domingo, 22 de março de 2020

IBOV – Até quando o caos seguirá?




Em momentos de extremo pânico como o atual, qualquer análise dos ativos financeiros é no mínimo duvidosa. Por um motivo simples: a incerteza do futuro próximo.

A crise é sanitária, mas o estrago maior será na economia. Sem poesia. Realidade pura. Me desculpem a sinceridade e o pragmatismo nesta hora tão complicada para todos nós.

Não sabemos até quando a pandemia vai perdurar. Não sabemos até quando a quarentena permanecerá. E também não sabemos quantificar o efeito negativo sobre a economia e as empresas.

Quase tudo ainda muito incerto no curto prazo. Um cenário obscuro e sombrio.

O que mais gera volatilidade e negativismo no mercado financeiro é justamente a incerteza. A falta de clareza derruba o preço dos diversos ativos.

Tanto a análise fundamentalista como a análise técnica ficam extremamente prejudicadas no cenário atual.

Por outro lado, sabemos que o mundo não acabará em 2020. O pânico no mercado financeiro passará. O pânico na sociedade também. É uma questão de tempo. Só não sabemos contabilizar o período exato de paralisia e o dano sobre a atividade econômica.

Então o que fazer com sua carteira de investimento?

Seguem algumas recomendações pessoais, seguindo o movimento de alguns grandes gestores:

1.      Mantenha parte das suas reservas financeiras em ativos líquidos e pós-fixados: Fundos DI e Tesouro Selic. Eles rendem pouco, mas são seguros e ficam fora do sell-off.

2.      Não desfaça de suas ações e das cotas dos fundos imobiliários aos preços atuais. O momento de vender já passou.

3.      Não é hora de sair comprando “tudo”. O que está barato hoje pode ficar ainda mais barato nos próximos dias.

4.      Compre aos poucos e não queime totalmente seu caixa.

5.      Dê preferência as empresas sólidas, lucrativas e sem dívidas. Elas estão mais preparadas para enfrentar a crise.

6.      As Small Caps sofreram muito em março e provavelmente devem continuar assim nas próximas semanas. A baixa liquidez aumenta a volatilidade e acelera o processo de queda dos preços. Só aumente sua aposição nestes ativos se seu horizonte for muito longo (anos), e se você tem convicção de que a empresa sobreviverá ao caos atual.

7.      O dólar americano subiu muito e por enquanto não mostra sinais de reversão. Mantenha sua parcela de proteção. Quando o cenário ficar mais claro é provável que a moeda americana perderá força frente ao real.

8.      O ouro ficou estável nas últimas semanas, paradoxalmente. Analistas acreditam que muitos fundos precisaram realizar lucros para gerar caixa, o que impediu uma escalada nos preços. Uma coisa é quase certa, nos níveis atuais de juros mundo afora, o ouro deverá ter uma boa performance nos próximos meses. A história mostra isso: “juros baixos, metal em alta”.

9.      Títulos públicos: apesar da queda da Selic na semana passada (3,75%), os juros futuros dispararam (abertura da curva de juros). Apesar das taxas muito atrativas, o cenário ainda é muito incerto. Se optar por comprá-los, compre aos poucos. Relembrando que os vencimentos mais longos são os mais sensíveis à volatilidade.

Por último, uma mensagem positiva. Momentos de pânico e crise geram grandes oportunidades no mercado financeiro. Tenha paciência, foco e controle emocional. Seja forte e monte seu portfólio com prudência e frieza.

Primeiro a sobrevivência, mas sem esquecer do futuro. No longo prazo você vencerá: os fortes e pacientes sobreviverão.

Bons investimentos.

MJR



sexta-feira, 13 de março de 2020

Atualização IBOV – Curto prazo ainda muito incerto




No último post (01/03/2020) o IBOV estava cotado a 104 mil pontos. Escrevi naquele dia que o índice tinha feito um sinal de fundo no curto prazo e que deveria “repicar”. De fato, isso ocorreu e o IBOV subiu quase 5% em 2 dias. O recuo a seguir também era provável, testando novamente o fundo em 100 mil pontos. Daí para frente surgiu o imponderável.

Seguindo o forte recuo das bolsas mundiais, o IBOV perdeu 30% em apenas seis pregões. A maior queda do IBOV num curto espaço de tempo. Do topo em janeiro até o dia de ontem (12/03) a queda superou 40%. Definitivamente, ninguém previa tal magnitude de movimento. Foi um arraso no valor das ações.

Esqueçamos o passado e pensemos no futuro.

O prognóstico para o longo prazo continua o mesmo. Já comentei isso, mas repito, mesmo os grandes “bull markets” passam por correções agudas. Assim, não desfaça de suas ações.

A hora de vender já passou. O “timing” ideal ocorreu quando o IBOV estava cotado acima dos 115 mil pontos, quando recomendei realizações parciais no mês de janeiro.

Não é fácil ver a carteira de ações sangrando, mas não tome decisões precipitadas. Os fundamentos da economia brasileira continuam os mesmos.

Por outro lado, no curto prazo as incertezas aumentaram em progressão geométrica e a alta volatilidade permanecerá. A forte disseminação do coronavírus, a crise do petróleo e a paralisia da economia mundial devem afetar significativamente o crescimento global e o lucro das empresas.

O que fazer?

Se você tiver caixa aumente suas proteções em ouro e dólar. Se antes o indicado era 10%, talvez 20% seja um bom montante. Outros mecanismos de hegde mais sofisticados também podem ser usados pelos investidores mais experientes.

Aproveite as quedas abruptas para aumentar a posição em ações, mas sempre com muita parcimônia. Vários ativos estão baratos, mas podem ficar ainda mais. Compre aos poucos.

E o mais importante: invista apenas em boas empresas. Não compre empresas ruins só porque caíram muito. É uma tremenda fria.

Mantenha intacto seu fundo de reserva. A crise pode durar mais tempo do que o previsto.

Foque na diversificação da carteira. Não ouse concentrar seus ativos em supostas oportunidades de renda variável.

Com o pânico mundial, as taxas do Tesouro Direto ficaram mais atrativas. Mais uma vez, compre aos poucos. A situação pode piorar e as taxas ficarem ainda mais atrativas.

Duvide de quem sabe o que acontecerá no mercado nas próximas semanas. É uma missão impossível. Ninguém tem a menor ideia do ocorrerá no curto prazo.

Resumindo: a meta no curto prazo é sobreviver à tempestade. A atual crise é passageira, mas não sabemos quantificá-la em tempo. A situação pode piorar. Foque no longo prazo!

Bons investimentos e muita calma!

* O pânico é uma das principais causas de transferência de renda no mercado financeiro. 

MJR




domingo, 1 de março de 2020

Atualização extraordinária do IBOV – BOTTOM TAIL




Escrevo esse post para uma alerta importante aos leitores que acompanham o blog.

Após o forte movimento de queda visto no decorrer dos últimos dias nas bolsas mundiais, na última sexta-feira os mercados fizeram uma relevante movimentação.

Na sexta-feira, 28/02, os índices começaram em queda e depois mostraram uma reação surpreendente durante o restante do pregão.

O sinal gráfico é de um “bottom tail”, ou seja, o mercado sinalizou FUNDO no curto prazo. Esse sinal costuma ser muito fidedigno, porém não é 100%, como sempre em análise gráfica.

O sinal acima descrito ocorreu no Dow Jones, no S&P, no IBOV e nas Blue Chips brasileiras.





É provável que tenhamos uma boa recuperação nos próximos dias (mesmo com a abertura negativa do mercado futuro americano neste domingo à noite).

Isso não significa que haverá uma recuperação imediata do terreno perdido, mas uma pausa na sangria é quase certa.

No post anterior comentei que o IBOV possivelmente faria fundo acima dos 105 mil pontos. Ledo engano. O índice buscou o próximo suporte em 100 mil pontos e reagiu fortemente.

Assim, acredito que talvez seja um bom momento para aumentar as posições compradas, especialmente nas grandes empresas. Mas, faça aportes parciais.

Alerta: de uma maneira geral as Small Caps ainda não sinalizaram essa reação e quedas adicionais podem ocorrer.

A acentuada queda dos índices globais foi motivada pelo temor com o coronavírus. Apesar de não sabermos o futuro da doença, nos níveis atuais de preços, vários ativos estão convidativos: boa margem de segurança.

Por último, alguns comentários:

É muito comum que após o sinal de fundo, o ativo suba por alguns dias e depois volte a cair, retestando o fundo. Aqui poderemos ter uma nova oportunidade de compra.

Por outro lado, se perdemos o fundo de 100 mil pontos no IBOV (em fechamento), a continuidade da queda é certa.

E não se esqueça da significativa correlação atual entre o IBOV e os mercados americanos. Mesmo em estágios diferentes dos ciclos econômicos, a correlação está muito entrelaçada. Com certeza não saíremos ilesos numa eventual continuidade do recuo dos índices globais.

Bons investimentos.

MJR


As opiniões postadas no blog são apenas posições do autor sobre o tema, e não constituem em si, recomendações de compra ou venda de ativos. E mais. O investimento no mercado de renda variável pode gerar prejuízos.