma da Dilma ou por coisa pior.

MJR

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

O Lula e a Bolsa



Após 15 dias de merecidas férias, meus comentários estão de volta ao blog.

Gostaria de comentar um assunto muito importante: o julgamento do Ex-Presidente Lula no TRF-4.

O mercado financeiro apostava no placar de 3 a 0, o que foi confirmado no dia 24 de janeiro. A alta do IBOV, de meados de dezembro até a semana passada, foi mantida justamente por essa premissa e por forte aporte financeiro dos estrangeiros. Confirmada a decisão, o IBOV continuou sua escalada e fechou a semana passada com elevação superior a 5%.

A correção atual era totalmente esperada. O patamar de 80 / 81 pontos deverá ser um bom ponto de suporte para as próximas semanas. Uma correção mais forte até os 77 mil pontos (penúltimo topo) também seria normal.

Mas, por que o mercado não quer a volta de Lula? Apesar da convivência pacífica entre o Ex-Presidente e o mercado financeiro entre 2003 e 2010, o cenário atual é totalmente distinto. Lula perdeu sua força. O PT perdeu o apoio popular na classe média e, notadamente, a credibilidade de outrora. Resta ao PT o discurso populista e de extrema-esquerda, que nos colocou num tremendo buraco na gestão Dilma.

As contas públicas estão em frangalhos. A eleição de outra Dilma poderia enterrar de vez a recuperação econômica. E Lula era a maior ameaça.

Posto isto, se tudo continuar como está provavelmente o Brasil elegerá um Presidente pró-reformas, o que potencializará a recuperação da economia, a geração de empregos e um forte ciclo virtuoso por alguns anos.

A reforma da previdência é uma questão de tempo. Não há outro caminho. Sairá em 2018 ou no começo de 2019. O déficit de 2017 beirou os 200 bilhões de reais. Se a reforma ocorrer em 2018 (até 
aqui improvável), a bolsa subirá muito mais, pois esse fato não está precificado.

É provável que a corrida eleitoral comece de verdade a partir de março. A volatilidade voltará com tudo, mas lembre-se que o viés é de alta. Dificilmente o IBOV reverterá para uma tendência de baixa de longo prazo.

Mesmo com uma hipotética forte queda nos mercados internacionais em 2018 (o que é possível), a queda aqui deverá ser pontual, na verdade uma grande oportunidade – caiu, comprou! Existe um “GAP” gigantesco entre os topos das bolsas dos países do primeiro mundo e o da bolsa brasileira. Estamos muito atrasados, talvez anos. Apenas fatores internos, políticos mais precisamente, podem alterar a direção do IBOV.


Sempre é bom lembrar que o mercado financeiro anda na frente do “mundo real”. Se ele está apontando que a economia brasileira vai melhorar, é porque existe uma grande chance disso se efetivar. Desta forma, continuo muito otimista com o Brasil e, por conseguinte, com o IBOV para o longo prazo. Sem o Lula, melhor ainda. O caminho do sucesso deverá ser menos árido.

MJR

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Atualização mensal sobre o IBOV - Janeiro 2018



No último dia 12 de dezembro de 2017, escrevi no blog que o IBOV estava preparando um forte movimento. Após um breve recuo de dois dias, de lá para cá, o IBOV subiu quase 10%. Uma bela onda de alta.

Para o curto prazo, espero um recuo nos preços, em virtude do estado sobrevendido do índice e dos principais ativos (mais de 10 dias consecutivos de alta). Outro ponto: vários ativos encontraram seus alvos imediatos.

Assim, um recuo até 77 / 78 mil pontos (topo rompido) ou até a média móvel de 21 períodos (e retração de 50% de Fibonacci) em 75 mil pontos poderá ocorrer a qualquer momento. Essa retração nos preços não mudará a tendência de alta do IBOV em todos os tempos gráficos – Bull Market.

Um fato que pode gerar bastante volatilidade em janeiro é o julgamento do Ex-Presidente Lula no TRF4 de Porto Alegre, marcado para o dia 24. A confirmação da condenação em segunda instância e, se acontecer, por três votos a zero, isso poderá impedir de vez a candidatura do Ex-Presidente, o que é muito bom para o mercado (e muito melhor para o país).

Em minha opinião parte do otimismo atual no IBOV é oriundo disso (uma antecipação do resultado favorável), além do bom cenário externo e da calmaria em Brasília (os políticos não estão atrapalhando).

A reforma da previdência que será discutida em fevereiro, por enquanto, não está nos preços. Aliás, a maioria dos operadores acha que a reforma é improvável em 2018. Contudo, se ela acontecer, mesmo que desidratada, a bolsa poderá ter um novo e forte impulso de alta.

Lembrando que o maior “driver” deste ano continua sendo a eleição presidencial. Um candidato pró-mercado, poderá acelerar os ganhos dos ativos de renda variável. IBOV acima de 100 mil pontos, quem sabe, já em 2018, será?

Resumindo:

Curto Prazo = provável correção.

Médio Prazo (próximos dois meses) = muita volatilidade. Notícias de Porto Alegre (janeiro) e Brasília (fevereiro / março) podem acelerar ou desacelerar o IBOV.

Longo Prazo. = continuo muito otimista com a economia brasileira e a vitória de um candidato pró-reformas. Nesse cenário, o céu é o limite. Apenas a vitória de um populista de esquerda poderá quebrar a recuperação econômica do país e derrubar o IBOV. 

MJR


quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Onde investir em 2018



O ano de 2017 foi muito bom para o investidor que arriscou um pouco mais em sua carteira de investimento: alta significativa da bolsa brasileira (mais de 25%) e boa valorização dos títulos públicos prefixados e indexados ao IPCA. O que esperar para 2018? Será que teremos um bom ano novamente?

Apesar de acreditar fortemente que estamos apenas no início de um BULL MARKET de longo prazo para a bolsa brasileira, o ano de 2018 será marcado pela alta volatilidade em virtude do processo eleitoral presidencial. Um candidato pró-mercado e a favor das reformas facilitará o caminho dos ativos de renda variável. Em contrapartida um candidato contra as reformas e que defenda o retorno da “nova matriz econômica” poderá enterrar a recuperação da economia brasileira.

Há sinais claros de retomada da economia brasileira e existe a previsão de um aumento de 3.0% no PIB em 2018, obviamente se a eleição não atrapalhar a recuperação.

Um fator que pode dificultar a alta das ações brasileiras é uma possível correção no mercado americano. Ao contrário de nós, eles estão em alta há mais de oito anos (“Late Cycle”) e uma correção mais aguda poderá chegar a qualquer momento. Fique de olho também na velocidade da subida dos juros americanos. Um aperto na política monetária por lá poderá reduzir a liquidez global e, por conseguinte, determinar a “fuga” dos investidores dos mercados emergentes, prejudicando o desempenho da bolsa brasileira.

Outro aspecto que pode jogar água fria nas bolsas mundiais é um possível aumento das tensões geopolíticas na Coreia do Norte e no Oriente Médio.

Desta forma, para este ano temos que ter um pouco mais de cautela na seleção dos ativos. É importante se posicionar para pegar uma possível valorização da bolsa de valores, porém é preciso ter também ativos seguros em carteira.

Curto Prazo (menos de 12 meses):

Fundos DI. É a melhor opção para investimentos de curto prazo,  garantindo a liquidez imediata do dinheiro e evitando movimentos bruscos. O ideal é uma taxa de administração menor que 0,5%. E não deixe de acompanhar o desempenho mensal. Alguns fundos por aí perdem de longe do CDI. Um bom fundo DI deve acompanhar a taxa do CDI, isto é, 100% de rendimento do CDI.

Tesouro Selic. Uma opção aos Fundos DI é a aplicação no Tesouro Selic, que tem retorno semelhante aos melhores fundos DI e um custo baixo: 0,3% ao ano de custódia, acrescido da taxa de administração. Sempre é bom salientar que algumas corretoras não cobram esta taxa, como a XP investimentos, o que reduz drasticamente os custos deste investimento.

Médio Prazo:

Fundos Imobiliários. Apesar da melhora na cotação dos fundos imobiliários em 2017, os preços continuam atrativos. Os proventos mensais são interessantes, até 0,7% ao mês, e isentos de IR para o pequeno investidor. Já há sinais claros de que em breve o mercado imobiliário comercial, especialmente o de lajes corporativas em SP, poderá voltar a se aquecer e as cotações podem ter bom desempenho.

Títulos prefixados. Sugiro “zerar” a posição em títulos prefixados comprados nos últimos dois anos. O Banco Central sinalizou que em breve terminará o ciclo de queda da Selic, atualmente em 7.0% ao ano. Este fato e o cenário político refletem num maior risco para aplicação nestes títulos, superando o potencial de valorização dos mesmos. Quem ganhou, ganhou. Agora, em minha opinião, não vale o risco.

Tesouro Inflação. Visando uma proteção de médio prazo sugiro a compra do Tesouro IPCA 2024 sem cupons semestrais (NTNB Série Principal). Os motivos? Primeiro porque você ainda pode aproveitar o fechamento da curva de juros (os prêmios para os juros mais longos ainda são atrativos) e, segundo, porque você fica protegido da inflação. Por último, numa eventual vitória da esquerda, esses títulos serão os mais resilientes.

Debêntures. Para aqueles que têm um conhecimento um pouco maior do mercado financeiro e aceitam um pouco mais risco, a aquisição de títulos privados (“títulos de dívidas”) pode ser uma boa opção. As corretoras independentes oferecem estes títulos, contudo a liquidez ainda é limitada.

Longo Prazo (mais de 5 anos):

Tesouro Inflação. Visando a aposentadoria, opte pelo Tesouro IPCA 2035 sem cupons semestrais (NTNB Série Principal), e tenha uma garantia de um retorno real acima do processo inflacionário. Mesmo com uma eventual elevação dos juros nos próximos anos, o ganho real acima da inflação é muito vantajoso.

Dólar e Ouro. O rumo para 2018 ainda é muito incerto, porém acredito que a cotação da moeda americana deverá ficar muito volátil em virtude da corrida presidencial.  Mantenha no mínimo 10% do seu patrimônio atrelado à moeda americana com a intenção de proteger parte do seu patrimônio (lembre-se da correlação inversa entre a bolsa e o câmbio). Outra opção para proteção de carteira é investir em ouro. Sugestão: 10% em dólar ou 7% em dólar e 3% em ouro.

Mercado de ações. O IBOV está cotado em 78 mil pontos no momento em que escrevo. O objetivo de longo prazo continua incalculável (150, 200 mil pontos?) se a economia voltar a crescer com a eleição de um governo pró-mercado. A vitória da esquerda poderá derrubar a bolsa para menos de 50 mil pontos. Desta forma, o risco-benefício é muito bom. Mais uma vez, invista somente o dinheiro que você não precisará no curto prazo e lembre-se que o ativo BOVA11 é a melhor opção para aqueles que têm pouco tempo para se dedicar ao mercado financeiro.

Desejo a todos excelente ANO NOVO.

Bons investimentos.


MJR